17 julho 2013

Outras Estantes: Coleção Eça Agora: Pedro Santana Lopes é Dâmaso Salcede

Dizia o ensaísta António Sérgio, num artigo escrito em 1940 no jornal "O Diabo", que ninguém falava de Dâmaso Salcede porque não se fala de corda em casa de enforcado. E acrescentava que de todas as personagens queirosianas seria esta a "que vemos reproduzida na nossa terra em maior número de exemplares" (cf. A. Campos Matos, "Dicionário de Eça de Queiroz"). Figura secundária de "Os Maias", cuja génese tem origem num Dâmaso Mavião de "A Tragédia da Rua das Flores", Dâmaso Cândido Salcede (o nome diz tudo, como salientou aqui Carlos Reis) tinha, além de diversos defeitos, uma teoria que o tornou célebre: "Eu cá, com mulheres, a minha teoria é esta: atracão! Eu cá é logo: atracão!"
Só isto bastou para que nos fizesse lembrar alguém bem conhecido. Embora com uma injustiça que não podemos deixar de salientar. Dâmaso era baixo e gordo e, apesar de viver na distintíssima Rua de São Domingos à Lapa, odiava Lisboa, que considerava um "chinfrim", trocando-a de bom grado por Paris. Não obstante ser fanfarrão, era, ao contrário das provas que o nosso Pedro Santana Lopes tem dado, um cobarde de primeira água, sempre disposto a recuar e a desdizer-se à primeira dificuldade. Enfim, Dâmaso tem tantos defeitos quantos só uma personagem de Eça pode ter.
Há, no entanto, o seu lado chique e moderno ou, pelo menos, pretensamente moderno. Há a sua vaidadezinha, a sua forma de exibir, a sua propalada fama de conquistador feliz, a bazófia. Nada que, em doses homeopáticas, seja condenável. Nada que, com um severo controlo dos excessos, prejudique a boa imagem. E nisso, se necessário foi encontrar personalidade viva e atuante que - rejeitando os defeitos por excessivos - se encontrasse com Dâmaso na suavidade de um doce atracão... ah, bem, quem queriam que fosse senão o mais charmoso dos políticos e eterno promissor Pedro Santana Lopes? O único verdadeiro político que vive da Misericórdia que por ele temos!


16 julho 2013

Outras Estantes: Coleção Eça Agora: Luís Filipe Menezes é o Conselheiro Acácio

O conselheiro Acácio não poderia faltar nesta galeria, tanto mais que, como salientou Carlos Reis neste mesmo jornal, "longe estaria Eça de saber que a língua portuguesa haveria de cunhar o adjetivo acaciano", provando que os romancistas de talento invertem a ordem natural: "Não é a ficção que copia o real; é o real que imita a ficção." Só que, neste particular, ficamos como Gil Vicente: Acácio é Todo o Mundo e Ninguém.
Acácio, o conselheiro, é talvez a mais célebre figura política queirosiana. Apesar de personagem secundária de "O Primo Basílio", tem sido, no último século, sinónimo do estadista vácuo e convencional. Lisboeta, morador na Rua do Ferragial, onde vivia amantizado com uma criada, nada indicaria que se fosse buscar o nosso homem do Porto, Luís Filipe Menezes, para um paralelismo destes. No entanto, para os mais atentos, haverá aqui discreta homenagem, já que o romance que deu à luz o conselheiro teve a sua primeira edição na Cidade Invicta, em 1878.
Acácio, ao contrário de Menezes, era careca, embora pintasse a cabeleira que lhe restava: "Tingia os cabelos, que de uma orelha à outra lhe faziam colar para trás da nuca; e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, maior brilho à calva." Além disso, também ao contrário de Menezes, passava a vida a citar este, aquele e aqueloutro.
Há, porém, pontos de contacto. Como Menezes, o conselheiro utilizava palavras pouco comuns. Por exemplo, quando o enganado marido de Luísa lhe comunica que tem de ir ao Alentejo, refere-se à região como um país de grande riqueza porcina; assim como nunca dizia vomitar, mas sim restituir, acompanhando a palavra com o gesto. Referia também sempre "o nosso Garrett" ou "o nosso Herculano", como quem diz "o nosso rio Douro" ou "a nossa Gaia", e - numa reverência insuperável - soerguia-se um pouco da cadeira quando se referia ao rei, tal qual podemos imaginar o respeito do nosso Menezes ao nosso Jorge Nuno Pinto da Costa.
Dirão que é exagerado. E concordaremos. Pois o que é a caricatura senão o traço exagerado dos sinais particulares e dos defeitos?


Jornal Expresso

15 julho 2013

Resenha: Impecáveis de Sara Shepard



Livro: Impecáveis vol 2
Série: Pretty Little Liars Novel
Autora: Sara Shepard (1977- )
Título original: Flawless: Pretty Little Liars Novel
Sequência de Maldosas
Tradução: Fal Azevedo
1ª edição- Rio de Janeiro
Ano: 2011
Editora: Rocco Jovens Leitores
Nº de páginas: 336
Período de Leitura: 01/07 a 10/07/13
Temas: Literatura infantojuvenil, Ficção policial norte-americana, Amizade, Segredo, Conduta. Literatura infantojuvenil norte-americana.


Segredos feios suficientes para enterrá-las vivas. E, aos poucos, vou contar.
Me chame apenas de A. É como eu me assino meus deliciosos recadinhos para Hanna, Spencer, Aria e Emily, dizendo o quanto eu sei sobre seus sórdidos segredinhos...E por que eu não conto logo? Elas merecem perder tudo, mas a vingança é um prato que se come frio. E a cada bilhete amassado, e-mail perverso e torpedo vingativo que envio, atrapalho um pouco da vida dessas quatro belas mentirosas. Confie em mim.  
        -A

Você conhece aquele garoto que mora a algumas casas descendo a rua e que é simplesmente a pessoa mais esquisita do mundo?

Impecáveis é o segundo livro da série Pretty Little Liars. O livro é um pouco diferente da série.
As meninas continuam recebendo mensagens de A. Conhecemos a noite que "A coisa de Jenna aconteceu, Spencer roubou o namorado da irmã, Hanna sofre com a bulimia, Aria esconde um segredo, Emily está apaixonada por sua amiga, Maya.
Um personagem novo, Toby Cavanaugh, meio-irmão de Jenna. E todos querem saber o que as meninas fizeram no verão passado.
Com a confirmação da morte de Ali, tira a esperança que a dona da mensagens fosse ela. Agora, todos estão sob suspeita.
Apesar de o livro apresentar o que já vimos na série televisiva, não estraga a leitura, apenas acrescenta mais detalhes.
As mentiras estão sendo reveladas.
E as perguntas continuam:
Quem matou Alison?
Quem é A?

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Outras Estantes: Coleção Eça Agora: José Castelo Branco é a Condessa de Gouvarinho

A condessa de Gouvarinho possuía o título por casamento, mas questões de dinheiro, aliadas à mediocridade do conde, fazem com que o casal se desentenda. De candeias às avessas com o marido, Gouvarinho passa a ser o que hoje poderíamos considerar uma figura da sociedade. É, aliás, no Teatro de São Carlos que ela conhece Carlos da Maia, no intervalo da representação de "Os Huguenotes", ópera de Meyerbeer, ganhando assim o direito a figurar como personagem secundária de "Os Maias".
Não terá sido por acaso que a condessa se dá a conhecer durante uma ópera de um compositor menor (Eça não escolheu um Mozart, um Rossini ou um Verdi, mas um simples Meyerbeer). A própria condessa é uma figura pouco importante, razoavelmente falida, embora com acesso à fina-flor lisboeta. Surge do nada e desaparece da história quando Carlos, três semanas depois de a conhecer, se farta dela, apesar de a achar "picante".
Ora manda a verdade dizer que o nosso (ou nossa, ou qualquer coisa) José Castelo Branco, tendo todo o mérito de ser uma personagem bem conhecida e com acesso, não deixa de ser secundário. Nem aspirará, provavelmente, a maior estatuto do que aquele que detém. Mas há o pormenor do casamento e do socialite que fez com que este (ou esta, ou coiso) ex-mergulhador do "Splash" (e por menor que seja Meyerbeer sempre é um programa mais culto do que o show em causa) também tenha as obrigações descritas em "Os Maias" para a Gouvarinho: receber, estar e conversar.
Afinal, nesta trilogia, que pode ser aperfeiçoada na teoria e na prática através de tratados como os de Paula Bobone, estão os alicerces intelectuais de quem se alcandora ao jet set e nele consegue permanecer. Apesar do que se vai dizendo, normalmente, pelas costas. Talvez Eça nem sequer desconfiasse que, 125 anos depois, ainda se falaria de Gouvarinho...
 Fonte: Jornal Expresso

Saindo da Estante: A zona azul de Andrew Gross


Kate Raab tem tudo: uma família extraordinária, um primeiro emprego atraente logo depois de sair da Universidade Brown e um namorado que ela adora. Mas isto foi antes de o FBI prender seu pai por lavagem de dinheiro. Antes de ele ser forçado a cooperar com promotores públicos. Antes que sua mãe, o irmão mais novo e a irmã fossem levados para um local desconhecido dentro do Programa de Proteção a Testemunhas. Sem Kate.
Agora, um ano depois, o pior aconteceu. O pai de Kate desapareceu de repente – passando a constar no que a agência WITSEC chama de “a Zona Azul” – e a agente designada para o caso foi brutalmente assassinada. Com o FBI totalmente no escuro, com os antigos “amigos” de seu pai cercando-a com crescente intensidade, Kate deverá penetrar na zona azul e descobrir toda a verdade. Descobrir o que seu pai esteve escondendo dela e o que realmente tinha feito.

Do manual do Programa de Proteção a Testemunhas:
A Zona Azul: a situação mais temida: quando há suspeita de que a nova identidade foi denunciada ou descoberta, Quando o indivíduo não segue as regras, não fica em contato com o agente que cuida do caso ou foge da segurança do programa. Quando não há conhecimento oficial se a pessoa está viva ou morta.

Sobre o autor:

Andrew Gross é o co-autor de best-sellers que ocuparam o primeiro lugar na lista do New York Times, junto com James Patterson, incluindo Judge & Jury, Lifeguard, Third Degree e Jester. Antes de começar a escrever, teve uma bem-sucedida carreira de negócios trabalhando com trajes esportivos. Vive com sua família em Westchester County, Nova York.

14 julho 2013

Outras Estantes; Eça Agora: Marcelo Rebelo de Sousa é o Jacinto

Um dia, o criado Grilo, referindo-se ao seu patrão Jacinto, exclama: "Sua Excelência sofre de fartura!..." Que fartura era esta? Não é uma só, são muitas. Por um lado, Jacinto é rico; por outro, é culto ("as letras, a tabuada, o latim entravam por ele tão facilmente como o Sol por uma vidraça", diz Zé Fernandes, o narrador de "A Cidade e as Serras"); por outro, ainda, é dado à modernidade, à geringonça que a civilização vai pondo ao dispor de cada um.
Deixando de lado a riqueza material - não vimos nem quisemos ver a conta bancária do nosso Marcelo -, é certo que também este absorve, tão facilmente quanto a vidraça, seja que conhecimento for. É esperto, é culto, é inteligente, é superior. E, o que é mais, não passa o professor sem a geringonça, supondo-se que ele se tornaria no mais feliz cidadão do mundo caso alguém inventasse um telemóvel que permitisse falar com dez pessoas ao mesmo tempo e a qualquer hora do dia ou da noite.
Mas há em Marcelo, como houve em Jacinto, a tentação da simplicidade. Da vida no campo, da vida nas serras. Se a personagem de Eça ganha o seu céu particular quando se muda de Paris para Tormes, junto ao rio Douro, tem o professor a casinha de Celorico de Basto. E, tal como Jacinto, é quase certo que Marcelo tem a tentação de disciplinar o pensamento, impedindo que ele "se estonteie e se esfalfe, como na fornalha das cidades, ideando gozos que nunca se realizam, aspirando a certezas que nunca se atingem". Aposta-se singelo contra dobrado que, quando dá aulas, ou, graças a Deus, naquelas missas de que chega sempre à TVI para a conversa com Judite, também o professor aspira a que a sua alma "deixe o mundo rolar, não esperando dele senão um rumor de harmonia, que a embale e lhe favoreça o dormir dentro da mão de Deus".
Se Marcelo experimentasse uma temporada longe das geringonças, dos telemóveis, das televisões... Quem sabe?
Fonte Jornal Expresso

A Semana em Retalhos- 07/07 a 13/07/13


Meme semanal hospedado pelo Lost in Chick Lit, onde compartilhamos pequena informações sobre a nossa semana literária. Tendo como principal objetivo encorajar a interação entre os blogs literários brasileiro, fazer amizades e conhecer um pouquinho mais sobre outras pessoas apaixonada por literatura. Tem interesse em participar? Saiba como aqui 


Leitura(s) do momento:
Book Tour: Garota Tempestade
Jogo de Amarelinha

Livros emprestados da biblioteca:

Li essa semana:


Abandonei essa semana:
Nenhum

Resenhei essa semana: 
Book Tour-Faces Opostas de L. F. Valadares

Comprei essa semana
 
Nenhuma compra

Evento(s) da Semana: 
Sorteios:(Participando)

 
Selecionada:


Ganhei essa semana:

Recebi essa semana: (pelo correio)

       (Promoção de 2 anos de CDL - 2ª parte)
Meu primeiro americano de Lore Segal
Presentes da Vida de Emily Giffin
Por um Momento Apenas de Bella Andre 
P.S. Eu te Amo de Cecelia Ahern 
Conselho de Amiga de Siobhan Vivian
Cruzando o Caminho do Sol de Corban Addison
Um Lugar para Ficar de Deb Caletti
O Começo do Adeus de Anne Tyler

      Participação: Gincana de Aniversário (Blog: O Mundo Maravilhoso da Leitura)
Alma? De Gail Carriger 


Desejo Comprar Urgentemente:
No momento nada
Im in mood for...(gênero literário do momento)
Ficção
Super Quote:
Não selecionei nenhum

Vi e viciei(booktrailers, trailers, videos whatever)

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