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12 outubro 2015

As siamesas

As Irmãs Hilton, as siamesas britânicas devoradoras de homens


As Irmãs Hilton
Esta é a história das irmãs Hilton, mas não da Paris nem da Nicky Hilton, senão de outras irmãs que foram igualmente belas e famosas no século passado. Chamavam-se Violet e Daisy, nasceram em 5 de fevereiro de 1908 em Brighton, Inglaterra. Eram siamesas unidas pela cintura e a pelvis, ainda que não compartilhavam órgãos vitais.


As Irmãs Hilton




Sua mãe, uma camareira solteira que chamava Kate Skinner, vendeu-as imediatamente a sua patroa, Mary Hilton, de quem as meninas tomaram o nome.

A senhora Hilton sempre viu nas meninas uma fonte inesgotável de rendimentos, para isso ainda muito jovens tiveram aulas de dança, canto, piano, clarinete, saxofone e violino. Violet e Daisy deviam dirigir-se a ela como "Tia Lou", e a seus sucessivos maridos como "senhor".

A Tia Lou sempre manteve as meninas em cativeiro, salvo para suas apresentações públicas -começaram a se apresentar aos três anos de idade-.
 
As Irmãs Hilton
As Irmãs Hilton
 


As siamesas eram um grande negócio. Moviam-se com leveza no palco e eram ademais bastante bonitas. Converteram-se em uma mina de ouro.

A partir dos 17 anos, Violet e Daisy foram levadas aos EUA e exploradas intensamente por Mary Hilton nas feiras. Ela nunca deixava as moças sozinhas ou que conversassem com alguém e não poupava dinheiro para evitar que escapassem.
Quando Tia Lou morreu, elas ficaram como "herança" para a sua filha Edith que seguiu explorando e controlando qualquer movimento suspeito de fuga das moças.

Naquela época proliferavam as bandas de jazz, de modo que as jovens foram novamente ter aulas de saxofone. Certo dia, numa destas aulas, fingiram que estavam indispostas e conseguiram escapar com o pouco dinheiro que tinham conseguido esconder e se apresentaram no escritório de um advogado, que ao ver que eram maiores de idade, tomou a defesa das jovens. Foi um caso muito célebre que a imprensa seguiu muito de perto.
Ao fim, aos 23 anos, Violet e Daisy estavam livres. Organizaram seu próprio espetáculo e se tornaram personagens muito populares dos EUA.

Em 1932, o diretor Tod Browning contratou as moças para seu filme Freaks, hoje um clássico, mas que naquela época causou controvérsia. Você pode ver o filme na íntegra neste tópico.
Os anos 30 foram sua época mais gloriosa. As siamesas, com um tremendo bom humor, converteram seu problema físico no cartaz de sua carreira. Daisy tingiu o cabelo de loiro com o argumento de "para que não me confundam com minha irmã".

Violet era democrata e Daisy republicana. Qualquer assunto que rendesse publicidade gratuita para o espetáculo era bem vindo. A imprensa calculava que as siamesas ganhavam em torno de 5 mil dólares por semana, um valor enorme para essa época.
Mas o que mais curiosidade causava era sua vida sentimental. Ainda que aparentemente Daisy e Violet tinham uma relação excelente, circulavam muitos rumores sobre uma suposta rivalidade entre elas, diziam que eram umas devoradoras de homens. O fato de que compartilhassem parte do sistema nervoso -e, por tanto, pudessem sentir o mesmo- aumentava ainda mais a curiosidade mórbida.
Em 1934, Violet anunciou seu casamento com Maurice Lambert. O sonho de casar-se, não obstante, quase virou fumaça. Ao solicitar a licença para o casamento encontraram dificuldades em todos os estados que visitavam porque indicavam que, devido a sua especial compleição física, não iriam lhes conceder as licenças por considerar ditos casais indecorosos e contrários aos bons costumes. Por fim, obtiveram uma licença no Texas e se casaram. A relação durou exatas sete semanas
A experiência matrimonial de Daisy foi ainda mais breve. Diferente da irmã, conseguiu a permissão do estado de Nova York para se casar, e em 1941 se casou com o bailarino Buddy Sawyer. A união terminou 10 dias depois.

A partir daí, a fama e o interesse pelas siamesas começou a decair, mas elas tinham recursos de sobra. No final dos anos 40 abriram uma lanchonete em Miami chamada Irmãs Hilton. Quando o negócio faliu, Hollywood chegou em seu resgate.
Em 1950 protagonizaram seu segundo filme, "Encadeadas pela vida", a história de duas siamesas que se apaixonam pelo mesmo homem. Quando uma se casa com ele, a outra o mata. A trama do filme gira em torno de como prender a assassina sem que a inocente também seja castigada. No entanto foi um fracasso de bilheteria e as pessoas não tardaram a esquecer das Hilton
Mas com sua astúcia as siamesas arranjaram para ser famosas novamente. Voltaram a percorrer o país e até participaram na campanha eleitoral de 1960: Violet apoiando a Kennedy e Daisy a Nixon
Estes foram seus últimos momentos de fama, o público se esqueceu delas e ao final terminaram como atendentes em uma loja de Charlotte, Carolina do Norte. Depois de vários dias de ausência ao trabalho, encontraram-nas mortas em sua casa em 4 de janeiro de 1969. A autópsia concluiu que tinham falecido com a famosa "Gripe de Hong Kong", que foi outra pandemia que se propagou pelo mundo naqueles anos.
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As Irmãs Hilton As Irmãs Hilton

As Irmãs Hilton  As Irmãs Hilton

              
As Irmãs Hilton

Fonte: http://www.mdig.com.br/

Ver também:  A Man and A Mouse

09 outubro 2015

Virou disco

A curiosa história de Frank Lentini, o homem de três pernas

por em

A pequena cidade de Rosolini, localizada na região italiana da Sicília, ficou chocada com o nascimento do bebê Frank Lentini, no dia 18 de maio de 1881. O menino, décimo terceiro filho de um casal que já tinha cinco meninos e sete meninas, havia nascido com uma grande anormalidade. Tinha três pernas, quatro pés (o quarto pé não era visível, pois estava posicionado atrás da terceira perna) e dois orgãos genitais. De acordo com os médicos que o examinaram na época, a causa da má formação física era incomum. Frank deveria ter nascido acompanhado de dois irmãos gêmeos, mas, por um capricho da natureza, veio ao mundo sozinho.

Preocupados com a situação, os pais do menino decidiram consultar os médicos sobre a possibilidade de remoção dos membros extras. Ouviram como resposta que alguns deles estavam ligados diretamente à espinha dorsal. Ou seja, retirá-los poderia deixar o garoto paralítico. Como solução, o casal decidiu enviar o filho a um internato especializado em crianças com deficiência. Segundo Frank, viver no local mudou sua vida. “Até então, eu era uma criança triste e vivia reclamando da minha deficiência”, afirmava. ” Quando cheguei lá, vi crianças cegas, surdas, mudas, com problemas maiores do que os meus”. Frank superou as limitações físicas e aprendeu a andar, correr e até mesmo a cavalgar.
Mas o destino de Frank estava longe da Itália. Aos 18 anos, embarcou com a família rumo aos Estados Unidos, onde começou a sonhar com a carreira de artista de circo. A princípio, teve seu sonho frustrado por causa de seu pai, que queria vê-lo formado em algum curso tradicional. O rapaz conseguiu driblar a proibição paterna e arrumou emprego no Ringling Brothers Circus, com o nome artístico de “O Grande Lentini”. Posteriormente, graças ao seu ótimo desempenho nos palcos e já com a cidadania americana, foi contratado pelos espetáculos Barnum and Bailey e Buffalo Bill. Em toda a trajetória no mundo circense, o maior sucesso de Frank foi o espetáculo em que controlava uma bola de futebol com as três pernas e depois a chutava em direção ao outro lado do palco.

Se eram a razão do sucesso de Frank, as três pernas também eram motivo de grande lamentação da vida do artista. “Cada perna minha tem um tamanho”, dizia. “Logo, mesmo com três pernas, nenhuma delas forma um par”. Além disso, o artista também ouvia frequentemente questionamentos de como fazia para comprar sapatos. Frank comprava dois pares e dava o calçado adicional de presente a um amigo seu que havia perdido uma das pernas em um acidente.
O fato de ser diferente não o impediu de levar uma vida normal. Teve quatro filhos com Theresa Murray, com quem foi casado até o dia de sua morte, em 22 de setembro de 1966. Mesmo depois de morto, Frank ainda receberia uma singela homenagem. Em 1995, uma foto sua ilustrou a contracapa do álbum “Alice in Chains”, produzido pela banda homônima.


05 outubro 2015

Josephine Myrtle Corbin: conheça a história da mulher com quatro pernas


Se a vida já não fosse complicada o suficiente como ela é, imagine só os problemas que você enfrentaria se tivesse nascido com o mesmo problema da moça da foto acima. O nome dela é Josephene Myrtle Corbin, e se tornou famosa por ter nascido com uma anomalia rara conhecida como síndrome da duplicação caudal, devido à qual a moça contava com quatro pernas.

A síndrome da duplicação caudal ocorre quando, em algum momento do desenvolvimento de uma gravidez de gêmeos, os óvulos fecundados não se separaram completamente, e acabam crescendo unidos a partir de uma fase específica da gestação. Assim, não se trata de um caso de gêmeo parasita, mas de um bebê dípigo, ou seja, com o corpo totalmente duplicado da cintura para baixo.

Aberração rentável
Josephene nasceu em 1868 no condado de Lincoln no Tennessee, nos EUA, e da cintura para baixo contava com tudo em dobro, como duas pélvis, dois aparelhos reprodutores e excretores completos e independentes, além de dois pares de pernas, compostos por duas de tamanho normal e outras duas menores. Apesar de tantos membros e de todos serem móveis e ativos, apenas uma das pernas de Josephene era completamente funcional.

A pobre moça logo se transformou em celebridade, viajando por todo o país para se apresentar em feiras e espetáculos como uma aberração. No entanto, aos 14 anos de idade Josephene conseguiu um contrato para ganhar US$ 250 por semana — uma quantia equivalente a cerca de R$ 550, algo extraordinário para a época — para trabalhar em um circo.

Após alguns anos, Josephene se cansou das apresentações e acabou se aposentando, casando-se depois de algum tempo com um o médico Clinton Bicknell, com quem ela teve vários filhos. Com os filhos já crescidos, a “Mulher com Quatro Pernas” voltou a se apresentar em Nova York, recebendo um salário de US$ 450 semanais (ou quase R$ 1 mil), e faleceu em 1928, aos 60 anos de idade.

Josephine com o marido e uma das filhas.
Josephine com o marido e uma das filhas

Fonte:http://www.olhardireto.com.br

MYRTLE CORBIN, LA CHICA DE 4 PIERNAS  

17 maio 2015

Vamos Colorir?

Estou entrando no clima de colorir para combater o stress.


Algumas editoras estão lançando alguns livros no estilo de Jardim Secreto e Floresta Encantada.

A Livraria da Folha está com alguns lançamentos e vários temas.
 Doodle, a InvasãoDoodle, a Invasão-Livro de Colorir do Zifflin - Antiestresse - Ilustrações de Kerby Rosanes- R$29,90-Editora: Pandorga

Parem as máquinas! Os livros de colorir para adultos invadiram o mundo e, pelo visto, é para ficar. E é bem no meio desse mar em preto e branco de desenhos celtas, florestas encantadas, flores e mandalas que Doodle, a invasão vai aterrissar e revolucionar o universo da aquarela e do lápis de cor.
Tudo isso graças a genialidade do ilustrador filipino Kerby Rosanes, elogiado internacionalmente por seu trabalho cool e inovador que agora chega, literalmente, às suas mãos na forma deste incrível livro de colorir.
Aproveite cada momento. O mundo nunca mais será o mesmo; os Doodles acabam de invadir a sua vida.

Gatos: O Livro de ColorirGatos: O Livro de Colorir- Mariorie Sarnat- R$ 22,00-Editora: Galera Record

O livro perfeito para quem ama colorir e é louco por gatos! Com ilustrações criadas especialmente para os entusiastas de felinos, Gatos: O livro de colorir tem estampas ricas em detalhes e é repleto de possibilidades artísticas. Uma válvula de escape para um mundo repleto de corações, motivos floridos, diferentes texturas e, é claro, gatinhos. É só escolher seu local da casa e suas cores favoritas, e esquecer os problemas que tiram seu sono. Aqui não há regras: siga sua imaginação! Relaxe, inspire-se com os bichanos e crie um deslumbrante universo!

 

Amor em Todas as Cores   Amor em Todas as Cores-Catarina Lopes, W.Tierno-  R$ 29,00-Editora: Best Seller
O amor pode ser reconhecido e presenteado de várias formas. Com chocolates, joias, viagens... Ou com todas as cores. Dê formas e cores ao seu amor com cinquenta imagens que representam esse sentimento sublime nos mais diversos traços.
Demonstre seu sentimento através de diferentes ilustrações. Para amores novos e antigos, profundos e arrebatadores, serenos e doces. Amores que, com muito ou pouco tempo, ainda são capazes de descobrir novas formas de amar e celebrar.
Para cada ilustração há um poema especialmente escolhido para revelar a magia que envolve esse sentimento tão conhecido e ao mesmo tempo tão difícil de explicar. Surpreenda seu amor com todas as cores, de uma forma original e terapêutica.


O Livro Anti-Insônia: Para Colorir E RelaxarO Livro Anti-Insônia: Para Colorir E Relaxar-R$ 29,90-Editora: L&PM Editores
 Liberte sua mente de toda e qualquer preocupação e elimine a insônia com maravilhosos desenhos para colorir Dê asas ao artista que existe em você e acabe com sua ansiedade.
Colorir estes belíssimos e serenos desenhos vai ajudá-lo a esquecer as inquietações do dia a dia e concentrar-se no relaxamento.
Diga adeus ao estresse e prepare-se para uma boa noite de sono.

O Pequeno Príncipe Para ColorirO Pequeno Príncipe Para Colorir-Arteterapia Para Combater o Estresse e Estimular a Imaginação-Maxx Figueiredo-R$ 29,90-Editora: Universo dos Livros

Um dos livros mais lidos em todo o mundo, O Pequeno Príncipe foi traduzido para mais de 220 línguas e aparece entre os maiores clássicos da literatura, tendo vendido mais de 8 milhões de exemplares somente no Brasil. Há, inclusive, a previsão do lançamento de uma adaptação da obra para o cinema ainda em 2015.
E então, já pensou em ter o seu próprio Pequeno Príncipe para pintar? Agora você pode! Inspirados pela obra clássica de Antoine de SaintExupéry, trazemos um conjunto de lindas ilustrações que vão transportálo ao mundo maravilhoso do principezinho e sua visita à Terra.

Vindo de um longínquo e compacto planeta, o Pequeno Príncipe é um célebre símbolo de simplicidade e sabedoria. Por isso, selecionamos algumas de suas frases para ilustrar os desenhos no decorrer do livro, além de termos escondido algumas figuras, cuja busca colabora para o estímulo da concentração. Encontre tranquilidade enquanto pinta os elementos desta incrível viagem!

 Esses são apenas alguns livrinhos para aliviar o nosso stress.

 

 

23 junho 2013

Brasileiros no exterior apoiam manifestantes do Brasil

Em diversas cidades do mundo aconteceram protestos em solidariedade às manifestações que pedem mudanças no Brasil. Os atos são organizados por brasileiros que vivem no exterior e convocados pelo Facebook.
Em praticamente todos os cantos do mundo aconteceram, nestes últimos dias, manifestações em solidariedade aos protestos que acontecem no Brasil. Assim como no Brasil, os manifestantes no exterior – a maioria, brasileiros – defendem mudanças no país, incluindo um melhor combate à corrupção e mais investimentos em saúde e educação.
Na Alemanha, o maior protesto aconteceu neste sábado (22/06) na cidade de Colônia, a quarta maior do país e onde mora uma das maiores comunidades de brasileiros na Alemanha. A manifestação aconteceu em frente à Catedral da cidade renana e transcorreu sem incidentes.
Gabriela Zopolato, uma das organizadoras do ato, diz que o protesto reuniu brasileiros e estrangeiros interessados em demonstrar solidariedade aos manifestantes no Brasil.
"Queremos incentivar as pessoas a irem às ruas, a se manifestarem. Não nos posicionamos contra nenhum governo, mas entendemos que é o povo quem precisa fazer a política", afirmou a estudante de engenharia mecânica na Universidade de Duisburg-Essen.
Colônia teve a maior manifestação na Alemanha
Hamburgo
Na nesta terça-feira, protesto semelhante havia acontecido em Hamburgo, maior cidade do norte do país. Algumas dezenas de pessoas – aproximadamente 250, pelos cálculos dos organizadores – reuniram-se em frente à estação central de metrô da cidade.
Assim como os demais, o protesto de Hamburgo foi convocado pelo Facebook. A belo-horizontina Liz Cunha, de 22 anos, foi uma das organizadoras da manifestação. Há três anos e meio em Hamburgo, a mineira diz que teve a ideia após ler sobre a repercussão dos protestos em outras cidades da Europa. Ela afirmou estar "muito emocionada e muito orgulhosa" com os protestos em seu país natal.
A paulistana Lúcia Zanforlin Trede, de 30 anos, veio para a manifestação acompanhada dos pais e da filha pequena, de alguns meses. "Eu estou aqui para afirmar, para mostrar que o brasileiro quer mudar o Brasil, independentemente de morarmos lá ou aqui."
"Eu fico feliz por o povo brasileiro ter acordado, por estar se manifestando contra todas essas coisas que têm de mudar para o país ir para a frente", afirmou a engenheira química, que mora há nove anos em Hamburgo.
Primeiro protesto aconteceu em Berlim
Berlim
O primeiro protesto de brasileiros na Alemanha aconteceu em Berlim, no domingo passado. A passeata contou com a participação de mais de 250 pessoas, segundo a polícia, e criticou principalmente a violência policial em São Paulo e os gastos com a realização de grandes eventos esportivos no Brasil.
"Essa marcha é para mostrar para os alemães, para as pessoas que moram aqui e também para a mídia que está acontecendo algo no Brasil e que o país precisa ser olhado com atenção", disse Juliana Doraciotto, organizadora da manifestação em Berlim, à DW Brasil. A profissional de marketing se inspirou nos movimentos de apoio às manifestações turcas que estão sendo realizados na capital alemã.
Também em Bremen, Hannover e Frankfurt aconteceram protestos organizados por brasileiros no exterior.
Cidade da Praia
Cerca de 30 brasileiros saíram neste domingo às ruas na Cidade da Praia, em Cabo Verde, para se manifestarem pacificamente com cartazes e entoando o Hino Nacional, em apoio aos protestos que ocorrem nos diversos Estados brasileiros desde o início deste mês.
A manifestação foi organizada pelo Movimento Acorda Brasil em Cabo Verde, formado por um grupo de brasileiros residentes e que surgiu no Facebook. O objetivo é "dar uma força" aos compatriotas que estão organizando os protestos em várias cidades brasileiras.
Manifestações de solidariedade semelhantes aconteceram em várias cidades do mundo, entre elas Londres, Paris, Cidade do México, São Francisco, Boston, Dublin, Toronto, Buenos Aires, Lisboa, Porto e até na praça Taksim, na Turquia.

Fonte: Deutsche Welle
AS/dw/lusa

22 maio 2013

22 de maio- Dia do Abraço

Texto de Laura Martins
Fonte: Bem Forte

Só quem já deu ou recebeu um sincero abraço sabe o quanto este gesto, aparentemente simples, consegue dizer.
Abraços são dados de muitas formas e com diferentes significados.
Há abraços que dizem: "Fico muito contente com a sua amizade..."

Existem abraços que expressam o orgulho que se sente por alguém especial!
Também há abraços que dizem: "Não existe ninguém no mundo igual a você..."

Há abraços doces e ternos que são dados em momentos de tristeza...
Com um abraço também podemos dizer: " Sinto muito", quando alguém está passando por um momento difícil...

Há abraços que damos, para dizer: "Que bom que você veio", e outros que dizem: "Sentirei sua falta quando você estiver longe de mim..."
E não faltam esses abraços perfeitos para fazer as pazes, pedir perdão, dizer " eu te amo", mostrar sentimentos de saudade e carinho em despedidas emocionadas.

Como se vê, existem abraços para diferentes ocasiões; abraços rápidos e abraços demorados, um para cada momento e por uma determinada razão.
O abraço é um excelente tônico, que diminui a depressão e revigora o sistema imunológico. O abraço injeta nova vida nos corpos cansados e fatigados, e a pessoa abraçada sente-se mais jovem e vibrante. O abraço é um santo remédio sem contraindicação, e não há maneira de dá-lo sem ganhá-lo de volta.
"Abraço é saudável, revigora, rejuvenesce e não tem efeitos colaterais. É absolutamente natural, orgânico, não poluente, não contém ingredientes artificiais, é ambientalmente correto e 100% integral. Abraço é o presente ideal. Excelente para qualquer ocasião, bom para dar e receber, vem em embalagem própria e, certamente, é totalmente restituível. Dispensa pilhas e prestações mensais, é à prova de fogo, de roubo e isento de impostos. Abraço é um recurso, pouco explorado, de poderes mágicos.

Quando abrimos o coração e os braços, estimulamos outros a fazerem o mesmo. Pense nas pessoas de sua vida. Quer dizer alguma palavra a elas? Quer abraçar alguma delas? Está esperando que alguma delas dê o primeiro abraço? Não espere mais! Comece!

Doe seu abraço apertado para alguém, e receba imediatamente a volta deste ato carinhoso. Um abraço que diga: "Você está sempre no meu pensamento porque eu te quero muito bem".
Fonte: Mensagens e Poemas/ Charles Faraone

Retalhos no Mundo

17 fevereiro 2013

Semana do Livro Nacional




Diante da constatação de que poucas editoras – dá para contar em uma mão – investem no lançamento de autores e obras de anônimos, uma ação impactante se faz necessária.
Mas, por que elas não investem? Lançar um novo autor exige um pesado investimento e o risco é muito alto em comparação com os livros de fora que já são um grande sucesso.
Falou-se muito sobre motivos. Que livros nacionais não vendem, que há pouca publicidade, que leitores tem preconceito de nacionais e não compram. Tudo bem. Mas, diante de tudo isso, o que pode ser feito?
Um grupo de autores, juntamente com blogueiros, editoras e livrarias, está organizando uma semana a fim de promover somente obras nacionais. Dessa forma, os leitores terão maior informação, acesso e conhecimento sobre as obras modernas que são lançadas em vários cantos do nosso Brasil.
A primeira edição da Semana do Livro Nacional ocorrerá entre 20 e 28 de julho deste ano e contará com eventos, publicidade, palestras, bate-papo com autor e muito mais. Os idealizadores pretendem realizá-la anualmente, cada vez com mais apoiadores.
Seja um leitor que tem o privilégio de se encontrar pessoalmente com autores e ter um livro autografado. Para tornar-se um apoiador acesse a página do projeto e se inscreva.

Twitter: @SemanaDoLivroBr

Mais um movimento nacional, vamos lá? Já tem o meu apoio.
Alguns blogs que apoiam:

Academia Alquimia | Alegria de Viver e Amar o que é Bom | Apaixonada por Livros | As Palavras Fugiram | Attraverso le Pagine | Clube Jovens Escritores | Doce Encanto | Drafts da Nica | Éden Saga | Fulana Leitora | Hangover at 16 | Irmandade Literária | Leitor Cabuloso | Ler e Pensar | Let It Shine | Livro, Filme e Cia. | Literatura de Cabeça | Literatura Br | Mell Books | Meus Livros, Meu Mundo | Murmúrio Pessoais | Mania de Ler | Nathi e seus Livros | Over Shock | Pausa para um café | Prazer, me Chamo Livro | Quarto de Garota | Sangue com Amor | Sweet Pimenta | Viaje na Leitura | 

20 de Julho
Ribeirão Preto
- Bate-Papo com autores no Clube do Livro da Livraria Paraler

27 de Julho

Rio de Janeiro
- Palestra com Janaina Rico sobre "Eu Leio Brasil" e Bate-Papo com Autores

São Paulo
- Palestra com Selène D'Aquitaine sobre "Literatura Nacional" no auditório da Livraria Martins Fontes da Av. Paulista e Bate-Papo com Autores no auditório da Livraria Martins Fontes da Av. Paulista

Eu leio Brasil. E você?


Eu leio Brasil


A literatura nacional pede socorro.
O que está acontecendo é que as obras brasileiras não estão recebendo o trato que merecem. Basta entrar em qualquer livraria para perceber a diferença de tratamento. Em destaque, apenas as obras que vêm de fora. Nas listas dos mais vendidos, nomes estrangeiros pipocam e somente de vez em quando surge uma Paula ou um Eduardo para diversificar.
Os marketings das grandes editoras apontam todos os seus canhões para 50 tons de estrangeirismo, enquanto o verde e amarelo fica ofuscado sob o cinza.
Ora, não podemos esquecer que para cá já vêm os best-sellers, testados e retestados no exterior, que já passaram por uma pesada campanha de publicidade.
Mas os daqui ficam relegados a segundo plano, sem que os leitores sequer tenham o direito de escolher se vão comprar ou não. A dinâmica é clara: o consumidor comum entra em uma livraria procurando uma capa que lhe chame atenção, ou uma história que se destaque no meio das outras. Impossível que um livro escondido no meio da prateleira ganhe a parada. Isso, quando pelo menos fica em um canto escondido na livraria, pois na maioria das vezes os títulos nacionais nem chegam às estantes das grandes redes.
Por isso, criei este manifesto. Longe de mim pedir para que as pessoas só leiam os nacionais. Adoro Marians, Sophias e Stephanies e quero muito continuar a lê-las. Mas quero chegar no shopping e ter o direito de escolha entre elas e as Vanessas, Lucianes, Leilas e Carinas. Ah, e Janainas também!
*Precisamos reunir 10.000 assinaturas para mandar este manifesto para a mídia. Vamos fazer o nosso barulho!


Vi esta postagem no blog Livros e Marshmallows e aderi correndo. E vocês?

03 fevereiro 2013

Títulos considerados indignos de leitura. Será?


21/01/2013 - 20h30

Conheça títulos considerados indignos de leitura por autoridades

da Livraria da Folha
Ditadores e fanáticos religiosos são os inimigos históricos dos livros. Queimar exemplares em praça pública, tentar bani-los ou condenar um autor à morte não é lá grande novidade. Estranho é quando um Estado democrático passa a coibir a sua comercialização. Parece que Luiz Felipe Pondé tem razão: "politicamente correto é censura fascista".
Divulgação
No Brasil, mais de 900 mil livros foram comercializados em 80 dias
Trilogia erótica entra para a lista de "proibidões da literatura"
A apreensão de livros eróticos em Macaé (RJ) foi a mais recente de uma série. Lá, a Justiça do Rio de Janeiro do município, com ordem expedida pelo juiz Raphael Baddini de Queiroz Campos, retirou títulos considerados obscenos de duas livrarias.
O episódio, que ocorreu na segunda-feira passada (14), retirou e lacrou 64 exemplares. "Cinquenta Tons de Cinza", "Algemas de Seda", "50 Versões de Amor e Prazer" e "A Dama da Internet" estão entre os mais recentes "proibidões da literatura".
Em breve, andar pelas ruas com um livro de Dalton Trevisan ou deNelson Rodrigues pode acabar na delegacia.
No final de novembro do ano passado, a deputada distrital Celina Leão (PSD) encaminhou o pedido de suspensão da venda de "O Livro Maldito" à Procuradoria-Geral da República. A edição foi publicada no Brasil em 2011.
Divulgação
Autor promete contar tudo o que você precisa saber se não for uma mané
Autor se fundamenta no nonsense para criar a cartilha do crime
Escrito pelo publicitário norte-americano Christopher Lee Barish, o texto é inspirado em "Grand Theft Auto" (GTA), um game no qual o protagonista se envolve em diversas atividades criminosas. Barish explica como produzir um filme pornô, abrir cofres, fazer ligação direta em carros e assaltar bancos.
Fora do Brasil, a Comissão Coreana de Ética Editorial proibiu a venda e ordenou a destruição dos exemplares de "Os 120 Dias de Sodoma", escrito por marques de Sade no século 18 e publicado recentemente na Coreia do Sul.
O clássico apresenta linguagem mais obscena e descrições de atos sexuais mais polêmicos que os presentes na trilogia erótica"Cinquenta Tons de Cinza". Considerado a obra-prima do marquês, o texto foi dado como perdido e publicado apenas no início do século 20. O romance inspirou "Salò" (1975), filme de Pier Paolo Pasolini (1922-1975).

Fonte: Folha de São Paulo
O Livro Maldito
Em "O Livro Maldito", Christopher Lee Barish ensina o passo a passo da maldade. Em curtos capítulos muitíssimo bem-humorados, o autor dá um passa fora no politicamente correto para instruir com perícia como proceder de maneira a sair ileso das mais variadas falcatruas --desde mentir ao polígrafo a ter a sua própria plantação de maconha.
Inspirado no game de sucesso Grand Theft Auto (GTA), o livro se baseia no nonsense para levar a frente o projeto de uma cartilha de ilicitudes, todas elas ilustradas por Christian Kunze para que ninguém confunda as temidas técnicas de maldade.
Publicado no Brasil pela editora Best Seller em 2011, a venda de "O Livro Maldito" pode ser proibida no Brasil.
Deputados em Brasília querem esse "manual do crime", que ainda é vendido livremente, fora das prateleiras. A deputada distrital Celina Leão (PSD) encaminhou o pedido de suspensão da venda à Procuradoria-Geral da República.


14 agosto 2012

Uma página da história


São raras as vezes em que determinada geração tem a oportunidade de vivenciar a história sendo feita. O julgamento dos 38 réus do mensalão, que começa na próxima quinta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, é um desses episódios com força para atrasar ou acelerar, dependendo de sua qualidade, os processos históricos da evolução política no Brasil. A história de um país e de um povo é feita de fatos. É sobre eles que os historiadores se debruçam na tentativa de encontrar um fio condutor que os ligue em uma sequência lógica cujo somatório é o que chamamos de nação.
O mensalão foi um fato. Foi um gigantesco arranjo partidário, financeiro, empresarial em que parte das elites governantes do Brasil no primeiro mandato de Lula se pôs de acordo sobre o uso de dinheiro de diversas origens, quase todas elas espúrias, para comprar ou manter o apoio ao Palácio do Planalto de parlamentares e partidos tradicionalmente mercenários.
Inédito? Não. Mas nunca se tinha tentado uma operação daquela envergadura com a instalação no coração do mundo político de um mecanismo de mercado negro de consciências em troca de dinheiro. Políticos iam e vinha de agências bancárias para receber quantias em dinheiro vivo; os mais destemidos assinavam recibos ou pediam à mulher para fazê-lo; os de nervos fracos

inventavam despesas falsas de consultores, agências de propaganda ou assessores de imprensa. Quem não tinha tanta iniciativa podia contar com os serviços financeiros do esquema, que fornecia recibos assinados por secretárias, motoristas, laranjas arrumados às pressas. A capital do país foi tomada por um furor argentário que o então deputado Roberto Jefferson, figura-chave no desmantelamento do mensalão, descreveu com sua voz de barítono: "ratos magros!".
VEJA foi o órgão de imprensa que primeiro revelou o arranjo, com a divulgação de um vídeo em que o diretor dos Correios embolsava um maço de cédulas como propina. O diretor era ligado a Jefferson, que, para não cair sozinho, relatou a extensão dos crimes de repasse de dinheiro a parlamentares e chamou pela primeira vez o processo de mensalão. Sete anos depois, desbaratada a "quadrilha", nas palavras de Antonio Fernando de Souza, o então procurador-geral da República, o STF começa a julgar responsabilidades. O que está em jogo não é apenas o destino das 38 pessoas acusadas. O que está em jogo é que página da história nossa geração escreveu neste começo do século XXI - uma página que pode nos envergonhar ou da qual nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.
VEJA, edição 2280, 1º de Agosto de 2012

20 julho 2012

Uma família de três pais: na Califórnia, é possível

No filme “A Razão do Meu Afeto”, de 1998, Jennifer Aniston vive uma assistente social nova-iorquina insatisfeita com o seu relacionamento. Quando ela descobre que está grávida, decide imediatamente romper com Vince, seu namorado, e pedir ajuda ao melhor amigo gay, George, para criar o bebê. A partir daí, muitas coisas acontecem, todas dignas de uma comédia romântica. Nina (Jennifer) se apaixona pelo amigo gay, Vince insiste em se casar, George conhece outro homem e vai ser feliz com ele, Nina se apaixona por um policial e se casa com ele. Quando a criança nasce, não tem apenas um pai e uma mãe dispostos a cuidar dela. Uma das cenas mais bonitas de “A Razão do Meu Afeto” é a final, quando a pequena Molly, então com 6 anos, se apresenta na escola. Ela diz para a mãe: “eu fui a aluna com mais pessoas da família assistindo ao show!”.
A trama, baseada no romance “The object of my afection”, de 1987, escrito por Stephen McCauley, abria o diálogo para algo que, hoje, já virou realidade: as novas famílias. Arranjos como o sugerido na história existem e estão saindo de Hollywood para chegar às leis. Na Califórnia, o senador Mark Leno propôs uma lei que acaba com o limite de dois pais por cada criança. O texto não diz que qualquer um pode ser pai de quem quiser, apenas permite que mais pessoas postulem legalmente o papel que já exercem no dia a dia. Já na segunda instância de votação, a nova lei prevê situações como:
1) Uma mãe se separa do primeiro marido e volta a se casar. O ex-casal e o novo maridoparticipam da formação da criança, com direitos e deveres estabelecidos pelo juiz.
2) Um casal de lésbicas pede ajuda a um amigo próximo para engravidar. Os três participam na criação da criança, com direitos e deveres estabelecidos pelo juiz.
3)  Uma grávida se casa com um homem que não o pai biológico do bebê. Os três participam da formação da criança, com direitos e deveres estabelecidos pelo juiz.
Assim como Leno, que é um dos primeiros políticos assumidamente gays a atuar nos Estados Unidos, entendo que a nova lei dá mais amparo a crianças que, naturalmente, vivem em famílias de novos formatos.
E você, o que pensa?


Fonte:Marie Claire

24 março 2012

O mito do jovem que não lê


Não é raro perceber, ao se conversar com um educador, o quanto a falta de apego dos jovens aos livros tradicionais é causa de preocupação. E, no entanto, não é falta de proximidade com textos que causa esse abismo


Por Janaina M. Cerutti


Quantas vezes já não ouvimos falar que os jovens já não possuem mais tanto apego aos livros quanto tinham em outras épocas, ou então vemos educadores praguejando contra a relutância desses mesmos jovens em se aprofundar em formas de leitura? A cada vez que isso acontece, o pensamento coletivo sempre parece se voltar para o fato de que "os jovens não leem".

Entretanto, tal percepção não poderia estar mais longe da verdade - na era em que para as mais simples pesquisas se recorre ao Google ou à Wikipedia e ferramentas semelhantes, o que os jovens mais fazem é, de fato, ler. A forma de comunicação usada na era digital se baseia fortemente na palavra escrita mais do que na falada, e apesar de a imagem e o vídeo serem grande parte dessas novas mídias, a sua verdadeira força se encontra na palavra escrita, e na leitura desta pelos jovens usuários.


O que é certamente mais benéfico nesse tipo de estratégia de busca e formação de leitores é o fato de que o próprio jovem leitor não é, de maneira nenhuma, subestimado. Enquanto adaptações de obras buscam simplificar os entendimentos que devem ser tidos ao longo dos livros mais difíceis, esses livros citados como exemplos apenas indicam o caminho, fazendo com que a vontade e o desejo de ler parta do próprio jovem em formação como leitor, mas sem jamais supor que ele precisa de algo mais simplório para chegar até lá. A capacidade de interpretação e entendimento do jovem deve ser estimulada a crescer, e jamais podada por meio de simplificações grosseiras, que, a um olhar mais profundo, longe de trazerem o leitor para mais perto do livro, o afastam com a mensagem de que este talvez seja, de fato, difícil demais para ele, e fora do alcance da sua capacidade de compreensão.
O ENTENDIMENTO DOS CLÁSSICOS

Outro grande problema que professores encontram em sala de aula quando se trata de ler livros clássicos é a identificação do período do livro na obra escrita em si. É muito simples, para um aluno, absorver características de determinados períodos literários em uma lista citada em um livro ou apostila, mas a dificuldade mais comum é que esses alunos percebam do que, na prática, tais características tratam, e qual a maneira que elas se manifestam em livros da época tratada.

A não realização dessa percepção - de que as características listadas no quadro e decoradas para a prova têm uma manifestação física no livro que eles devem ler - dificulta não apenas o aprendizado de literatura, mas também o entendimento do livro como um instrumento para se aproximar e entender melhor o período em questão. Fazer com que o aluno entenda que o livro é mais do que algumas centenas de páginas sobre as quais ele terá que apresentar um trabalho ou responder a algumas questões, mas que este é, na verdade, a verdadeira essência de tudo o que ele aprendeu em sala de aula a respeito desse período.

Para facilitar esse entendimento, alguns professores acreditam que seja mais simples - e menos indolor - simplesmente apontar as características dentro do livro, fazendo com que a leitura deste se torne praticamente uma caça ao tesouro, onde o aluno busca trechos específicos para saciar as questões que o professor lançou. Uma tática nada funcional a longo prazo, já que, como as adaptações de clássicos fazem, ela já passa a mensagem ao aluno de que ele não conseguiria entender os traços de período sem a ajuda do professor. A ideia que acaba se eternizando na cabeça dos jovens é de que a literatura clássica não é para ele algo acessível, que é distante e difícil demais para seu entendimento, não restando aí nem mesmo a chance de que o aluno deseje se envolver com a literatura que está estudando propriamente dita.

Para auxiliar esse entendimento, é possível traçar paralelos entre livros contemporâneos e populares entre os jovens com os livros clássicos que são o objetivo de todo professor de literatura. Guardadas as proporções, e desde que os alunos percebam que apenas por terem alguns traços tais livros não se tornam automaticamente clássicos, ou mesmo boa literatura, não há nada de errado com recomendar, por exemplo, a leitura da saga Crepúsculo para que os alunos percebam os traços do Romantismo nela presentes, ou que se cite Percy Jackson como referência de uma saga de um herói grego ao se apresentarem poemas épicos.

A ideia base de estratégias de leitura que funcionam é que, po meio do mais simples, se chegue a um quadro de evolução do leitor: que ele consiga perceber traços românticos em Crepúsculo, e passe dele para autores renomados, como Aluísio de Azevedo, percebendo as semelhanças, mas, mais importante, as diferenças, como a profundidade da narrativa e a beleza das palavras escritas em si. O estímulo à literatura leva não apenas ao conhecimento necessário para passar de ano e no vestibular (o que, todos bem sabemos, é o desejo último de grande parte dos alunos), mas à capacidade de compreensão e interpretação de texto; o benefício é mais extenso do que aparente.


Álvares de Azevedo

Escritor da segunda geração romântica, conhecida como Ultrarromântica ou Byronista, Álvares de Azevedo faleceu pouco depois do lançamento de Lira dos vinte anos. Marcante em sua geração, foi muito influenciado por Lord Byron, Goethe e François-René de Chateaubriand. Sua obra literária foi toda, é claro, composta durante a adolescência, de modo que a tragicidade e a ansiedade típicas do Romantismo ficam acentuadas em sua poesia.

A HISTÓRIA NA FORMAÇÃO DO LEITOR DE LITERATURA

No caso específico de literatura clássica, ambientada em sala de aula, e com a realização de tal leitura já voltada para a absorção de características do período sendo presentemente estudado, outro grande aliado que é muitas vezes menosprezado ou esquecido é a ambientação histórica do período literário em questão, e a relação da vida cotidiana dos leitores daquela época com o que a obra que deve ser lida retrata de fato.

A ambientação histórica é parte, é claro, do que os professores costumam passar antecedendo a leitura de um clássico, mas muito pouco dela é absorvido pelo aluno, principalmente pela discrepância entre as matérias sendo vistas nas disciplinas de Literatura e História do Brasil em sala de aula. Caso o professor consiga fazer com que seu aluno veja a literatura do período aliada à história dele - os traços de estilo, a maneira como a sociedade via a literatura durante a sua época contemporânea, o impacto social que os autores causavam durante a sua vida - a literatura clássica deixa de ser apenas algo vago, e passa a tomar contornos de manifestação cultural presente e passível de conferência. Ao mostrar para o aluno que, ao ler São Bernardo, de Graciliano Ramos, ele pode perceber traços dos movimentos políticos da época ali expostos, ainda que de forma mais velada ou controversa, que ele pode perceber por meio da estória um pouco da história, a literatura ganha novos contornos, e os clássicos, um novo interesse aos olhos do jovem.

"Meramente expor características do livro dificulta não apenas o aprendizado da literatura, mas também o entendimento do livro como um instrumento para se aproximar e entender melhor o período em questão"

A busca pela interdisciplinaridade entre determinadas matérias é, certamente, muito difícil em determinados casos; mas, no caso específico da literatura e da história, elas devem andar de mãos dadas em todos os casos, como apoio de uma e reflexo social da outra, já que são, indubitavelmente, duas faces de uma mesma moeda, complementares em si, e facilitadoras da compreensão da fase histórica e período literário para o aluno quando unidas como uma só.A realidade é que, como educadores e formadores de leitores futuros, a preocupação não deve ser dirigida ao ato da leitura em si - este já é praticado e utilizado amplamente -, mas sim ao que o jovem está, de fato, consumindo em termos de literatura e o quanto isso pode, ou mesmo precisa, ser alterado.


O grande desafio dos professores de literatura e língua portuguesa em escolas já não é mais fazer com que os alunos leiam: os jovens, na verdade, leem, e muito - mas não o que os professores chamam de literatura "clássica", ou o que esperam.



RECURSOS EM LIVROS PARA LIVROS

Adolescentes e pré-adolescentes leem textos na internet, assim como livros atuais e com assuntos mais variados e vocabulário mais acessível do que clássicos da literatura brasileira, como Macunaíma ou Memórias Póstumas de Brás Cubas apresentam. Os livros, blogs e editoriais que possuem, de fato, um apelo maior para os jovens apresentam encantos que os livros clássicos já não têm, e muitos classificam estes últimos como sendo chatos e difíceis, mesmo antes de sequer tentar entender do que se tratam os problemas de Bentinho, ou qual é a verdadeira saga de Peri e Ceci. Remédio para isso há - e muitos -, mas é necessário haver um trabalho maior em escolas e ambientes que estimulem 59a leitura do que simplesmente longas palestras sobre escritores antigos e obscuros, que parecem tirar o encanto que os livros ainda utilizados em escolas, um dia, já possuíram.

Algumas editoras já perceberam este nicho no mercado - a necessidade de se suprir os jovens com literatura interessante e nova, mas que ainda assim trace um caminho que leve aos clássicos requeridos em todos os vestibulares, sem que esta transição seja dolorosa para o jovem. Um caso a ser apreciado é o da editora Atica, que lançou, já há alguns anos, uma coleção de livros chamada Descobrindo os Clássicos. Com um nome assim, certamente se pensa em uma coleção de adaptações dos livros já tão batidos - mas este certamente não é o caso. A coleção trata de uma série de livros que trazem em suas histórias fatos e detalhes ligados aos clássicos a que se dirigem, mas sem desvendá-los por inteiro, ou mesmo mencioná-los diretamente em alguns dos livros.

Com títulos como Onde fica o Ateneu?, O sertão vai virar mar, e Auto do busão do inferno, os autores, entre eles alguns grandemente renomados, como Moacyr Scliar, retomam os clássicos a que se dirigem - O Ateneu, Os Sertões e Auto da barca do inferno, respectivamente - por meio de histórias novas e de vocabulário mais acessível aos jovens do Ensino Fundamental.

Com isso, não se simplificam os clássicos como adaptações tendem a fazer. Não se resumem apenas as partes essenciais, ou se descrevem algumas características básicas do livro em si, para que o jovem, ao ler o clássico, já tenha todas as respostas que deveria obter ao lê-lo: pelo contrário, os livros tentam fazer com que a curiosidade desperte no leitor mais jovem, preparando-o para ter sede de saber do que se trata o livro clássico, o que o levou a ser eternizado, e quais serão as questões tratadas nele. Dessa maneira, a leitura posterior de um livro como, por exemplo, O Ateneu, apesar de ainda seca para os jovens acostumados com abreviações e palavras fáceis, já passa a ter outro sabor: ele já sabe o que foi o Ateneu, ele já sabe até mesmo o fim do livro, mas as questões permanecem mesmo depois de ter lido esse livro que busca exatamente instigar a curiosidade, e não - como muitas vezes acontece - facilitar as respostas que o próprio leitor deveria buscar.

Alguns outros livros alternativos também se dão à tarefa de buscar trazer a curiosidade de volta aos leitores jovens de hoje em dia em relação aos livros que eles terão de enfrentar em seu Ensino Médio, para que essa experiência seja indolor e nada traumatizante. O escritor Mario Teixeira, por exemplo, em seu livro Alma de Fogo, um episódio imaginado da vida de Álvares de Azevedo, coloca como protagonistas de uma trama policial Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães - ambos grandes nomes da literatura brasileira e figuras obrigatórias dentro de estudos da disciplina de literatura durante a escola.

Diferentemente dos exemplos dados antes, a própria linguagem desse livro já se assemelha à usada pelos escritores citados em suas obras - mas, mesmo assim, ele é mais leve e de mais fácil entendimento do que a usada nas obras que tornaram famosos os dois escritores protagonistas de uma trama de mistérios. Os recursos de linguagem que serão vistos em alguns anos - ou meses - pelos jovens em A Moreninha ou Noite na Taverna já terão sido assimilados por eles por meio de algo mais tangível para os jovens do que os romances de séculos passados - apesar de a ambientação e linguagem serem as mesmas.

Longe de substituir os clássicos, esses recursos de formação de leitores tentam ativar a curiosidade do jovem para o que irão ter de, obrigatoriamente, ler mais tarde. Esses livros, com seus recursos mais atraentes para o público jovem do que os livros clássicos em si, são uma das possíveis soluções para diminuir o distanciamento do leitor atual das obras clássicas que deveriam ser uma descoberta agradável, e jamais dolorosa, como têm se tornado.
A FORMAÇÃO DO LEITOR

Apesar de todas as técnicas de aproximação de jovens - pré-adolescentes e adolescentes já em fase de preparação para o vestibular - com a literatura, de pouco valem todos os esforços nessa fase se a cultura do ler mais do que apenas o estritamente necessário não é estimulada na criança desde cedo.



O estímulo à leitura por prazer e a formação do leitor como preocupação de pais e educadores é como um tratamento preventivo dos males que a falta de leitura pode causar em anos mais tardios na vida da criança - seja na época do vestibular, ou mesmo quando já está na faculdade, sem entrarmos aqui nos méritos da leitura como formadora de cidadãos conscientes e seres humanos críticos da sua realidade. A importância da leitura deve ser salientada para pais e educadores, mas deve-se ter a certeza de que apenas dizer à criança que ler é importante traz muito poucos resultados. O trabalho de formação de leitores é assunto discutido incansavelmente por professores, pedagogos e profissionais da área da literatura e da língua portuguesa num todo, e o único ponto em que todos concordam é que não há uma fórmula de formação de leitores pronta que possa ser usada em todas as crianças e que funcionará sem falhas.



"O estímulo à literatura leva não apenas ao conhecimento necessário para passar no vestibular. Também leva à capacidade de interpretação de texto, tornando o benefício mais extenso do que aparente"

Desde muito pequenas, as crianças são expostas aos hábitos da leitura - a contação de histórias entre pais e mães e filhos é claro exemplo disso. É apenas ao amadurecer, e se tornar "grande demais" para tais hábitos, que essa curiosidade pelas histórias começa a diminuir e pode, em muitos casos, vir a desaparecer. É preciso manter em mente que nunca é cedo demais para que a criança tenha contato com livros, e que ela deve ter o poder de escolha sobre o que gostaria de ler - guardadas, é claro, as medidas de idade e capacidade de entendimento. Entretanto, mesmo a ideia de que um livro é grande demais para tal idade, ou que outro objeto de leitura é complexo demais para tal fase deve ser bem pensada. Se a curiosidade existe, e dela não poderá vir nenhum mal, por que não estimulá-la?



Literatura do período aliada à história deleÉ possível apontar, por exemplo, a importância dos escritos de Machado de Assis não como crítica da sociedade da época, mas como uma observação perspicaz do Rio de Janeiro do século XIX. Dessa forma, a leitura de Dom Casmurro, uma história dos subúrbios, é uma excelente aproximação entre o aluno e o cenário onde a obra se desenrola.

É importante que pais e educadores interfiram no processo de formação de leitores. No entanto, para que a criança não acabe por se cansar do hábito da leitura, esta deve ser sempre tratada como diversão e forma de lazer, e jamais como uma obrigação enfadonha, que tire a graça do ato de ler. É exatamente o senso de dever ligado aos livros clássicos que causa a falta de vontade dos jovens de lê-los - e esta é uma ideia que vem desde muito cedo em crianças e pré-adolescentes: a certeza de que a leitura é algo doloroso e difícil, e que livros antigos só podem ser ruins, por não tratarem de assuntos recentes.

A desmistificação do que é o ler por lazer e a leitura por estudo é uma necessidade que deve ser abordada desde muito cedo com a criança. Nem todas as tarefas de leitura serão prazerosas, e nem todos os livros jamais lidos serão divertidos, mas na fase da formação do leitor, na montagem da capacitação da criança de sair dos contos em voz alta pela professora ou responsáveis, a leitura deve, sempre, ser um prazer e um hábito ligado diretamente à alegria da descoberta. Forçar uma leitura indesejada só afasta a criança dos livros, problema que causa danos no futuro da criança não só como leitor, mas que pode também ter impactos negativos na capacidade de interpretação dessa criança quando adulta.
Um hábito negativo que costuma aparecer durante essa fase de encantamento com os livros é a subestimação dos adultos para com a capacidade de interpretação das crianças. Apesar de jovens, as crianças não têm nenhuma falta de capacidade de abstração - é, na verdade, a partir de estímulos feitos durante essa fase que essa capacidade se desenvolve e cresce, de maneira a facilitar compreensões posteriores, e a tendência de simplificar tudo para as crianças é muito mais um mal do que uma ajuda à criança em questão.

É preciso tratar o jovem leitor, tanto na fase inicial de leitura quanto em todas as demais, como alguém apto a entender a mensagem passada pelos livros que lê. Nem todos os livros têm uma "moral da história", e isso é uma das grandes vantagens da literatura infantil atual em relação aos livros infantis antigos. Já não se espera que cada história traga uma lição de vida e algo a ser apreendido para a criança com caráter educacional. A leitura e a literatura infantil devem, sobretudo, causar a curiosidade e estimular as conclusões da própria criança, para que esta cresça sabendo que pode compreender as mensagens dos livros sem auxílio direto de terceiros.

É dessa autoconfiança como leitor jovem que nascem os leitores capazes no Ensino Médio e na vida à frente, tratando desde sempre o leitor como ser pensante e capaz de abstrair as mensagens dos livros sem a necessidade de um tradutor de ideias.

Janaína Cerutti é professora de inglês, estudante de Literatura e colaboradora em diversos sites e projetos sobre escrever.
Fonte: conhecimento prático- Língua Portuguesa

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