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17 maio 2010

Renato Russo em três takes


A vida e a obra de Renato Russo (1960 - 1996) inspiram três filmes que deverão chegar aos cinemas a partir de 2011. Um é Somos Tão Jovens, o já aguardado longa de Antonio Carlos Fontoura. Inicialmente intitulado Religião Urbana, será filmado ainda neste ano.

O roteiro foca a vida do cantor em Brasília, no período em que idealizou a banda Legião Urbana, após a implosão do grupo Aborto Elétrico. O ator Thiago Mendonça vai encarnar o cantor nas telas, enquanto Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá serão interpretados pelos respectivos filhos dos músicos.

Faroeste Caboclo

Também em fase de pré-produção, Faroeste Caboclo é uma ficção, com direção de René Sampaio, inspirada na letra da música homônima.

A letra narra, em 159 versos que não se repetem, a saga do traficante João de Santo Cristo.

Eduardo e Mônica

Nos mesmos moldes, Denise Bandeira, uma das poucas pessoas que tinham acesso à intimidade do cantor, pretende dirigir um filme baseado na canção Eduardo e Mônica, de 1986. Esse foi um dos maiores hits do Legião Urbana.

(BR Press)

25 abril 2010

Renato Russo: o trovador de uma geração

Os filósofos Bertrand Russell, Rousseau e o pintor primitivista Henri Rousseau inspiraram o sobrenome artístico do líder da legião Urbana: Renato Manfredini Jr – o Renato Russo -, que teria completado 50 anos há poucos dias. Leitor compulsivo, cinéfilo, letrista e vocalista da banda que comoveu e sacudiu o imaginário de uma extensa geração de fãs. O trovador solitário, como ficou conhecido, tem diploma de eternidade no dicionário do rock nacional. Para mim, ainda impossível esquecer a efervescência musical daquele período.

Faroeste caboclo, 1988: aqueles 159 versos, nove minutos de duração, tocava diariamente, várias vezes, nas rádios de Brasília. Não raro, até crianças balbuciavam aquela canção assustadoramente imprevisível, densa, arrebatadora. No transporte coletivo, nos bares, nas praças, na televisão, Faroeste caboclo tornou-se uma espécie de hino urbano na boca da multidão.

O tumultuado show no Mané Garrincha foi um episódio sintomático da tensa relação do público com seu ídolo, já em estado de mito. De ingresso na mão, ansiedade à flor do vento, pois afinal seria o primeiro espetáculo daquela magnitude que eu veria na capital do concreto. Ao adentrar o estádio, logo vi a multidão agitada, sedenta pelos primeiros acordes febricitantes da Legião e os versos voando da boca mítica do ídolo. Com atraso, a banda entrou em cena; não demorou muito a primeira agressão ao Renato, e em seguida a desordem instalou-se para frustrar com o que prometida ser uma noite inesquecível pela beleza musical e poética. No dia seguinte, os jornais nos davam a dimensão do estrago provocado por ‘fãs’ ensandecidos.

Ficou o desejo de ouvir, ao vivo, canções como: “Vamos celebrar a estupidez humana/ A estupidez de todas as nações/ O meu país e sua corja de assassinos/ Covardes, estupradores e ladrões...” ou “Viajamos sete léguas/ Por entre abismos e florestas/ Por Deus, nunca me vi tão só/ É a própria fé o que destrói/ Estes são dias desleais...” ou ainda Geração coca-cola, e tantas e tantas outras.

Há três anos, para mitigar um pouco a lembrança daquele tempo, vi um show do Dado Villa-Lobos, ex-guitarrista da Legião, no auditório de uma livraria carioca. Além de faixas da carreira solo, Dado lembrou do amigo trovador e apresentou canções que fizeram juntos - o público cantou em coro. De quebra, Paula Toller estava lá e soltou a voz com o parceiro de confraria.

Renato Russo, um artista talhado em sensibilidade política e social, Quixote do Planalto Central, refinada ironia, inteligência em metáforas definitivas, plantou raízes na memória da discografia brasileira. Seus fãs ainda merecem uma biografia mais alentada, além dos expressivos trabalhos dos jornalistas Arthur Dapieve e Carlos Marcelo. Nestes tempos de glossolalia ‘musical’, entre espanto e desespero auditivo, oportuno ouvir o trovador que sempre autografava com aquela irrenunciável expressão “Força sempre!”.

Publicada em 14/04/2010

Artigo
Opinião - Renato Russo: o trovador de uma geração, por Paulo Aires Marinho

28 março 2010

Confira entrevista completa com Fernanda Takai sobre Renato Russo

Lúcio Flávio
Publicação: 27/03/2010 11:09

Como foi trabalhar nesse projeto?

Fiquei feliz pelo convite para cantar justamente a faixa inédita que foi descoberta no ano passado. Assim com a família do Renato, as pessoas envolvidas na produção sabiam da forma carinhosa como ele se referia à nossa banda. Quando gravei minha voz queria que soasse bem próxima da dele, um dueto realmente, mesmo que separado por tanto tempo e pela ausência física do Renato. Então desenhei uma segunda voz que nos une em alguns momentos.

Como foi a escolha da música, que abre o disco?

Digamos que a música me escolheu... O fato de ela abrir o disco é muito importante pois vai ser a primeira impressão que todos terão. Gostei muito da canção. Me lembrava mais da versão em português, no entanto. Acho que ela em inglês de certa forma faz-se referência a influências da música de fora que o Renato ouvia bastante e eu também.

O que vc acho do resultado?

Não recebi o disco inteiro ainda, só ouvi a minha faixa. Acho que conseguimos passar aquilo que tínhamos em mente: um reencontro feliz com a voz do Renato. Tudo o que eu queria era que as pessoas ouvissem a música e tivessem uma sensação boa... leve, no fim. Fiquei realmente tocada ao ouvir a versão final mixada.

Uma das bandas preferida do Renato era o Pato Fu. Como era a relação de vocês?

A gente não se encontrou muito, mas sempre ele falava da gente de uma forma muito bacana. Havia uma empatia grande mas por morarmos em Beagá e ele no Rio ficava difícil a gente se ver. Não tinha nem internet naquela época.

Na sua opinião qual é a importância do Renato para o rock brasileiro e como ele faz falta?

Além de um grande artista criador, compositor de canções incríveis, era uma das mais belas vozes da nossa música. O Renato era muito espirituoso, gostava de música de uma forma apaixonada, mas acho que a família que convivia mais com ele é que sofreu a maior perda. Nunca dá pra diminuir a saudade de um filho, irmão ou pai que se foi.


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