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17 fevereiro 2013

Eu leio Brasil. E você?


Eu leio Brasil


A literatura nacional pede socorro.
O que está acontecendo é que as obras brasileiras não estão recebendo o trato que merecem. Basta entrar em qualquer livraria para perceber a diferença de tratamento. Em destaque, apenas as obras que vêm de fora. Nas listas dos mais vendidos, nomes estrangeiros pipocam e somente de vez em quando surge uma Paula ou um Eduardo para diversificar.
Os marketings das grandes editoras apontam todos os seus canhões para 50 tons de estrangeirismo, enquanto o verde e amarelo fica ofuscado sob o cinza.
Ora, não podemos esquecer que para cá já vêm os best-sellers, testados e retestados no exterior, que já passaram por uma pesada campanha de publicidade.
Mas os daqui ficam relegados a segundo plano, sem que os leitores sequer tenham o direito de escolher se vão comprar ou não. A dinâmica é clara: o consumidor comum entra em uma livraria procurando uma capa que lhe chame atenção, ou uma história que se destaque no meio das outras. Impossível que um livro escondido no meio da prateleira ganhe a parada. Isso, quando pelo menos fica em um canto escondido na livraria, pois na maioria das vezes os títulos nacionais nem chegam às estantes das grandes redes.
Por isso, criei este manifesto. Longe de mim pedir para que as pessoas só leiam os nacionais. Adoro Marians, Sophias e Stephanies e quero muito continuar a lê-las. Mas quero chegar no shopping e ter o direito de escolha entre elas e as Vanessas, Lucianes, Leilas e Carinas. Ah, e Janainas também!
*Precisamos reunir 10.000 assinaturas para mandar este manifesto para a mídia. Vamos fazer o nosso barulho!


Vi esta postagem no blog Livros e Marshmallows e aderi correndo. E vocês?

14 agosto 2012

Uma página da história


São raras as vezes em que determinada geração tem a oportunidade de vivenciar a história sendo feita. O julgamento dos 38 réus do mensalão, que começa na próxima quinta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, é um desses episódios com força para atrasar ou acelerar, dependendo de sua qualidade, os processos históricos da evolução política no Brasil. A história de um país e de um povo é feita de fatos. É sobre eles que os historiadores se debruçam na tentativa de encontrar um fio condutor que os ligue em uma sequência lógica cujo somatório é o que chamamos de nação.
O mensalão foi um fato. Foi um gigantesco arranjo partidário, financeiro, empresarial em que parte das elites governantes do Brasil no primeiro mandato de Lula se pôs de acordo sobre o uso de dinheiro de diversas origens, quase todas elas espúrias, para comprar ou manter o apoio ao Palácio do Planalto de parlamentares e partidos tradicionalmente mercenários.
Inédito? Não. Mas nunca se tinha tentado uma operação daquela envergadura com a instalação no coração do mundo político de um mecanismo de mercado negro de consciências em troca de dinheiro. Políticos iam e vinha de agências bancárias para receber quantias em dinheiro vivo; os mais destemidos assinavam recibos ou pediam à mulher para fazê-lo; os de nervos fracos

inventavam despesas falsas de consultores, agências de propaganda ou assessores de imprensa. Quem não tinha tanta iniciativa podia contar com os serviços financeiros do esquema, que fornecia recibos assinados por secretárias, motoristas, laranjas arrumados às pressas. A capital do país foi tomada por um furor argentário que o então deputado Roberto Jefferson, figura-chave no desmantelamento do mensalão, descreveu com sua voz de barítono: "ratos magros!".
VEJA foi o órgão de imprensa que primeiro revelou o arranjo, com a divulgação de um vídeo em que o diretor dos Correios embolsava um maço de cédulas como propina. O diretor era ligado a Jefferson, que, para não cair sozinho, relatou a extensão dos crimes de repasse de dinheiro a parlamentares e chamou pela primeira vez o processo de mensalão. Sete anos depois, desbaratada a "quadrilha", nas palavras de Antonio Fernando de Souza, o então procurador-geral da República, o STF começa a julgar responsabilidades. O que está em jogo não é apenas o destino das 38 pessoas acusadas. O que está em jogo é que página da história nossa geração escreveu neste começo do século XXI - uma página que pode nos envergonhar ou da qual nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.
VEJA, edição 2280, 1º de Agosto de 2012

01 maio 2011

Rubem Fonseca fez 85 anos com sucessos na literatura e cinema


11 de maio de 2010 • 

    Rubem Fonseca completa 85 anos: relembre momentos marcantes de sua carreira

O escritor mineiro Rubem Fonseca completa nesta terça-feira (11/05/10) 85 anos, sendo considerado um dos maiores cronistas da literatura brasileira, muitas vezes comparado a Machado de Assis. Advogado por formação, sua primeira profissão foi como policial, o que o levou a estudar nos Estados Unidos. Ele cursou Administração de Empresas no país entre 1953 e 1954 e começou a trabalhar na Light, companhia de energia elétrica. Só publicou seus primeiros contos em 1963, no livro Os Prisioneiros.

Em 1975, lançou Feliz Ano Novo, um dos clássicos da literatura brasileira contemporânea. O livro, também de contos, foi recolhido em todo o país, por ter "matéria contrária à moral e aos bons costumes". O conto que empresta o nome ao livro fala de um grupo que invade a festa de réveillon de uma casa rica de forma violenta, culminando com o assassinato dos donos da mansão. Mais do que uma história violenta, o conto aborda de forma crua as diferenças sociais entre a classe média burguesa e a periferia. Além da violência urbana, suas obras também tratam frequentemente de luxúria.
Rubem Fonseca não fica restrito à literatura. Outra de suas obras, o livro Agosto, deu origem à minissérie da TV Globo, exibida em 1993. Para o cinema, o escritor já recebeu prêmios pelos roteiros de Relatório de um Homem Casado (1974), dirigido por Flávio Tambellini; Stelinha (1990), de Miguel Faria Jr.; e A Grande Arte, de Walter Salles Jr. O romance policial Bufo & Spallanzani também, foi transposto para tela. Além dos prêmios de cinema, o escritor tem 5 prêmios Jabuti.
Rubem também criou o personagem Mandrake, que foi protagonista de vários de seus contos. Em 2005, Mandrake ganhou uma série no canal HBO, roteirizada e dirigida pelo filho de Rubem Fonseca, José Henrique Fonseca. O escritor sempre foi um homem reservado, conhecido pela aversão a aparições na mídia. Foi casado com Théa Fonseca, de quem é viúvo e com quem teve três filhos.
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