10 agosto 2013

Outras Estantes: Os Maias Revisitados - Parte 2


Se assinalam os 125 anos da sua edição(Os Maias) e uma iniciativa Expresso (Eça Agora) veio chamar a atenção para a obra e a efeméride. De facto, o conhecido semanário oferece o romance, em très edições consecutivas, a que se seguirão, em outras três edições, textos de seis escritores atuais que "trazem" Os Maias até 1973- e um sétimo e último volume sairá um estudo, sobre o romance, do reputado especialista queirosiano Carlos Reis.

Feitas duas perguntas aos escritores que trarão o famoso romance até à decada de 70 do século passado, e todos responderam ao inquérito- com exceção de Gonçalo M. Tavares, que se encontra em viagem.
Inquérito (Parte 2)

É um dos seis escritores que irá "continuar" Os Maias, prolongando-o no tempo, de 1887 até 1973, anos da fundação do Expresso, nos termos dos objetivos do projeto "Eça Agora" desse semanário. Pergunta-se:

1. Considera realizável, para citar o projeto, " dar seguimento à narrativa de Os Maias, à altura de Eça? 
Mário Zambujal  
Nunca saberemos o que o Eça faria com aquelas personagens (e outras, mais ou menos risíveis, que lhes fosse acrescentando) se pudesse prolongar Os Maias até 1973. Mas não se trata, aqui, de entrar em adivinhacões. A cada um dos autores chamados ao exercício, deu-se a óbvia liberdade de usarem os seus próprios estilos de escrita, imaginação e pessoais modos de louvar o pai da obra. Teremos assim, presumo (nada sei dos outros) textos ficcionais muito diversificados e esse será um motivo de curiosidade na coleção. Quanto à expressão "à altura de Eça", calma, pode insinuar intenções e objetivos exagerados. Falo por mim mas aposto que qualquer dos outros cinco ficcionistas pretenderá é estar à sua própria altura - não como sucessor ou sucedâneo do senhor Eça de Queirós.

J. Rentes de Carvalho 

Por mim falo, mas acho que demonstraria ligeireza a cabeça que considerasse possível "continuar" Os Maias. É obra acabada, não se lhe mexe nem deitam remendos. Aquele "dar seguimento à narrativa" só pode ser tomado como piscadela de olho, embora um ou outro ingénuo talvez espere que o seu favorito entre os escritores que participam possa num repente ganhar fama queirosiana. Mais realista é tomar a coisa como um simpático jogo, espécie de corrida de sacos para escribas, e não lhe dar mais importância do que a que tem: uma maneira louvável de festejar os 40 anos do Expresso, com a vantagem colateral de que aqui e ali haja gente a descobrir Os Maias.
2. Pela sua parte, escreveu ou vai escrever a sua ficção de forma natural, como qualquer outra, ou entende tratar-se de um desafio particularmente difícil, que exigiu ou exige pelo menos "ousadia" para lhe responder? E qual o ângulo ou tom da sua abordagem, se já o tem e se pode saber?
Mário Zambujal
De forma natural, naturalmente. Escrevo como escrevo, não ia agora mudar. O que me calhou foi período de 1925 a 1940, o repto era imaginar como se comportaria o Carlos da Maia por esses tempos. Dei-lhe um caminho - poderia ser outro, de qualquer modo marcado pelas circunstâncias. Se é ou não "ousadia"., depende do que possam os leitores esperar de um texto livre de 50 mil carateres (passei um bocadinho) com uma história inventada mas a refletir, mesmo ao de leve, a realidade da época. E mais não digo.

J. Rentes de Carvalho
Há de perdoar, mas a palavra desafio é das que me faz cócegas. Políticos, cantores, atrizes velhas e novas, fadistas principiantes, industriais, desportistas, banqueiros, homens da bola, meninas desempregadas, poucos portugueses haverá que não sintam a excitação do desafio. Isto de Os Novos Maias não põe desafio nenhum, muito menos é questão de "exigir ousadia" . É-lhe apresentado um projeto, feita uma proposta, você pesa os prós, os contras, e se por acaso aceita resta-lhe fazer à prosa o que agora os bombeiros dizem que se faz em relação aos incêndios: "muscular" a coisa. No que se refere a ângulos, tons e abordagens, aí vejo-me obrigado a seguir o exemplo de qualquer chef que se preza: escondo a receita, os ingredientes, o tempo de cozedura, e a seu tempo apresntarei o prato.
.

Nota: Um dos princípios para Eça Agora prendeu-se com a cronologia. Cada escritor ficou com vários anos a seu cargo- 12,15 ou mais- iniciando-se a nova história em 1888 (Carlos da Maia tem 37 anos) e prolongando-se até 5 de janeiro de 1973, 

Fonte: JL nº 1117

Próximo post: Clara Ferreira Alves

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04 agosto 2013

Maratona Literária- Conclusão

Maratona1


Último dia da maratona, e temos que finalizar com um post de conclusão:
Meu desempenho: Médio
Meta cumprida: Infelizmente, não.
Quantos livros leu: 2 e meio.
Quais livros e quantas páginas:
Meta: Atualizado em 04/08
1-A Zona Azul  (381 páginas)
Até o dia 28/07= Já lidas= 102 páginas 
Dia 29/07= + 42 páginas
Dia 30/07= + 38 páginas
dia 31/07= +199 páginas
2- O Jogo da Amarelinha ( 407 páginas)
Até o dia 28/07= já lidas= 296 páginas
Dia 29/07= +  60 páginas
Dia 30/07= + 51 páginas
3- O Conde de Monte Cristo

4-Melancia  (ou Férias)   (489 páginas)
Dia 31/07=+ 14 páginas
Dia 01/08=+ 65 páginas
Dia 02/08=+ 32 páginas
Dia 03/08=+ 94 páginas
Dia 04/07= +103 páginas
Dos quatros livros propostos, só consegui ler dois por inteiro e outro pela metade.
O total de páginas almejado era de 1187 ou seja +/- 163 páginas por dia.
Desempenho: Dia 29/07= 102 páginas
                      Dia 30/07= 89 páginas
                     Dia 31/07=  213 (Inacreditável)
                     Dia 01/08= 62 páginas
                     Dia 02/08= 32 páginas
                     Dia 03/08= 94 páginas
                     Dia 04/08= 103 páginas

Desafios  Diários:


Desafio Diário 2: Criar uma imagem ou uma foto que ilustre algum elemento/cena/personagem do seu livro favorito= não realizado




Desafio Diário 6: Criar uma playlist do seu livro favorito= não realizado

Dos 6 desafios só realizei 4. O que me espantou bastante, pois não sei lidar com imagens, ilustrações e afins. Contei bastante com a ajuda das minhas irmãs. Mas valeu,  aprendi um pouco e na próxima já estarei craque.

Final: Adorei a Maratona Literária, apesar de não ter alcançado a minha meta, valeu muito ter participado.

Já desejando participar de outra.
Até a próxima!!!!!!!!









03 agosto 2013

Outras Estantes: Os Maias Revisitados - Parte 1

Se assinalam os 125 anos da sua edição(Os Maias) e uma iniciativa Expresso (Eça Agora) veio chamar a atenção para a obra e a efeméride. De facto, o conhecido semanário oferece o romance, em très edições consecutivas, a que se seguirão, em outras três edições, textos de seis escritores atuais que "trazem" Os Maias até 1973- e um sétimo e último volume sairá um estudo, sobre o romance, do reputado especialista queirosiano Carlos Reis.
Feitas duas perguntas aos escritores que trarão o famoso romance até à decada de 70 do século passado, e todos responderam ao inquérito- com exceção de Gonçalo M. Tavares, que se encontra em viagem.
Inquérito (Parte 1)

É um dos seis escritores que irá "continuar" Os Maias, prolongando-o no tempo, de 1887 até 1973, anos da fundação do Expresso, nos termos dos objetivos do projeto "Eça Agora" desse semanário. Pergunta-se:

1. Considera realizável, para citar o projeto, " dar seguimento à narrativa de Os Maias, à altura de Eça? 

José Luís Peixoto:        
Pessoalmente, nunca considerei que esse fosse o desafio proposto. Creio, aliás, que nenhum outro autor que participa neste projeto o tenha entendido assim. Confesso que até me custa entender como é que se pode fazer tal interpretação. Trata-se sim de uma variação a partir do final de Os Maias. Este tipo de variações não são novas. existem há bastante tempo e são muitíssimo comuns em diversas áreas da criação, como a música, as artes plásticas, etc. O facto de se partir de uma determinada obra demonstra o valor que se lhe reconhece e propõe pespetivas, convidando a uma leitura ou releitura. O romance Os Maias, escrito por Eça de Queirós, é um texto fixo, definitivo, que em nada será tocado por este ou qualquer outro exercício que se queira fazer à sua volta.É penoso ter de explicar o óbvio. No entanto, incrivelmente, estes projetos ainda levantam as mais diversas dúvidas, umas mais pertinentes do que outras.

José Eduardo Agualusa         African writer

O desafio que me foi proposto nunca passou por dar continuidade ao romance do Eça, ao menos não o entendi assim.Foi o de criar um conto que remetesse de alguma forma para Os Maias, numa época posterior. Para mim o mais interessante é estar incluído num grupo de escritores com estilos e propostas literárias tão diversas. Os Maias não morreram. O livro continua vivo, porque aquela história ainda nos interessa - e interessa-nos porque trabalha uma série de questões que são universais e intemporais. Vejo este desafio como uma homenagem a esse livro, que, para mim, enquanto escritor foi muitíssimo importante. Acredito que este projeto do Expresso irá levar o livro ainda a mais leitores.

2. Pela sua parte, escreveu ou vai escrever a sua ficção de forma natural, como qualquer outra, ou entende tratar-se de um desafio particularmente difícil, que exigiu ou exige pelo menos "ousadia" para lhe responder? E qual o ângulo ou tom da sua abordagem, se já o tem e se pode saber?
José Luís Peixoto
Os Maias foi um romance muito importante na minha formação. Possivelmente, sem o efeito que essa leitura causou em mim, não teria chegado à escrita literária. Esta relação pessoal com a obra e com o autor fez com que este se tratasse de um desafio que tentei cumprir com especial dedicação. Não me cabe a mim descrever o que escrevi, mas espero que possa transmitir o prazer que tive em privar com algumas das personagens.

José Eduardo Agualusa
Foi um desafio que enfrentei com alegria. Como disse antes a obra do Eça foi importante para mim. É um universo que também já me pertence. Apropriei-me dele, primeiro enquanto leitor- que é o que fazem todos os bons leitores- e depois enquanto escritor, quando decidi utilizar num dos meus romances, Nação Crioula, o Fradique Mendes já não é o de Eça. é natural, contudo, que em toda a minha obra existam marcas que remetam para leitura do Eça. No meu conto tento fazer uma reflexão irónica sobre a questão colonial, vista pelos olhos de outros dois personagem do Eça - Carlos da Maia e João da Ega. De resto, também tratei da mesma questão na Nação Crioula. O período em que decorre a ação do meu conto é particularmente interessante. Trata-se do início da construção do Caminho de Ferro de Benguela, que marca também o início da construção de uma nova cidade, o Lobito, um projeto épico, fantástico, curiosamente ainda não explorado pela ficção angolana. A verdade é que há ali material para um romance. Talvez um dia me tente.

Nota: Um dos princípios para Eça Agora prendeu-se com a cronologia. Cada escritor ficou com vários anos a seu cargo- 12,15 ou mais- iniciando-se a nova história em 1888 (Carlos da Maia tem 37 anos) e prolongando-se até 5 de janeiro de 1973, 


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02 agosto 2013

Maratona Literária–Desafio Diário 5

O desafio de hoje é do Burn Book.
Criar uma frase que defina o seu livro favorito como se ela fosse para a capa oficial.

"O segredo do passado, pode ser o presente do futuro"


Maratona1

Meta:
1-A Zona Azul  (381 páginas)
Até o dia 28/07= Já lidas= 102 páginas 
Dia 29/07= + 42 páginas
Dia 30/07= + 38 páginas
dia 31/07= +199 páginas
2- O Jogo da Amarelinha ( 407 páginas)
Até o dia 28/07= já lidas= 296 páginas
Dia 29/07= +  60 páginas
Dia 30/07= + 51 páginas
3- O Conde de Monte Cristo

4-Melancia ou Férias   (489 páginas)
Dia 31/07= 14 páginas
Dia 01/08= 65 páginas
Dia 02/08= 32 páginas
Dia 03/08= 94 páginas

31 julho 2013

Maratona Literária Desafio Literário 3

Criar uma cena com no máximo 300 caracteres que, de alguma forma, inclua o nome de um livro que você goste muito ou que você esteja lendo/tenha lido durante a Maratona
Blog: Amount of Words
Maratona1

Algum tempo atrás, na hora do almoço, o assunto gerou sobre brincadeiras na nossa infância. Foi um festival de recordações, cada uma falava uma brincadeira: pique-esconde, batatinha-frita 1,2,3, Bento Bento o frade, Mamãe posso ir, queimado, jogo da amarelinha, Pera, uva ou maçã, Estátua,e as cantigas de roda.
A hora passou tão rápido, mas na minha lembrança aquela hora permanecem bem vivas.

Livro: O Jogo da Amarelinha

Resenha: A Zona Azul de Andrew Gross

 
Livro: A zona azul
Título Original: The blue zone
Autor: Andrew Gross
Tradução: Lea P. Zylberlicht
São Paulo
Editora: Planeta do Brasil
Ano: 2007
Nº de Páginas: 381
Período de Leitura: 15/07 a 31/08/13 
Tema: Literatura norte-americana, Ficção

A Zona Azul é um thriller inquietante. Andrew Gross revoluciona o gênero com a história tocante do desaparecimento do pai de Kate Raab, que estava sob a guarda do Programa de Proteção a Testemunhas. Nada se sabe sobre seu real envolvimento com a máfia colombiana. Não se sabe sobre sua própria vida. Sua família parece não conhecê-lo. A única certeza é ele ter entrado na Zona Azul, o universo das testemunhas desaparecidas sem deixar rastro. Na busca por seu pai, Kate enfrentará criminosos e situações angustiantes, mas nada pode ser mais arriscado que ficar frente a frente coma a verdade. A Zona Azul mostra todo o talento de Andrew Gross, o novo mestre do suspense.
“Medo de verdade, arrepios de verdade, suspense de verdade...bom de verdade.” (Lee Child)
“Um thriller tenso e emocionante com um bocado de sentimento.” (James Patterson)
O manual do WITSEC, a agência dos U. S. Marshals que supervisiona o Programa de Proteção a Testemunhas, descreve três estágios no envolvimento da agência.
A Zona Vermelha – quando o indivíduo é colocado sob proteção enquanto está na prisão ou em julgamento.
A Zona Verde – quando o indivíduo, junto com sua família, é colocado sob nova identidade e situação conhecidas apenas pelo agente do WITSEC que cuida do caso, e passa a viver em segurança.

A Zona Azul: a situação mais temida: quando há suspeita de que a nova identidade foi denunciada ou descoberta, Quando o indivíduo não segue as regras, não fica em contato com o agente que cuida do caso ou foge da segurança do programa. Quando não há conhecimento oficial se a pessoa está viva ou morta.

O que você faria se de repente, o que você sempre acreditou do seu pai, não fosse verdadeiro?
É exatamente o que acontece com Kate, toda sua vida desmorona, e ainda por cima o seu pai desaparece do local onde estava sobre proteção.
Com o desaparecimento do seu pai, Kate vai descobrindo mais coisas que a deixam intrigada, ela precisa encontrar a sua família para poder colocar em prato limpo da a verdade
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