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19 abril 2014

1945: Leipzig libertada por soldados norte-americanos

Em 19 de abril de 1945, soldados dos EUA conquistaram a cidade no leste alemão. Segundo o relato de um veterano, a população recebeu com bandeiras brancas os soldados cansados, mas seguros da vitória.

Monumento à Batalha dos Povos, em Leipzig
Na manhã de 19 de abril de 1945, o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, ainda dirigira um apelo patético à população alemã. "Enfrentar uma batalha inevitável, manter a cabeça erguida, consciência e mãos limpas diante do destino, suportar tudo quanto é sofrimento e provação sem jamais pensar em suicídio, nem mesmo na hora da dor mais cruel – isso não só é ser homem, como também é ser alemão, no melhor sentido do termo", disse o ministro.
O coronel Von Poncet ainda resistia e um contingente de 150 homens da "Volkssturm" (tropa de voluntários recrutados nos últimos dias da guerra) controlava a prefeitura. Mas não por muito tempo. Um bombeiro alemão, interlocutor dos americanos, moveu os últimos combatentes a se entregarem. Eles finalmente desistiram de desafiar o poderio americano, depois que os líderes nazistas locais se enforcaram coletivamente na torre da prefeitura.
O restante da luta pela libertação de Leipzig foi quase um passeio pela cidade para as tropas dos Estados Unidos. Segundo o relato de um veterano, a população recebeu com bandeiras brancas os soldados norte-americanos, cansados, mas seguros da vitória. "Não houve forte resistência, apenas alguns adversários isolados, nas redondezas da estação ferroviária", lembra.
Tentativas de negociação
Com apenas 21 soldados, dois oficiais norte-americanos tomaram os quartéis do norte da cidade; os do sul também foram ocupados sem grandes problemas. "Ocorreram algumas perdas em Leipzig. Foram, na maioria, casos acidentais. Alguns soldados, porém, morreram em combates isolados de rua", conta o veterano.
Depois de rebater os primeiros ataques, o coronel Von Poncet se dispôs a negociar, quando o Monumento à Batalha dos Povos foi atingido por uma bomba. A primeira tentativa de negociação, feita por uma delegação de mulheres de Leipzig, não teve êxito. A segunda partiu de Hans Trefousse, um alemão de Frankfurt radicado nos Estados Unidos. Fiel seguidor das absurdas ordens de Hitler, Von Poncet, porém, insistia em não se entregar.
Onze dias depois, Hitler se suicidou. Embora o Terceiro Reich somente reinasse mais sobre gigantescas montanhas de escombros e um abrigo antiaéreo no subsolo de Berlim, a verdade continuou encoberta. Segundo um comunicado do quartel general, "Adolf Hitler morreu em combate, tendo lutado até o último momento contra o bolchevismo e pela Alemanha". No dia 30 de abril, Hitler ainda nomeou o almirante Karl Dönitz (1891-1980) como seu sucessor.
Em Leipzig, as negociações de 19 de abril de 1945 foram dramáticas. Tarde da noite, Poncet finalmente se entregou. Na base da "palavra de honra", ele e seus oficiais ganharam 48 horas para visitar suas famílias. Passado o prazo, todos – exceto um – se apresentaram na cadeia pública. Já os soldados comuns, integrantes da Volkssturm e da juventude hitlerista, foram transportados imediatamente para os campos de prisioneiros de guerra.

    Fonte:  Deutsche Welle

  • Autoria Gerda Gericke/gh
  • Assuntos relacionados Holocausto

13 abril 2012

Calendário Histórico - 1954: Oppenheimer afastado do programa nuclear dos EUA

A 13 de abril de 1954, o presidente Dwight Eisenhower excluiu Robert Oppenheimer, um dos pais da bomba atômica, do programa nuclear dos EUA. Ele manifestara "restrições morais" ao desenvolvimento da bomba de hidrogênio.
Oppenheimer passou a ser considerado 'ameaça à segurança nacional'
Robert Oppenheimer, filho de um imigrante alemão, nasceu em Nova York em 1904. Bem cedo, revelou potencial excepcional tanto nas áreas de matemática e ciências como na de idiomas. Na Universidade de Harvard, concluiu os estudos de Física, Ciências Naturais, Grego e Latim. Em 1924, mudou-se para a Europa, onde estudou primeiro em Cambridge, na Inglaterra, e depois em Göttingen, na Alemanha.
Aluno brilhante, na universidade alemã fez contato com outros gênios científicos da época, como Max Born, James Franck e Werner Eisenberg. No período entre as duas guerras mundiais, Göttingen foi um centro de ciência e investigação, de onde partiram grandes avanços nas áreas da física e matemática.
Em 1929, Oppenheimer assumiu uma cátedra na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Entre 1943 e 1945, dirigiu o centro de pesquisas atômicas de Los Alamos. Carismático e com muita capacidade de organização, Oppenheimer deu grande impulso ao trabalho dos cientistas, coordenando o Projeto Manhattan, que levou à construção das bombas nucleares que devastaram Hiroshima e Nagasaki.
Impressionante poder de destruição
A destruição total das duas cidades e o sofrimento da população, no entanto, mudaram radicalmente seu modo de pensar. Terminada a Segunda Guerra Mundial, assumiu a direção do Instituto de Estudos Avançados em Princeton e, em seguida, a presidência do Conselho Consultivo de Energia Nuclear em Washington, que exerceu até abril de 1954.
Apesar dos altos postos que ocupou, nos anos seguintes Oppenheimer foi vítima de enorme conflito pessoal, causado pelas pesquisas em torno da bomba de hidrogênio, com potencial destrutivo mil vezes maior do que a nuclear. Desde 1945, resistira à construção da nova superarma. Suas pesquisas foram concluídas em 1950, o ano seguinte à explosão da primeira bomba nuclear soviética.
Contatos com comunismo
Em 13 abril de 1954, em plena "caça às bruxas" da era McCarthy, terminou um inquérito contra Oppenheimer. Considerado "ameaça à segurança nacional", ele perdeu a licença para trabalhar em programas secretos do governo Dwight Eisenhower. Entre os motivos alegados constavam os contatos do físico com o professor Haakon Chevalier, comunista declarado, assim como suspeitas de associação com os soviéticos.
Muito mais tarde, o espião russo Pavel Sudoplatov revelaria que os planos da bomba nuclear norte-americana foram passados aos soviéticos por um colaborador de Oppenheimer, o britânico Klaus Fuchs.
Oppenheimer deixou Princeton em 1966 por motivos de saúde. Ele foi reabilitado oficialmente pelo presidente John F. Kennedy em 1962, durante um jantar na Casa Branca, oferecido aos agraciados com o Prêmio Nobel. Um ano mais tarde, recebeu o cobiçado Prêmio Enrico Fermi por seu engajamento no programa nuclear. Fumante inveterado, o físico faleceu em 1967, aos 62 anos, em Princeton, em consequência de um câncer na laringe.
Fonte: DW
 Autor Wolfgang Dick (rw)

22 junho 2011

1942: Estreia de "Fausto" com Gustaf Gründgens

Em 22 de junho de 1942 estreou em Berlim o "Fausto 2", de Goethe, na encenação de Gustaf Gründgens. Ele próprio fez o papel de Mefistófeles e atingiu com a peça renome mundial como diretor e ator.

 
Gustaf Gründgens revelou em 1959, no livro Meu encontro com Fausto, que, na encenação da segunda parte da tragédia, conseguiu se libertar do estilo adotado em peças anteriores. Indispensável para essa libertação teriam sido os preparativos dramatúrgicos realizados por Louise Dumont e Gustav Lindemann.
Em 1958, Gründgens aprimorou no Teatro Alemão (Deutsches Schauspielhaus), em Hamburgo, a peça que estreara em Berlim a 22 de junho de 1942, dando-lhe um estilo que influenciou por muito tempo o teatro alemão. O mesmo se pode dizer a respeito deFausto 1, encenado em outubro de 1941, em Berlim, e reencenado em estilo bem mais leve em 1957, também em Hamburgo.
Gründgens ocupou-se a vida inteira com o personagem criado por Goethe, sempre tentando dar clareza ao conteúdo da tragédia. Ele era ainda um jovem colegial quando descobriu o papel de sua vida — o de Mefisto. Após sua formação na Academia de Teatro de Düsseldorf, onde foi aluno de Louise Dumont e Gustav Lindemann, atuou em todo o repertório de peças clássicas e modernas encenadas em Halberstadt, Kiel, Berlim e Hamburgo.
Ilha artística em meio à barbárie nazista
Em 1928, tornou-se ator e diretor do Deutsches Theater de Max Reinhardt, em Berlim. Atuou no papel de Mefisto em Fausto 1, dirigido por Lothar Müthel, em dezembro de 1932, e Fausto 2, sob direção de Gustav Lindemann, em 1933. Durante o período do nazismo (1933-1945), Gründgens foi diretor do Teatro Estatal (Staatliches Schauspielhaus) e integrou o conselho de Estado prussiano.
Protegido pelo poderoso Hermann Göring (comandante da Força Aérea), Gründgens desfrutou de ampla liberdade. Seu teatro era uma "ilha" artística em meio à barbárie nazista, de onde ajudou muitos artistas perseguidos. O auge e, ao mesmo tempo, fim de sua carreira no teatro estatal foi a encenação das duas partes de Fausto, em 1942-1943. O papel principal coube a Paul Hartmann que, na opinião de Gründgens, era "o ator mais másculo do teatro alemão".
Ele próprio caracterizou Mefistófeles como anjo decadente, que fez uma aposta com Deus, mesmo sabendo que a perderia. Os críticos elogiaram a peça como "sensacional". Em 1943, em meio à Segunda Guerra Mundial, o teatro estava sem condições de continuar funcionando, e Gründgens alistou-se como voluntário no Exército alemão. Em 1947, tornou-se diretor do teatro de Düsseldorf, onde, dois anos mais tarde, dirigiu Fausto 1 e atuou no papel de Mefisto.
O período em Düsseldorf foi seguido, em 1955, pela era de Hamburgo, onde suas encenações do Fausto no Deutsches Schauspielhaus foram interpretações geniais de um drama mundial. Suas representações de Mefisto entraram para a história como o desempenho imbatível de um controvertido homem de teatro.
No Brasil, o nome de Gustaf Gründgens não é conhecido fora do meio artístico. Mas, como ele atuou também no cinema, aparece, pelo menos, nas sinopses de filmes antigos. É o caso de Matou / M (for Murder), filme de Fritz Lang, rodado em 1931.
 
Karl-Heinz Lummerich (gh)
 

12 junho 2011

1990: Rússia proclama soberania

 

No dia 12 de junho de 1990, a Rússia declarou sua independência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O Congresso dos Deputados do Povo aprovou a soberania, acelerando a derrocada da União Soviética.

 
Três meses após ter sido eleito presidente do Soviete Supremo, Boris Ieltsin conseguiu aprovar no Parlamento a declaração de soberania das instituições russas sobre as da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), o que acabou por esvaziar a autoridade de Mikhail Gorbatchov, então presidente da União. Foi dado assim, no dia 12 de junho de 1990, o primeiro passo oficial para a desintegração progressiva da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
A recém-adquirida soberania russa estimulou as reivindicações de autonomia das demais repúblicas, que deram início a uma série de negociações separatistas. Do Báltico ao Cáucaso, ouviam-se os ecos da liberdade. Reformas econômicas de grande porte eram planejadas por Moscou. O antigo regime da União Soviética tornava-se de repente parte da história. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas passava a ser apenas um verbete nas enciclopédias.
Nova nação sem mobilização nacional
Ao aprovar a soberania russa, o Parlamento não foi guiado por tendências nacionalistas. O regime comunista não foi derrubado por qualquer espécie de manifestação popular. Nenhum movimento ou organização reivindicou para si o mérito da emancipação política. A população russa não chegou a lutar por reformas através da mobilização nacional. A nova nação surgiu por vias burocráticas.
A revista Argumenti i fakty comentou assim a desintegração do sistema: "Nosso país chegou à última gota de esperança de uma mudança radical, pois a Rússia é a locomotiva de toda a União". E a locomotiva dava sinais de partida: as "nações periféricas", hostis ao antigo governo soviético, sinalizavam estar de acordo com seus novos destinos. Ao querer estabelecer relações individuais e diferenciadas com cada república da União, a cúpula do novo regime acabava por tornar realidade a descentralização do poder.
Muitas questões ficaram em aberto. Do que dependeria o futuro das demais nações soviéticas? Da boa vontade dos empregados aduaneiros e ferroviários, como queria crer parte do círculo do poder em Moscou? E que rumos tomaria o presidente da URSS, Mikhail Gorbatchov?
Em agosto de 1991, uma tentativa de golpe tentou reimplantar o sistema de linha dura do ex-governo soviético. A residência de férias de Gorbatchov foi cercada por militares, que planejavam forçar sua renúncia. Embora grotesco, o episódio selou o futuro da política russa. Boris Ieltsin, então presidente do Parlamento, assumiu a liderança antigolpista e saiu fortalecido do conflito.
Gorbatchov perdia gradualmente espaço para o populista Ieltsin. Em dezembro de 1991, o pai da Perestroica e da Glasnost acabou por renunciar. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas deixou de existir. Surgiram vários Estados independentes, originados das repúblicas autônomas, agregando as mais de cem etnias e nacionalidades que compunham a chamada União Soviética. Foi criada a Federação Russa, cuja presidência foi assumida por Ieltsin.
 
Doris Bulau (sv)
 

04 junho 2011

1882: Nasce o comediante bávaro Karl Valentin

CALENDÁRIO HISTÓRICO

 

Em 4 de junho de 1882 nascia o comediante bávaro Karl Valentin. Seu humor é uma espécie de antídoto contra a vida acidentada que teve durante duas guerras.

 
Não há tarefa mais árdua para um artista do que arrancar gargalhadas de um país que esteve seriamente envolvido nas duas grandes guerras mundiais do último século. Principalmente quando se trata de um humor que nada tem de escapista, nem tampouco apela para a típica perpetuação dos preconceitos de toda espécie.
 
Pois foi com um dom fora do comum e uma sensibilidade artística a toda prova que, em 4 de junho de 1882, nascia em Munique Valentin Ludwig Fey. Um homem que esteve muito à frente de seu tempo e que pagou caro – muito caro – por ter nascido numa época em que a brutalidade e o desespero davam o tom.
    
Determinação de pioneiro
 
Karl Valentin costuma ser comparado a Charlie Chaplin. A comparação é oportuna, mas requer aprofundamento. Chaplin foi muito mais bem-sucedido que o cabaretista e artesão multimídia alemão, conseguindo a proeza de conquistar corações e mentes nos quatro cantos do mundo com toda sua genialidade e humor tragicômico, mas Valentin foi o primeiro a realizar os seus próprios filmes mudos em 1912, dois anos antes do cativante vagabundo inglês.
 
Enquanto o autor de Luzes da Cidade (1931) atuava dentro da indústria cinematográfica mais poderosa do mundo – a norte-americana –, Karl Valentin teve que lutar muito para se impor dentro de seu próprio país, que estava mergulhado em uma profunda crise de identidade. 
 
Estátua de Karl Valentin, em um chafariz no centro de MuniqueEstátua de Karl Valentin, em um chafariz no centro de Munique
"Aqui em Munique ainda não foi encontrado nenhum ser humano que, na minha cidade natal, queira fazer filmes sonoros comigo", protestava Valentin, que iria amargar outras ingratidões de seus concidadãos bávaros.
 
A relação de Karl Valentin com a indústria de filmes sempre foi complicada. Ele não se conformava em ter que acatar as imposições do meio. O artista alemão chegaria a recusar vários convites de trabalho nos Estados Unidos por não querer se distanciar de Munique e por ter pânico de viagens longas. 
 
Em 1928, quando foi se apresentar no Kabarett der Komiker, em Berlim, com a peça Ensaio de Orquestra, o humorista chegou ao ponto de mandar imprimir nos cartazes da turnê: "Maior comediante trágico da Alemanha, Karl Valentin deixa Munique".
 
O teatro como ponto de partida
 
Karl Valentin escapou por pouco da morte por difteria, que levou dois irmãos dele ainda crianças. Aos 15 anos, foi aprender seu primeiro ofício, a marcenaria, que lhe seria útil posteriormente para a construção de cenários e adereços de suas peças teatrais.
 
Depois de aprender a tocar cítara, o rapaz de longas pernas e curiosa silhueta iria encarar as primeiras apresentações como comediante ao completar 17 anos. Mas o sucesso só chegaria em 1908, ao atuar no prestigiado palco do Frankfurter Hof, em Munique. Três anos depois, Valentin conheceria aquela que seria sua companheira de palco por 26 anos a fio, a atriz Elisabeth Wellano, mais conhecida como Liesl Karlstadt.
 
Em 1912, depois de montar um estúdio de pequenas proporções, o humorista rodaria seu primeiro filme mudo, O Casamento de Karl Valentin, que seria sucedido dois anos mais tarde por A Nova Escrivaninha.
 
Encarado como dadaísta ou como irreverente seguidor do surrealismo, Karl Valentin seguiu em rota de expansão, cunhando frases impagáveis que entrariam para a história: "tudo já foi dito, mas não por todos"; "antes, até o futuro era melhor"; "o ser humano é bom, as pessoas é que são ruins", ou ainda "toda coisa tem três lados – um positivo, um negativo e um estranho".
 
As guerras
 
Karl Valentin, antes de 1945 Karl Valentin, antes de 1945
A eclosão da Primeira Guerra Mundial não impediu que Karl Valentin fizesse sucesso nos palcos. O comediante escapou de prestar serviço militar por causa das fortes crises de asma que sofria e, de 1915 a 1921, foi a grande sensação dos cabarés de Munique. 
 
Com a chegada dos nazistas ao poder em 1933, o filme A Herança seria proibido, por questionar a propagada superioridade da raça ariana. Mas ele e sua companheira Liesl Karlstadt seguiram em frente, resolvendo abrir o Panoptikum, um espaço artístico no porão de um hotel da cidade. O projeto fracassou e levou os dois artistas à ruína financeira, provocando um colapso nervoso em Karlstadt, que chegou a tentar o suicídio. 
 
Ao terminar a Guerra, Karl Valentin não estava melhor que o país em que nasceu. Os discos gravados pelo humorista não eram mais tocados publicamente, e a série radiofônica que produzia para a emissora Bayerischer Rundfunk – sua única fonte de renda – foi retirada do ar por não agradar aos ouvintes, que discordavam da visão pessimista de seus textos.
 
Em 1948, aos 66 anos, Karl Valentin morreu em decorrência de uma pneumonia. Dois dias antes, ele havia passado a noite num camarim de uma casa noturna em Munique desprovida de calefação, em pleno inverno alemão.

 
Filipe Tadeu

07 maio 2011

1954: Queda de Dien Bien Phu

                                                                                      No dia 7 de maio de 1954, a guerra do Vietnã terminou para os franceses. Após oito semanas de sítio e fogo cerrado, as tropas francesas capitularam em Dien Bien Phu.

 
Após a fundação da União Indochinesa, no final do século 19, a França aproveitou os conflitos regionais e expandiu o seu domínio colonial a uma grande parte do Vietnã atual, ao reinado vizinho do Camboja e ao Laos. Porém, já na virada do século, aumentava entre a pequena elite cultural vietnamita a resistência contra a colonização sistemática.
 Nos primeiros 40 anos do século passado, os franceses ainda conseguiram controlar uma população de 18 milhões de pessoas. Quando, em novembro de 1940, uma rebelião dos comunistas foi reprimida de forma sangrenta no sul do Vietnã, fundou-se então a Liga para a Independência do Vietnã, conhecida como Viet Minh, com participação decisiva do líder revolucionário e posterior chefe de Estado Ho Chi Minh.
Da resistência ao conflito armado
Foi só uma questão de tempo, até que estourasse o conflito aberto entre a reivindicação de direito dos franceses sobre a "sua" colônia e a aspiração de independência do Viet Minh. Em novembro de 1946, quando tropas francesas bombardearam a cidade portuária de Haiphong, no norte do Vietnã, o Viet Minh começou a resistir com mão armada ao domínio colonial francês, em todo o país.
Apesar do apoio financeiro e logístico dado pelos EUA às tropas francesas, a partir do início de 1950 o Viet Minh já controlava cerca de dois terços do território vietnamita no final daquele ano. 
No começo de 1954, 12 mil soldados franceses de uma tropa de elite foram cercados na região montanhosa e isolada perto de Dien Bien Phu, no norte do Vietnã, pelas forças muito mais numerosas do Viet Minh. Apesar disso, o comandante-em-chefe francês Navarre acreditava que conseguiria vencer uma batalha decisiva.
Situação agrava-se 
Em março de 1954, quando o Viet Minh intensificou seus ataques e as tropas francesas só podiam ser abastecidas através de paraquedas, Paris e Washington se conscientizaram da crise. O presidente norte-americano Eisenhower e seu secretário de Estado não queriam aceitar a derrota dos franceses. Contudo, um ataque aéreo teria provocado uma intervenção chinesa.
O presidente Eisenhower ressaltou diante da imprensa internacional, em 7 de abril de 1954, a gravidade da situação e a importância da Indochina para o seu país. Nessa entrevista, ele denominou de teoria do dominó a avaliação política exterior do conflito com o comunismo, em vigor na estratégia governamental americana desde 1950.
Eisenhower almejava uma coalizão dos EUA, entre outros, com o Reino Unido, a França e a Austrália, a fim de defender o Vietnã e todo o Sudeste da Ásia contra o comunismo. Porém, tais planos não encontraram apoio. Ele rechaçou, por sua vez, uma ação unilateral dos americanos, assim como uma intervenção somente ao lado dos franceses. A seu ver, os Estados Unidos ficariam então muito identificados com a política colonial francesa aos olhos da opinião pública mundial.
Selou-se assim o destino das tropas francesas em Dien Bien Phu, cuja derrota foi anunciada em Washington, no dia 7 de maio de 1954, pelo secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles:
 "Há algumas horas, caiu Dien Bien Phu. Sua resistência de 57 dias entrará na história como um dos maiores atos de heroísmo de todos os tempos. Os franceses e as forças nacionais de defesa impingiram graves perdas ao inimigo. Os soldados franceses provaram que estão dispostos e aptos à luta, mesmo sob as piores condições. O Vietnã provou que tem soldados com a capacidade necessária para defender o seu país."
A queda de Dien Bien Phu marcou não apenas o fim do domínio colonial da França no norte do Vietnã, mas também o começo da retirada francesa de toda a Indochina.
Michael Kleff (am)
DW-World.DE

01 maio 2011

1979: Vaticano pune teólogo Hans Küng

No dia 18 de dezembro de 1979, a Congregação da Fé do Vaticano cassou a licença de lecionar do suíço Hans Küng. O teólogo arrebatou o ódio do Vaticano ao questionar a infalibilidade do Papa.

O então cardeal de Colônia, Joseph Höffner, havia convocado uma entrevista coletiva para a tarde de 18 de dezembro de 1979, sem anunciar o assunto. Pouco antes do encontro com os jornalistas, um emissário da embaixada do Vaticano entregou em Tübingen uma carta da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício). "O professor Hans Küng – declarou o cardeal Höffner – diverge da integridade da fé católica em seus escritos. Por isso, ele não pode ser considerado teólogo católico nem continuar lecionando como tal".

Era o desfecho de um conflito de dez anos entre Küng e o Vaticano. O teólogo suíço, radicado na Alemanha, foi proibido de lecionar teologia em nome da Igreja. "Acredito que o importante para um teólogo é expressar as preocupações e esperanças atuais do povo à luz do Evangelho. Assim ele também será levado a sério em Roma", disse Hans Küng, numa entrevista à Deutsche Welle em meados dos anos 1970, quando o conflito parecia ter se acalmado.

Nascido em 1928, em Sursee, no cantão de Lucerna, ele começou a questionar a doutrina da igreja depois de estudar em Roma. Ele duvidava que as antiquadas fórmulas de pregação católica ainda fossem assimiláveis pelo homem moderno.

Küng argumentava que os ensinamentos da Igreja deveriam ser formulados de maneira irrefutável, mas numa linguagem adequada a cada época. Ele criticou o dogma da infalibilidade do Papa, aprovado sob circunstâncias peculiares, no Concílio Vaticano 1º, em 1871.

Leonardo Boff, outra vítima

Já em 1957, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora da Inquisição, havia elaborado um Dossiê Küng, para analisar posições duvidosas de sua teologia. Apesar disso, o Papa João 23 convocou o teólogo (professor da Universidade de Tübingen a partir de 1960) para ser consultor oficial durante o Concílio Vaticano 2º, que pretendia modernizar a igreja. Logo após a conclusão do Concílio pelo Papa Paulo 6º, a Sagrada Congregação retomou o dossiê, abriu secretamente um processo para cassar a cátedra de Küng e tentou impedir a publicação de seus livros.

Küng queria, ao menos, que o processo fosse justo. Reivindicava o direito de ver os documentos e à assistência jurídica. "Um processo que não respeite esses direitos básicos é contra o Evangelho", disse. O teólogo, porém, não teve possibilidade de se defender em Roma e, pouco antes do Natal de 1979, o Vaticano lhe cassou, unilateralmente, a licença de lecionar.

Cinco anos depois, no dia 3 de setembro de 1984, o teólogo brasileiro Leonardo Boff, um dos teóricos da Teologia da Libertação, receberia punição semelhante, por criticar a estrutura da igreja no livro Igreja, Carisma e Poder.

Pela lei alemã, Küng não podia ser demitido como professor e foi transferido para a cadeira de Teologia Ecumênica na Universidade de Tübingen. Longe de ficar reduzido ao silêncio, prosseguiu sua tarefa esclarecedora, empreendendo dois grandes projetos: tratar da situação religiosa e de uma ética global.

Globalização requer ética mundial

Küng realizou estudos sobre as tradições cristã, judaica, islâmica, hinduísta e budista e publicou obras sobre a questão da ética mundial ("Weltethos"). "A globalização requer uma ética mundial que supere as linhas de conflito entre nações, povos e religiões. Se a globalização for apenas um instrumento para a maximização dos lucros, preparem-se para uma séria crise social", advertiu no Fórum Econômico Mundial de 1997, em Davos, na Suíça.

No livro Uma ética global para a política e economia mundiais (Editora Vozes, Petrópolis, 1998), Küng afirma que "uma nova ética mundial passa pela paz religiosa, sem a qual não haverá paz mundial, e esta exigirá interpretações mais humanas de leis sacras ultrapassadas e anti-humanistas, fundadas na intolerância e na mentira".

Outro livro de sua autoria foi Os grandes pensadores do cristianismo – Paulo de Tarso, Orígenes, Agostinho, Tomás de Aquino, Martinho Lutero, Friedrich Schleiermacher, Karl Barth, lançado em português pela Editorial Presença, de Lisboa, em 1999.

Hajo Goertz (gh)

09 abril 2011

1948: Massacre de Deir Yassin

Na madrugada de 9 de abril de 1948, 120 terroristas invadiram e ocuparam o povoado de Deir Yassin, a oeste de Jerusalém. Testemunhas oculares relataram que eles foram de casa em casa e abriram fogo contra seus moradores.

Quem visita Israel precisa procurar muito para encontrar vestígios de antigos povoados árabes. Em geral, tratam-se de ruínas. Na guerra de 1948, 400 povoados palestinos foram destruídos e seus moradores expulsos. Lugarejos que existem apenas em mapas antigos.

Cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, algo atualmente reconhecido por historiadores israelenses como um processo sistemático de banimento ou deportação.

Um dos símbolos deste processo foi Deir Yassin, uma localidade a oeste de Jerusalém. O vilarejo de 610 habitantes também serviu de refúgio para outras centenas de pessoas que tentavam escapar dos conflitos entre judeus e árabes. Como ficasse no território do futuro Estado Palestino, havia selado um acordo de boa vizinhança com os vizinhos judeus.

Fim do sonho de dois Estados

Em 29 de novembro de 1947, as Nações Unidas haviam decidido criar um Estado palestino e um israelense, sendo que Jerusalém seria internacionalizada. O Reino Unido anunciou a disposição de desistir de seu mandato sobre a Palestina. Mas o mundo árabe rejeitou a divisão. Também círculos nacionalistas radicais judeus não concordavam, por temer o avanço árabe.

À medida que se aproximava a data da retirada definitiva dos britânicos da Palestina, em 15 de maio de 1948, a situação ficou cada vez mais tensa e as manifestações se ampliaram, muitas vezes seguidas de conflitos armados.

Dois grupos judeus clandestinos arquitetaram um plano. O "Irgun", do posterior primeiro-ministro Menachem Begin, e o "Lehi": expulsar os palestinos que morassem no futuro território israelense.

O primeiro povoado escolhido foi Deir Yassin, invadido por 120 terroristas na madrugada de 9 de abril de 1948. Testemunhas oculares relatam que eles dispararam as armas imediatamente.

Às 11 horas da manhã, o lugarejo estava tomado. Os terroristas começaram a ir de casa em casa para assassinar seus moradores, fossem crianças, mulheres ou idosos. A maioria dos homens a esta altura já tinha fugido.

Somente à tarde, quando os moradores judeus ortodoxos começaram a retornar do trabalho e a contar que os demais habitantes sempre foram pacíficos, o massacre teve fim, 250 sobreviventes foram transportados de caminhão e descarregados no lado árabe de Jerusalém.

Deir Yassin simplesmente deixou de existir. Embora as lideranças do movimento clandestino judeu "Hagana" tenham condenado o massacre, nada aconteceu com os responsáveis.

Peter Philipp/rw

08 março 2011

1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha

Em 8 de março de 1933, Hitler aumentava a repressão ao Partido Comunista da Alemanha, cassando os mandatos de seus deputados. Dirigentes foram presos ou perseguidos e, uma semana depois, a agremiação foi proibida.

A tropa de assalto nazista marchou com suas tochas pelo Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, dia em que Hitler foi nomeado chanceler. Políticos conservadores não acreditavam que ele permanecesse por muito tempo no poder. Mas o homem do uniforme marrom estava obcecado pela conquista do mundo e começou amplas reformas na Alemanha.

Poucos dias deppois, no final de fevereiro, o Reichstag (sede do Parlamento) foi destruído por um incêndio, provavelmente um atentado de um anarquista isolado. Os nazistas aproveitaram a situação para impor uma série de medidas repressivas, alegando a "segurança da população".

O ministro Hermann Göring apresentou as novas medidas, voltadas principalmente contra os comunistas, considerados por Hitler mentores do atentado incendiário. A SA (tropa de assalto) começou a sequestrar, torturar, matar e confinar em campos de concentração o mais rápido possível todos os críticos ao regime.

Wilhelm Pieck, membro do Comitê Central, já havia advertido para o perigo nazista em 1932. Num apelo aos seus camaradas, sugeriu a movimentação em massa contra os fascistas e defendeu a aliança com a União Soviética.

Imposição da lei de plenos poderes

No dia 15 de março de 1933, o Partido Comunista Alemão (KPD) foi proibido. Cada vez mais comunistas foram presos, muitos continuaram tentando trabalhar na ilegalidade. O ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, prometeu que não deixaria a perseguição aos opositores apenas ao encargo da polícia.

Como o partido de Hitler havia obtido 44% dos votos nas eleições do começo de março e não possuísse maioria no Parlamento, no final do mesmo mês os nazistas impuseram a lei de plenos poderes. Por decreto, o regime garantiu para si poderes absolutos, proibindo partidos e sindicatos.

Goebbels estava satisfeito com a perseguição aos comunistas, eliminados nos campos de concentração. Seu ódio era tanto que não lhe bastava o desmantelamento da agremiação.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o movimento esquerdista reorganizou-se. Na Alemanha Oriental, comunistas e social-democratas criaram o Partido Socialista Unitário. Embora os líderes do partido considerassem esta união uma conseqüência natural do passado recente, milhares de social-democratas rejeitaram a aliança.

Na Alemanha Ocidental, o Partido Comunista foi refundado, mas o KPD voltou a ser proibido em 1956, pelo Tribunal Federal Constitucional. Seus juízes consideraram os ideais marxistas leninistas incompatíveis com os valores democráticos.

Gábor Halász (rw)

29 abril 2010

1968: "Hair" estreia na Broadway

No dia 29 de abril de 1968, "Hair" estreou em Nova York. Pela sua exaltação à cultura hippie, acabou se tornando símbolo de uma geração e modelo para o movimento de protesto contra o racismo e a Guerra no Vietnã.

O primeiro grande musical de rock e a música Aquarius correram o mundo no final da década de 60, depois da estreia de Hair no Biltmore Theater, da Broadway, em Nova York. A obra agradou especialmente à nova geração norte-americana, engajada em protestos contra a Guerra no Vietnã, pelo Black Power e o amor livre.

Pela primeira vez na história do teatro, os atores se atreveram a representar completamente nus no palco. A peça conclamava a orgias de sexo e drogas, temas chocantes para a Igreja e os políticos da época.

Mesmo assim, a ousadia da peça fez com que rapidamente fosse elogiada como brilhante pelos críticos. Clive Barnes, do New York Times, escreveu tratar-se "da primeira peça na Broadway que fala a linguagem contemporânea e não de antigamente".

Tom O'Horgan, diretor da peça, admitiu que "uma ideia destas só se tem uma vez na vida. Trata-se de uma obra cujos diálogos, a música, a dança, inclusive o título, tudo representa com detalhes um fenômeno social real."

Um musical sem enredo fixo

Hair foi concebida por dois atores desempregados: Gerome Ragni e James Rado queriam levar ao palco uma peça contemporânea que tratasse de experiências da vida real. Depois de muita procura, conseguiram engajar o compositor Galt MacDermott, que com quase 40 anos já era "velho" para a proposta do musical.

O enredo trata dos jovens George Bergere, Claude Berkowsky e seu grupo de amigos. George acaba de ser expulso da escola e Claude está prestes a iniciar o serviço militar. O peculiar da peça é que seu ator abdicou de um roteiro fixo. A cada apresentação, os diálogos entre os personagens eram livres e, consequentemente, diferentes.

Apesar de muitas censuras e proibições (principalmente no exterior), Hair foi um enorme sucesso de público, sendo apresentado 1.750 vezes no Biltmore Theatre, até 1º de julho de 1972. Em 1970, a banda Fifth Dimension ganhou o Grammy da melhor canção do ano com Aquarius (Let the Sunshine In), que compôs a trilha sonora do musical.

Peça mudou modo de pensar e moral

Em países como Alemanha, Israel, Suécia, França, Inglaterra, Austrália e Japão, foram levadas iniciativas próprias aos palcos. Anos mais tarde, alguns dos intérpretes se tornaram grandes estrelas, como Diane Keaton, nos Estados Unidos, e Donna Summer, na Alemanha. Depois, o musical ganhou as telas dos cinemas através de Milos Forman.

O musical deixou rastros em todo o mundo, conforme escreveu David Richards no New York Times, por ocasião dos 25 anos de estreia da peça: "Hair mudou o pensamento político e os valores morais. Mesmo assim, a Broadway nunca mais aceitou um musical de rock semelhante, até certo ponto devido à pressão dos conservadores. Hoje em dia, a expressão flower power é muito mais usada pelos floristas que por uma geração de protesto."

Os anos 60 marcaram a rebelião da juventude em vários aspectos. Era a vez dos jovens que, influenciados pelas ideias de liberdade, começavam a se opor à sociedade de consumo vigente. O movimento, que nos anos 50 vivia recluso em bares nos EUA, passou para as ruas nos anos 60 e influenciou novas mudanças de comportamento jovem, como a contracultura e o pacifismo do final da década.

Michael Kleff (rw)

18 abril 2010

1922: Congresso Internacional de Esperanto

Ludwig Lazarus Zamenhof inventou o idioma transnacional em 1887

No dia 18 de abril de 1922, representantes de 28 países participaram do Primeiro Congresso Internacional de Esperanto em Praga.

Três mil pessoas participaram do Universala Congreso em Praga, demonstrando o grande impulso que o esperanto teve logo depois da Primeira Guerra Mundial. Várias escolas começaram a ensinar a disciplina, milhares de pessoas frequentaram seus cursos. A repentina popularidade da língua, criada em 1887 pelo polonês Ludwig Lazarus Zamenhof, deveu-se à sua mensagem pacifista: a paz entre os povos só seria atingida se a humanidade conseguisse se comunicar sem problemas.

Esperanto seria mais fácil de aprender do que inglês ou francês, por só possuir 16 regras gramaticais e nenhuma exceção. Nada mais oportuno do que introduzi-lo num pós-guerra. Em Genebra, havia sido criada a Liga das Nações, que os esperantistas interpretaram como a grande oportunidade para introduzir um idioma universal num órgão internacional.

Só que, na própria Liga das Nações, a questão era vista com ceticismo. Em setembro de 1920, a assembleia geral debateu o assunto pela primeira vez. A votação para introduzir o esperanto nas escolas de todo o mundo fracassou devido ao veto da França, cujo idioma predominava tanto no mundo diplomático como cultural da época.

Versatilidade oratória

Uma pequena vitória dos esperantistas foi a participação do secretário-geral das Liga das Nações, o japonês Inazo Nitobe, no primeiro congresso internacional, em Praga. Nitobe manifestou-se surpreso com a versatilidade oratória da língua: "Ela parece permitir a manifestação de todos os tipos de sentimentos e pensamentos".

Graças a esta observação do secretário-geral, a Liga das Nações voltou a se ocupar com o esperanto numa segunda assembleia. Dessa vez, para avaliar a experiência com a nova língua nas escolas.

O Congresso de Esperanto em Praga, em 18 abril de 1922, reuniu representantes de escolas e governos de 28 nações. Ele confirmou a importância do idioma na aproximação dos povos, levando à reivindicação de que a Liga das Nações o tornasse a principal língua estrangeira nas escolas. O pedido voltou a ser rejeitado em Genebra, novamente com o veto da França.

Na Alemanha, o apelo chegou a ser seguido por 123 municípios, mas no geral a causa foi praticamente esquecida. Um ano mais tarde, uma comissão que se ocupara do assunto concluiu que seria mais produtivo as escolas lecionarem línguas vivas. Mesmo assim, certos esperantistas continuam alimentando o sonho de que, algum dia, seu idioma se torne a língua da diplomacia.

Klaus Dahmann (rw)

16 abril 2010

1922: Assinado o Tratado de Rapallo

Em 16 de abril de 1922, foi assinado o tratado entre a Alemanha e a União Soviética no balneário italiano Rapallo.


Na cidade portuária de Gênova, na Itália, realizou-se em 1922 uma conferência econômica internacional com participantes de 28 países europeus e representantes japoneses.

No imponente Palácio San Giorgio, eles pretendiam discutir os problemas econômicos da Europa. Pela primeira vez desde a Revolução Russa, uma delegação soviética fora convidada para o encontro.

Os enviados do Império Alemão chegaram a Gênova com grandes expectativas. Eles queriam tratar das reparações a serem pagas pela Alemanha após sua derrota na Primeira Guerra Mundial. O primeiro-ministro francês, Raymond Poincaré, resistia teimosamente a um acordo nessa questão.

Decisão desesperada

Passaram-se vários dias sem que se abordasse o assunto. Pressionados, o chanceler alemão, Joseph Wirth, e seu ministro das Relações Exteriores, Walter Rathenau, buscavam desesperadamente uma vitória no palco internacional. Nessa situação, voltaram-se a outra grande derrotada na guerra: a Rússia.

Na noite de 15 para 16 de abril, o diplomata alemão Adolf Georg Otto von Maltzahn e o líder da delegação russa, Georgi Tchitcherin, acertaram no balneário de Rapallo, nos arredores de Gênova, um acordo para a formação de uma aliança defensiva.

O Tratado de Rapallo foi assinado no dia seguinte por representantes dos dois governos. Berlim e Moscou comprometeram-se a renunciar a reivindicações financeiras mútuas, a estabelecer imediatamente relações diplomáticas e a buscar uma aproximação econômica.

Temor pelo isolamento da Alemanha

Na mesma noite, após a assinatura do tratado, Tchitcherin fez a seguinte a anotação em seu diário: "Rathenau veio a Rapallo com muita pressa para assinar o acordo, por temer que a Inglaterra chegasse a um entendimento conosco. Nos dias anteriores, eles nos perguntara, cautelosamente, a respeito de nossas conversações com Lloyd George. Aparentemente, temia um isolamento da Alemanha. Já o chanceler Joseph Wirth reconhecia instintivamente a importância de uma aliança conosco".

Para a União Soviética, a assinatura do tratado foi um grande êxito diplomático. Tratou-se do primeiro reconhecimento oficial do governo comunista. Para Tchitcherin, Rapallo era "um caso exemplar de relações entre dois Estados com sistemas econômicos diferentes. O tratado será útil para a economia dos dois países. Além disso, conquistamos a vantagem indiscutível de termos rompido a frente anticomunista aparentemente inabalável", constatou satisfeito.

Rathenau não tinha muitos motivos para festejar. Afinal de contas, até aquele momento a Alemanha sempre ressaltara sua orientação para o mundo ocidental. Mas, como os aliados não sinalizaram disposição em cooperar na questão das reparações, a Alemanha se viu obrigada a buscar apoio do Leste para fortalecer sua posição nas negociações.

Traição às potências ocidentais

Para o historiador Klaus Hildebrand, de Bonn, Rapallo representou "a cooperação de dois países desfavorecidos, que formaram um contrapeso para voltar à comunidade das nações. Isso teve continuidade com o tratado assinado com a União Soviética em abril de 1926, pelo ministro das Relações Exteriores Gustav Stresemann (1878-1929), e durou até 1934, quando Hitler, por assim dizer, inverteu os princípios da política externa alemã, opondo-se à URSS".

A notícia do acordo teuto-soviético teve o efeito de uma bomba na conferência de Gênova. As potências ocidentais sentiram-se preteridas e traídas pela aliança.

O primeiro-ministro britânico, Lloyd George, estava furioso e a delegação francesa ameaçava abandonar antecipadamente o encontro. A indignação geral só se acalmou quando foi revelado que o tratado não continha cláusulas secretas.

De insultos ao assassinato

Na Alemanha, o acordo de Rapallo também não conquistou popularidade, sendo rejeitado principalmente pelos nacionalistas e extremistas de direita. Rathenau era insultado publicamente como simpatizante do comunismo bolchevique.

No dia 24 de junho de 1922 (oito semanas após a assinatura do acordo em Rapallo), foi assassinado a tiros por dois radicais de direita, quando se dirigia ao Ministério das Relações Exteriores, em Berlim.

Anke Hagedorn (gh)

13 abril 2010

1945: Morre Franklin Delano Roosevelt

No dia 12 de abril de 1945, um derrame cerebral causou a morte de Franklin Delano Roosevelt, então presidente dos Estados Unidos.

Desde sua quarta reeleição, em 1944, Franklin Delano Roosevelt era um homem doente, sofrendo de hipertensão e sérios problemas cardíacos. Contudo, a notícia de sua morte paralisou a nação norte-americana, que enfrentava os últimos combates na Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos acabavam de perder o único homem que ocupou a presidência do país durante 12 anos.

Sucesso em época de crise econômica

Sua primeira vitória eleitoral fora em novembro de 1932, contra Herbert Hoover, então em exercício. A crise econômica mundial grassava, 14 milhões de norte-americanos estavam desempregados, centenas de milhares amargavam miséria.

Roosevelt agiu rapidamente. O New Deal (Novo acordo) englobava medidas como um programa de ocupação profissional, créditos a juros baixos e a implementação da seguridade social que existe até hoje. Esses esforços foram bem-sucedidos e recompensados com a esmagadora vitória de Roosevelt nas eleições presidenciais de 1936.

Atuação no cenário internacional

Agora o quadro era outro, pois a política norte-americana estava sob crescente influência dos acontecimentos na Europa. Os ditadores à frente da Alemanha e da Itália não eram exatamente amantes da paz. Roosevelt classificou a situação como uma epidemia de imoralidade e criminalidade, convocando a comunidade mundial para combatê-la.

Mas somente em 11 de dezembro de 1941, quatro dias após o ataque japonês em Pearl Harbour, veio a decisão de declarar guerra ao Japão, Alemanha e Itália. Ele atravessou quase quatro anos dessa guerra e as negociações sobre o futuro, porém não viveu o suficiente para vê-las tornarem-se realidade.

Do ponto de vista histórico, Roosevelt é uma personagem controvertida. Isso não impediu que durante muito tempo sua política continuasse sendo admirada. Quando presidente dos EUA, Bill Clinton evocou seu nome ao anunciar a reforma do sistema de saúde. Porém nenhum outro repetirá a façanha de ocupar quatro mandatos seguidos: desde a morte de Franklin Roosevelt, a lei limita em oito anos a permanência máxima do presidente norte-americano no cargo.

Jens Teschke (av)

11 abril 2010

1991: Armistício da Guerra do Golfo

No dia 11 de abril de 1991 era assinado o Tratado de Armistício da Guerra do Golfo Pérsico, após vitória militar dos aliados ocidentais. O conflito começara em agosto do ano anterior, quando o Iraque anexara o Kuwait.

As tropas de Saddam Hussein atravessaram a fronteira leste do Kuwait na madrugada de 2 de agosto de 1990. De um total superior a um milhão de combatentes a serviço do ditador, foram mais de 100 mil soldados a invadir o país vizinho.

A guerra contra o Irã, que terminara em 1988, consumira as divisas do Iraque, provenientes da venda de petróleo. Dívidas elevadas foram o resultado de oito anos de massacres e volumosas compras de armamentos. E os esforços de Saddam para aumentar os ganhos com a exportação do ouro negro precipitaram a crise do Golfo Pérsico.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) assegurou a estabilidade do preço do produto, limitando o volume de vendas. O Kuwait aumentou a sua quota em 20%, provocando uma queda de preços no mercado mundial. O Iraque perdeu um terço de seus lucros, e Saddam Hussein ameaçou abertamente o governo kuwaitiano, lembrando que aquele país pertencera ao Iraque, até a divisão pelos ingleses em 1928.

Anexação

Como Washington não dera garantias de segurança explícitas ao Kuwait, Hussein sentiu-se encorajado, na certeza da não intervenção dos Estados Unidos.

O Iraque anexou o país vizinho em 8 de agosto de 1990, declarando-o sua 19ª província. No dia seguinte, o então presidente norte-americano, George Bush, anunciou o envio de tropas para a Arábia Saudita. No final de novembro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou os aliados ocidentais a empregar todos os meios para forçar a retirada de Saddam, caso esta não se efetuasse até 15 de janeiro do ano seguinte.

O prazo se esgotou: 580 mil combatentes aliados estavam frente a frente com os 540 mil soldados de Saddam Hussein. Em 17 de janeiro, acompanhada por um aparato midiático sem precedentes, iniciou-se a operação Desert Storm (Tempestade do deserto), com bombardeios aéreos sobre o Iraque e o Kuwait ocupado.

Embora a propaganda do Estado-Maior norte-americano louvasse a "precisão absoluta" das intervenções, os números desmentem essa pretensão: 88.500 toneladas de bombas foram lançadas sobre o Golfo Pérsico, sete vezes e meia mais do que em Hiroshima. Um massacre cego, que custou entre 150 mil e 200 mil vidas e toda a infraestrutura dos locais atingidos.

Ofensiva decisiva

Porém, o golpe decisivo foi a mobilização das tropas de infantaria aliadas, em 24 de fevereiro. Em apenas três dias, as forças de Saddam Hussein estavam vencidas, dezenas de milhares entregaram-se espontaneamente.

Bush anunciou pela TV: "O Kuwait foi libertado, o Exército iraquiano foi derrotado, alcançamos nossos objetivos militares". Em seguida, foram suspensos os combates até a assinatura do tratado de armistício, em 11 de abril..

Doris Bulau (av)

10 abril 2010

1241: Os mongóis na Europa

A 10 de abril de 1241, as tropas mongóis derrotaram o exército do rei húngaro Belá e chegaram às portas da região do Danúbio e da Dalmácia.

Após a morte de Gengis Khan, em 1227, seus sucessores concluíram a conquista do norte da China. No ano de 1240, destruíram Kiev, na atual Ucrânia, e avançaram em direção à Hungria. A Europa, entretanto, foi poupada de outras batalhas sangrentas.

O mês de abril de 1241 foi o apogeu das investidas mongóis no Ocidente. No dia 9, durante a batalha de Lignitz, na região da Silésia (Polônia), eles não só derrotaram as tropas teuto-polonesas, como também mataram seu comandante, Henrique 2º, liquidando, com ele, o sonho de um grande império silesiano.

No dia seguinte, derrotaram o exército do rei húngaro Belá, ficando às portas do Danúbio e da Dalmácia. Mas como se explica que um povo considerado bárbaro e selvagem, vindo do interior da Ásia, fosse capaz de tais façanhas militares?

Um de seus segredos eram os cavalos pequenos, fortes e ágeis, que não necessitavam de ferradura para escalar encostas rochosas e se satisfaziam com pouco alimento.

Outro motivo para o êxito militar dos mongóis foi sua organização, cercada de logística. Eles viviam em grupos muito unidos chamados de ordu, nosso equivalente a tribo ou clã. O chefe de um ordu era escolhido por seus méritos militares, mas o "berço" às vezes influenciava. Mais tarde, os europeus traduziram a palavra ordu para horda, que caracterizava as incursões da cavalaria mongol.

Esforços militares coordenados

Os meninos a partir dos 14 anos eram iniciados nas artes da guerra, num rigoroso treinamento diário; principalmente no manejo do arco e das rédeas simultaneamente. Embora sua estrutura não fosse clara para os ocidentais, as hordas de guerreiros que devastavam cidades inteiras obedeciam a uma hierarquia.

Divididos em centenas ou até milhares de combatentes, as missões destes grupos eram claramente definidas e controladas. Os soldados tinham à disposição uma malha de postos de suprimento, onde sempre havia cavalos descansados e alimentos à disposição.

Esses postos ou estações se estendiam por milhares de quilômetros, sendo abastecidos a partir da capital mongol, Caracórum. Apesar de operarem em ordus separados, os Khans trabalhavam num esforço militar coordenado.

Morte de Ogdai

Tendo conquistado a Polônia, os exércitos dos Khans se juntaram para tomar a Hungria, na época "portal da Europa". No dia 11 de abril, depois de um combate violento, o exército do rei Belá foi exterminado e a Hungria ocupada. O próximo país na linha de conquista era a Áustria. Em 1242, os cavaleiros mongóis estavam às portas de Viena, quando os guerreiros foram chamados para Caracórum.

O soberano Ogdai havia falecido na Mongólia e os príncipes e líderes militares foram convocados à capital para a eleição do novo Khan. Este preferiu concentrar suas conquistas no Oriente e no sul da China. Mesmo sem terem tomado a Europa Ocidental, os mongóis mantiveram seu poderoso império até serem destronados pela dinastia chinesa Ming, em 1368.

Doris Götting (rw)
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