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23 setembro 2013

Dolo e desejo

No caso do triplo homicídio cometido há cerca de um ano, em Queluz, por um homem que bloqueou o elevador em que seguiam a cunhada, a sobrinha e um trabalhador da segurança privada, regando-os com gasolina e ateando-lhes fogo, a defesa terá alegado que o arguido só quis pregar um susto às vítimas, sem desejar a sua morte. O argumento será procedente?

Por: Fernanda Palma, Professora catedrática de Direito Penal


Apesar de jurídico, o conceito de dolo é cada vez mais utilizado pela comunicação social e até na linguagem comum. No Código Penal, o dolo é definido, em alternativa, como intenção, aceitação da inevitabilidade ou mera conformação com a possibilidade de praticar o crime. Estas modalidades correspondem, respetivamente, ao dolo direto, necessário e eventual.
A doutrina jurídica e os tribunais entendem, desde há muito tempo, que o dolo não se identifica com o "desejo". Quem desfere, por exemplo, um tiro na cabeça de alguém (sabendo que a sua arma está carregada) quer matar essa pessoa, independentemente do desejo. Pelo contrário, quem "deseja" matar outra pessoa através de magia não atua verdadeiramente com dolo.
Uma alegação, ainda que sincera, sobre o que o arguido desejou pode não corresponder à interpretação socialmente aceitável da sua conduta. Há esquemas comportamentais que todas as pessoas (pelo menos, as imputáveis) reconhecem como uma espécie de linguagem da ação. Se, por exemplo, tremermos numa situação de perigo, não será de alegria mas de medo.
Como dizia Wittgenstein, o modo como nós nos interpretamos está dependente de um jogo da linguagem social, no qual participamos obrigatoriamente. Só nesse pressuposto as normas incriminadoras (do homicídio, da violação, do sequestro, do roubo e de outras condutas lesivas de bens fundamentais) podem ter a pretensão de conformar as condutas das pessoas.
No teatro, o pensamento de um ator não modifica a compreensão do público sobre o sentido das ações que se desenrolam no palco. Do mesmo modo, o que sente o autor de um crime não muda o significado do que fez. Ao agir de certa maneira, as pessoas conhecem o seu papel. A impossibilidade de negar esse papel dá o critério da responsabilização por dolo.
Sem discutir o caso concreto, pode concluir-se que quem prende uma pessoa num espaço fechado e ateia um incêndio não pode deixar de querer matar essa pessoa. A única dúvida plausível diz respeito ao tipo de dolo com que o autor do crime terá agido. No mínimo, ele deve ter previsto a possibilidade de a vítima morrer, conformando-se com essa possibilidade.
Fonte: Correio da Manhã

17 fevereiro 2013

Eu leio Brasil. E você?


Eu leio Brasil


A literatura nacional pede socorro.
O que está acontecendo é que as obras brasileiras não estão recebendo o trato que merecem. Basta entrar em qualquer livraria para perceber a diferença de tratamento. Em destaque, apenas as obras que vêm de fora. Nas listas dos mais vendidos, nomes estrangeiros pipocam e somente de vez em quando surge uma Paula ou um Eduardo para diversificar.
Os marketings das grandes editoras apontam todos os seus canhões para 50 tons de estrangeirismo, enquanto o verde e amarelo fica ofuscado sob o cinza.
Ora, não podemos esquecer que para cá já vêm os best-sellers, testados e retestados no exterior, que já passaram por uma pesada campanha de publicidade.
Mas os daqui ficam relegados a segundo plano, sem que os leitores sequer tenham o direito de escolher se vão comprar ou não. A dinâmica é clara: o consumidor comum entra em uma livraria procurando uma capa que lhe chame atenção, ou uma história que se destaque no meio das outras. Impossível que um livro escondido no meio da prateleira ganhe a parada. Isso, quando pelo menos fica em um canto escondido na livraria, pois na maioria das vezes os títulos nacionais nem chegam às estantes das grandes redes.
Por isso, criei este manifesto. Longe de mim pedir para que as pessoas só leiam os nacionais. Adoro Marians, Sophias e Stephanies e quero muito continuar a lê-las. Mas quero chegar no shopping e ter o direito de escolha entre elas e as Vanessas, Lucianes, Leilas e Carinas. Ah, e Janainas também!
*Precisamos reunir 10.000 assinaturas para mandar este manifesto para a mídia. Vamos fazer o nosso barulho!


Vi esta postagem no blog Livros e Marshmallows e aderi correndo. E vocês?

16 setembro 2012

Outras Estantes - O filme que está a incendiar o Médio Oriente


Protestos violentos
10:08 Quinta, 13 de Setembro de 2012

Obama apelou aos Presidentes da Líbia e Egito para garantirem a segurança dos diplomatas, alvos da ira de manifestantes contra um vídeo polémico sobre o profeta Maomé.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, telefonou aos homólogos da Líbia e Egito para lhes pedir que continuem a trabalhar com os Estados Unidos para garantir a segurança dos seus diplomatas nesses países, informou a Casa Branca.
Obama agradeceu ao Presidente líbio, Mohamed Magariaf, as condolências que expressou pela morte do embaixador norte-americano na Líbia e de outros três diplomatas dos EUA, na terça-feira, durante um ataque contra o consulado norte-americano em Benghazi.
A Casa Branca indicou que os Presidentes líbio e egípcio acordaram em cooperar com os EUA para que os responsáveis pelos incidentes ocorridos esta semana em Benghazi e no Cairo sejam levados à justiça.

Filme não pretende insultar muçulmanos
O filme sobre o profeta Maomé que originou violentos protestos no Médio Oriente pelo retrato que faz da fé islâmica não pretende insultar os muçulmanos, disse na quarta-feira um controverso pastor cristão norte-americano que apoia o vídeo.
Terry Jones, que também esteve na base de violentos protestos no passado ao queimar o Corão, reiterou que as mortes do embaixador norte-americano na Líbia e de três outros diplomatas dos EUA num ataque em Benghazi não foram resultado do filme.
"Fomos contactados pelo produtor do filme 'Inocência dos Muçulmanos' para o ajudar a distribuir", disse Jones em comunicado, referindo-se ao filme de 14 minutos sobre o profeta Maomé que está disponível na Internet.

Fonte: Visão

02 setembro 2012

Pode escolher – limpar o banheiro ou criar uma nova senha na web

O que você prefere – limpar 1 banheiro ou pensar em uma nova senha para as suas contas na internet? Pois saiba que 38% dos americanos confrontados com essas 2 opçoes pelos pesquisadores da Harris Interactive, escolheram a opçao do banheiro. Outros 38% admitiram que seria mais fácil alcançar a paz mundial do que lembrar de todas as suas senhas online. Também pudera. Nada menos do que 58% dos adultos americanos possuem 5 ou mais senhas únicas na web. Destes, 30% tem ao menos 10 e 8% passam das 20 senhas.

Fonte: Blue Bus

19 abril 2012

Ocupe – Desocupe

Livro vendido a preço de custo reúne artigos de pensadores como David Harvey, Mike Davis e Slavoj Zizek sobre o movimento Occupy

A mobilização política que se iniciou na Tunísia e se espalhou como um rastilho pelo mundo em 2011 é tema do livro Occupy – Movimentos de Protesto Que Tomaram as Ruas, que, condizente com a proposta do movimento que dá título ao livro, será vendido a preço de custo.
Para isso, todos os autores cederam os direitos autorais sobre seus textos. Entre eles, estão o filósofo esloveno Slavoj Zizek, o geógrafo britânico David Harvey, o historiador americano Mike Davis e o escritor paquistanês Tariq Ali, além de autores brasileiros como o sociólogo Emir Sader.
A obra analisa a história e os desdobramentos do movimento que, através da força das ruas, derrubou ditaduras no Norte da África e se espalhou pelo Ocidente.
O livro será lançado no Espaço Revista CULT (R. Inácio Pereira da Rocha, 400, SP, tel. 011 3032-2800) 04/04, em debate com o colunista da CULT Vladimir Safatle, o filósofo Edson Teles e o cientista social Giovanni Alves.
Occupy – Movimentos de Protesto Que Tomaram as Ruas
Vários autores 
Boitempo
88 págs.
R$ 10

Fonte: Cult

11 abril 2012

A historicidade da moda

24/02/2012 

Recentemente o Brasil foi palco para grandes desfiles de moda no eixo Rio-São Paulo. Há quem diga que tal evento é uma futilidade exacerbada e que a moda se traduz por peças de vestuários para cobrir o corpo, atitude essa trazida pelos nossos colonizadores.
Entretanto, a moda é uma produção histórica, fruto do comportamento de uma época ou de um momento singular. É a fusão da subjetividade com a objetividade. Objetividade porque aquilo que é mostrado nas passarelas, em poucos meses, se torna mercadoria relativamente acessível e padronizada. Ela também é subjetiva, pois faz parte da personalidade de cada indivíduo que sustenta a roupa.
Na pós-modernidade, o contato visual com o outro se tornou um fenômeno evidente, contribuindo assim para uma nova classificação cultural e econômica. Formam-se novos grupos sociais que, por meio da moda, expandem suas significações, opiniões e valores. Sublinham uma determinada cultura, mas também se mesclam com outras tendências globalizantes.
Referências nos cercam diariamente, com o advento de blogs, além das revistas, dos programas de televisão, dos livros e principalmente nos meios artísticos, como a música e o cinema. Como se esquecer do figurino de Audrey Hepburn no clássico “Bonequinha de Luxo”? Ou ignorar todo o movimento hippie na década de 1960 e suas influências da moda, visíveis até nos dias atuais? A moda permeia pelos meios midiáticos e é incorporada posteriormente por nós, desfilada por anônimos nas passarelas da vida.
Estudar moda é compreender novos aspectos, de uma prática antiga, das ações humanas. Ela está relacionada com questões sociais, políticas e culturais. É um tipo de linguagem visual, que decodifica valores pertinentes à sociedade.
Portanto, precisam ser desvendadas com mais amplitude, sob o prisma histórico.
Grace Campos Costa

Graduanda em história pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac).grace_c_costa@yahoo.com.br.

Fonte: Correio de Uberlândia


Retalhos no Mundo
Como é a sua relação com a moda?

22 março 2012

Linha do tempo das redes sociais, de 1960 até 2012

Talvez 'rede social' seja sinônimo de 'Facebook' pra muita gente, mas a história das redes sociais começou muito antes disso. É claro que nao da forma que vc conhece hoje, mas já na década de 1960 as pessoas usavam a internet para compartilhar dados entre si. E do BBS - o Bulletin Board System - vc lembra, ou pelo menos já ouviu falar?   Acompanhe nesse infográfico a trajetória e a evoluçao dos antepassados do Facebook, Twitter e Google+. Saiu no AllTwitter. 

Fonte: Blue Bus

17 julho 2011

Abertura-5º Jogos Mundiais Militares do CISM

 Fui assistir à Cerimônia de Abertura dos 5º Jogos Mundiais Militares, ontem no Engenhão. 
Paz símbolo dos 5JMM - reina nos arredores e nas filas.Crédito: Alexandre Loureiro/Ginga Fotos.


Teve apresentação de Bandas Militares das Forças Armadas: Marinha, Exército e Aeronaútica , Polícia Militar , Corpo de Bombeiros e Fuzileiros Navais que fizeram evoluções enquanto tocavam.
Bandas Militares das Forças Armadas, Marinha, Exército e Aeronáutica, apresentam ao público músicas das suas instituições.Crédito: Alexandre Loureiro/Ginga Fotos.
Apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Emocionante.
Público se emociona e vibra com a apresentação da Esquadrilha da Fumaça nas festividades de abertura dos 5º Jogos Mundiais Militares. Crédito: Alexandre Loureiro/Ginga Fotos.


Paralamas cantaram Soldado da Paz enquanto Arion( o mascote dos Jogos  e a Tropa da Paz fazem rapel para o palco.


Arion e a Tropa da Paz fazem rapel para o palco enquanto os Paralamas tocam Soldado da Paz.Crédito: Alexandre Loureiro/Ginga Fotos.


Dilma Rousseff e Pelé  também estavam presente.
O soldado Nascimento, Pelé, acendeu a pira em forma de pomba da paz
Pelé Abertura Jogos Militares (Foto: Ag. Estado)


Toquinho, cantou "Aquarela", e Zizi Possi,  "A Paz" ,Alcione, Diogo Nogueira, Dudu Nobre e Jorge Aragão e encerrou com apresentação de Porta-Bandeira e Mestre Sala  e passistas.


Abertura Jogos Militares (Foto: Ag. Estado)


O único inconveniente tive que voltar a pé para casa, por causa de fechamentos de ruas em redor do Estádio. ficava mais prático ir andando. Mas valeu a pena, estava uma noite agradavel.
Depois eu publico as fotos que tirei.

27 junho 2011

A nova – e perigosa – onda cracker


Arrebanhando simpatizantes na internet, grupos como Anonymous e LulzSec mostram que podem derrubar sites de governos e grandes empresas, impingindo dor de cabeça e prejuízos a todos

Rafael Sbarai e Renata Honorato

Recentemente, Arianna Huffington, criadora do site de notícias Huffington Post, um dos mais acessados dos Estados Unidos, arriscou um palpite sobre os usuários das redes sociais: "A geração que utiliza Twitter e Facebook não quer mais esconder seu rosto." Ao menos em relação aos crackers, Arianna está enganada. A palavra designa jovens especialistas em tecnologia que exercitam seus conhecimentos invadindo e danificando os sistemas de computação de empresas e instituições públicas. Nesta semana, no Brasil, os sites da Presidência da República, do governo federal e do Ministério do Esporte foram tirados do ar; houve ainda investidas malsucedidas contra páginas da Receita Federal e da Petrobras. Foi uma demonstração local da força que os crackers, que escondem o rosto e se mantêm no anonimato, têm exibido em nível global, derrubando, entre outros, serviços de jogos on-line da Sony e o site da CIA, agência de inteligência americana.
Para derrubar os serviços, os criminosos – é assim que outras nações e também especialistas brasileiros definem essas pessoas – coordenam uma operação na rede conhecida como ataque de negação de serviço, ou DDoS, na sigla em inglês (entenda como ele funciona). Lançando mão de vírus, infectam computadores de usuários comuns e, a partir dessas máquinas, sem que seus donos percebam, disparam milhares de requisições de acesso a endereços na web que pretendem derrubar. Sem condições de atender à demanda de tantos usuários, o site sai do ar.
Dois grupos têm reivindicado a autoria das investidas mais vultosas: Anonymous e LulzSec. As diferenças entre os dois não são desprezíveis. O primeiro ficou conhecido como coletivo dos "libertários da internet"; o segundo alimenta a fama de "fanfarrão da rede". Especialistas e polícias nacionais, que já realizaram prisões na Europa e nos Estados Unidos, concordam que os dois estão por trás das operações, que tomaram tal dimensão que permite falar em um novo momento da atividade cracker. Em 1998, quando a internet ainda engatinhava, Kevin Mitnick, o "pai dos crackers", foi preso por invadir sozinho os servidores da Digital Equipment Corporation e furtar programas da empresa. Em abril deste ano, a invasão dos sistemas da Sony colocou em risco dados pessoais de cem milhões de pessoas e causou um prejuízo estimado em 170 milhões de dólares. Além disso, atualmente, os especialistas em programação que derrubam sites contam com a ajuda de simpatizantes que pouco - ou nada - entendem do assunto.

Não é fácil determinar a identidade dos participantes desses grupos, uma vez que se trata de associações informais e descentralizadas. Contudo, é possível traçar um perfil dos dois, com ajuda de estudiosos do assunto, hackers e até mesmo indagando os próprios participantes dos ataques. O Anonymous é formado por um núcleo de programadores que atraíram a simpatia de "hacktivistas" – hackers que também são ativistas políticos ou sociais. Estima-se que seus participantes se concentrem nos Estados Unidos e que tenham entre 18 e 24 anos. Sua atividade já era conhecida em meados da década passada, mas passou a fazer estardalhaço em 2008, quando os crackers compraram briga com a Igreja da Cientologia, cujo seguidor mais famoso é o ator Tom Cruise. Nessa época também cunharam seu símbolo mais conhecido, usado por simpatizantes como forma de disfarce: a máscara de Guy Fawkes, protagonista do HQ e também do filme V de Vingança, inspirado no personagem real do soldado inglês homônimo. Católico, ele participou da conspiração que pretendia matar o rei protestante James I, em 1606. Na vida real, Fawkes falhou e foi levado à forca. Na ficção, o personagem cobre o rosto enquanto tenta arruinar um estado autoritário.

Ao contrário do personagem, o Anonymous não tenta minar o estado e rejeita o rótulo de anarquista. Desde que investiu contra a Cientologia, comanda ataques em nações ricas e até no mundo islâmico sob a alegação de que age em defesa da liberdade de expressão e do direito de acesso à informação. Daí, a escolha de seus alvos: empresas e governos que tentariam de alguma forma restringir essa liberdade. Já mirou contra os governos democráticos da Itália e da Austrália, que tentava acrescentar filtros à internet para combater a pedofilia, e também contra ditaduras na Tunísia e Egito. Tal atuação valeu a seguinte análise por parte da antropóloga Gabriella Coleman, professora do departamento de mídia, cultura e comunicação da Universidade de Nova York: "O Anonymous se tornou um canal de ação tanto para aficionais em tecnologia quanto para aqueles que pouco sabem do assunto. Você não precisa preencher um formulário com dados pessoais ou mandar dinheiro para se filiar, mas sente que faz parte de algo".
No ano passado, o grupo desferiu ataques contra empresas que haviam levantado barreiras ao WikiLeaks, o site comandado por Julian Assange que vazara dezenas de milhares de documentos sigilosos do governo americano. Em resposta à revelação dos documentos secretos, as administradoras de cartões de crédito Visa e Mastercard congelaram doações ao WikiLeaks. O contra-ataque dos crackers foi bombardear os sites corporativos, que saíram do ar. Em um vídeo postado no YouTube, seus membros diziam: "Liberdade de expressão para a internet, ao jornalismo, aos jornalistas e cidadãos do mundo."
Nos episódios em que se envolveu, o Anonymous alega não ter promovido vazamento de dados privados. De fato, aparentemente, o grupo não derruba endereços eletrônicos com o objetivo de se apropriar de informações alheias ou de passá-las a terceiros. Isso reforçou a imagem de grupo ideológico. As exceções foram as invasões dos sistema da Sony (cuja autoria o grupo nega) e da HBGary Federal, empresa de segurança de informática que colabora com o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.
Estima-se que o grupo reúna entre 2.000 e 3.000 pessoas pelo mundo. "Certamente há brasileiros entre nós", acrescenta um programador americano ouvido por VEJA que se apresenta como participante (leia a entrevisa com ele). Mas o cálculo tenta apenas dar alguma ideia da dimensão da associação, que não tem qualquer registro formal. Tão fácil quanto aproximar-se dela é deixá-la. "Basta participar das ações para se transformar em membro", diz o programador americano. 
Parte das informações do grupo está disponível em perfis de redes sociais, blogs e fóruns. Os simpatizantes se encontram na plataforma de bate-papo na internet IRC, hoje um território de especialistas em computação. Em chats abertos ou reservados, para os quais consegue-se convite com facilidade, as ações são combinadas. Qualquer neófito pode conseguir ali instruções sobre como "ajudar" a derrubar um site ao comando de outro participante. Ninguém se identifica. Para dificultar que as ações sejam rastreadas pelas autoridades, os crackers usam artifícios como ocultar o número de IP, que indica o computador de onde é feita a conexão com a rede. "Os ataques não são sofisticados", diz Routo Terada, professor titular do departamento de computação da Universidade de São Paulo (USP). "A internet é recheada de programas ou artigos que ensinam como empreender essas estratégias", diz.
O LulzSec não tem o histórico nem o protexto do Anonymous: seus participantes dizem que agem por diversão. Daí, o nome do grupo, proveniente da justaposição da gíria "lol" (laugh out loud, em inglês, ou rir em voz alta) com a abreviação "sec" (security, ou segurança). Provém daí também a fama de rebeldes sem uma causa. Nas últimas semanas, contudo, os fanfarrões desbancaram o Anonymous das manchetes ao presumidamente derrubar, entre outros, os serviços do Senado americano, da CIA e também endereços públicos brasileiros.
"O LulzSec é uma pequena dissidência do Anonymous que busca realizar ofensivas a sites sem motivo político aparente", afirma Luiz Leopoldino, gerente de produtos da Ez-Security. De fato, sua atuação é errática. Apesar de pregar a diversão, no recente ataque a sites brasileiros, o grupo alegou que era motivado pela corrupção no governo: "Por longos anos, nosso governo corrupto vem nos roubando. Chegou a hora do contra-ataque." Difícil discordar da afirmação de que a corrupção é um vírus nacional. Derrubar sites que prestam serviços à popução, contudo, não tem efeito antiviral conhecido.
O LulzSec não apenas derruba sites, mas furta dados e os divulga. Recentemente, o grupo publicou milhares de informações pessoais relativas a contas de e-mail e perfis em redes sociais. O melhor argumento que os crackers encontraram para justificar as ações (sim, eles tentaram) é o de que elas pretendiam revelar que a segurança de dados na internet é falha. "O grupo é formado por jovens imaturos, que querem transmitir a falsa sensação que representam o povo", diz José Milagre, advogado e especialista em crimes digitais. Ele afirma que, no Brasil, o grupo foi formado por cinco especialistas em segurança, que se regozijam por tirar do ar os sites da Presidência e do governo federal.
Do ponto de vista da lei, não importa se os sites são retirados do ar por boas ou más intenções. Trata-se de crime. É assim que nações como Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha, que possuem legislação específica para a internet, encaram os casos. No Brasil, é necessário apelar ao Código Penal e transferir as regras para o mundo virtual, explica Renato Opice Blum, advogado e coordenador do curso de Direito Digital da Faculdade Getúlio Vargas. "Vale a lei do país de onde partiu o ataque", diz.
Para além do campo jurídico, é difícil enxergar valor na esmagadora maioria das ações dos grupos. Gabriella Coleman, da Universidade de Nova York, constatou que o Anonymous "oferece oportunidades de microprotesto, de maneira a permitir que os indivíduos sintam que fazem parte de coisa maior". Pode ser uma ideia válida no contexto de países como Tunísia, Egito e Iêmen, cujos governos ditatoriais foram bombardeados pelo Anonymous. Mas, em regimes democráticos, os canais para micro ou superprotestos estão em perfeita atividade, no Congresso Nacional ou no Twitter: a lei garante o direito à expressão. Nesse contexto, de que serve tirar um site do ar?

Entenda como crackers derrubam sites
1-  Atacantes
     São os hackers e crackers que iniciam o ataque.
     Eles infectam com vírus servidores e máquinas de outros usuários comuns que, dali em diante,  os ajudam a realizar o ataque.


2-  Mestres
     Os servidores, computadores de grande porte, são os primeiros atingidos e passam a funcionar como " capatazes virtuais", multiplicando o ataque em direção a milhares e até milhões de máquinas.


3-  Escravos
     São os computadores de usuários comuns: ao receber o sinal do mestres, passam a acessar seguidamente o site da vítima. Os usuários dessas máquinas não fazem ideia do que está acontecendo em seus próprios computadores devido à ação do vírus.


4-  Vítimas
     É o site alvo dos atacantes, que passa a receber milhões de pedidos de acesso simultaneamente. Sobrecarregando, o servidor que armazena esse site para de responder às requisições e sai do ar.


Assista a seguir a vídeo atribúido ao Anonymous com 'mensagens a brasileiros'


http://www.youtube.com/watch?v=aIsTd9WIRKU&feature=player_embedded



Fonte: Veja  Edição 2223 • 29 de junho de 2011




Retalhos no Mundo:
Eles são uns criminosos, se utilizam de usuários comuns (nós), que não pedimos para participar de tal ação. Se são tão inteligentes, que façam os seus atos sem nos usar para isso. Desta maneira, comprova que no mundo virtual não estamos seguros para os nossos segredos. O nosso PC não é mais "pessoal" e sim universal. O Anonymous até diz que age em defesa de liberdade de expressão e direito de acesso à informação. Nós também temos esses direitos e não queremos nossos PCs sendo utilizados por estranhos.

05 junho 2011

Região do Chiemgau oferece canto alpino, paisagens deslumbrantes e tradição

 

O local também é conhecido por ser a terra do papa Bento 16. Região do Chiemgau oferece bela vista dos Alpes, um universo cheio de tradições e os três maiores lagos da Alemanha.

Josef Ecker ama sua terra natal – o que ele percebe quando está longe de casa. Como professor de música, ele trabalha não apenas nos Alpes de Chiemgau, mas por toda a Alemanha. Há 13 anos, ele ofereceu pela primeira vez aula de canto alpino e nunca mais parou.
Atualmente, cerca de dez pessoas o procuram todos os dias interessadas em aprender esta forma típica de canto bávaro. Entre os alunos estão desde donas de casa a gerentes de empresas, inclusive um grupo de britânicos, que sai de Londres para fazer um curso noturno.
A mídia já apelidou Josef Ecker como "Rei do Canto Alpino". Ele também poderia ser escolhido como o "rei do traje típico", com sua calça de couro até o joelho e a imagem do rei bávaro Ludwig 2º no suspensório . "O rei era um incentivador da música", ressalta Ecker.


Desafios

É preciso uma certa técnica para praticar o canto. "Uma voz forte, a respiração correta por meio do diafragma e o lugar adequado são essenciais", afirma o professor, apontando para seu lar nos Alpes, o Hochfelln. Ele garante que preferiria andar os 1.674 metros até o topo. "É assim que é para um bávaro: conquistamos os Alpes preferencialmente a pé." Mas a aventura, claro, duraria muito. Por isso ele usa o teleférico.
Até a metade do caminho, o professor segue como um guia turístico. Ele mostra o Maxhütte, local onde há 450 anos já havia exploração de minérios. Atualmente existe um museu instalado nas construções antigas, ao pé dos Alpes, onde os visitantes podem ter informações sobre as histórias de exploração do ferro e do processamento de metal. Ecker aponta ainda um pântano, uma área de proteção onde alguns tipos de aves se reproduzem.
"Aqui se pode fazer escalada, montanhismo, caminhada. No lago é possível andar de barco e nadar", diz, entusiasmado. De bicicleta também se pode percorrer toda a volta do lago Chiemsee, de aproximadamente 60 quilômetros.
Após 15 minutos no teleférico, chega-se ao topo do Hochfelln. A 1.674 metros de altura é possível desfrutar da bela vista dos Alpes e das redondezas. No horizonte brilham ao longe os cumes cobertos de gelo da Grossglockner, a maior montanha da Áustria. Adiante, vê-se as construções dos locais onde se praticam esportes de inverno na comunidade bávara de Ruhpolding. Lá do alto, segundo o professor, é um lugar adequado para praticar o canto alpino. "A paisagem e a natureza são meus maiores parceiros. Aqui posso respirar livre", afirma.
Ele explica que a preparação começa com a agitação dos braços fazendo um movimento circular, como se fosse abraçar alguém. Ao mesmo tempo, ele alonga a barriga e respira fundo. "É preciso sentir o ar também na região dos rins". E então ele solta a voz. No verão, conta Ecker, a resposta ao seu canto chega rapidamente de algum turista.
Antigamente, os moradores das regiões alpinas se comunicavam a distância por meio deste canto. A arte era praticada em todos os lugares, inclusive nas áreas para pedestres.
O proprietário da cabana em Hochfelln, Meier Loisl, é mais reservado e passa praticamente o ano inteiro lá em cima, e no inverno pode-se esquiar até o vale. Em Hochfelln ele tem tudo que precisa: uma linda vista de dia e sossego à noite. E Loisl nem precisa saber muito de canto alpino: ele tem conexão de internet sem fio em casa.
Nos tempos do rei

O rei bávaro Ludwig 2º certamente teria incentivado a moderna técnica. Embora o nobre fosse contra a expansão das linhas de trem no reinado – porque elas destruíam a solidão idílica e a natureza romântica do lugar –, ele mesmo desfrutava as viagens noturnas nos primeiros trenós elétricos iluminados.
Como lembrança do 125º aniversário de morte do monarca, será apresentada uma exposição multimídia no castelo de Herrenchiemsee, na ilha de mesmo nome, sobre como era a vida naquele tempo. Peças originais foram selecionadas especialmente para o evento. Pela primeira vez, os turistas poderão visitar as salas inacabadas do Templo da Glória, construído segundo modelo do Palácio de Versalhes, em homenagem o rei francês Luis 14.
A exposição oferece ainda uma representação resumida e objetiva do rei, cuja morte permanece misteriosa. Os últimos vestígios de Ludwig 2º foram encontrados no dia 13 de junho de 1886 no lago Starnberg. O rei teria cometido suicídio, atirado por engano com a arma de seu médico acompanhante ou o ele simplesmente foi assassinado?
Os ponteiros do relógio de bolso que afundou na água marcavam 18h54. Seu guarda-chuva também foi encontrado na margem. Os dois objetos estão expostos no Herrenchiemsee. Eles fazem parte da crendice de que Ludwig 2º ainda circula pelo local.
Terra do papa

Vestígios da passagem de um outro bávaro de grande notoriedade também se encontram nos arredores do Chiemsee. O papa Bento 16 visitou o morro Ratzinger, uma colina arborizada perto da comunidade de Prien, de onde se pode ter uma vista maravilhosa do lago e da montanha Chiemgau, dez quilômetros distante dali.
O lugar não recebeu este nome devido ao atual líder da Igreja Católica, mas é proveniente do povoado de Ratzing, que fica próxima dali. Mas existe, de fato uma ligação: a mãe do então cardeal  Joseph Ratzinger, atual papa, morava no município de Rimsting, na região do morro Ratzinger. Por esse motivo, o religioso visitou uma vez o local e peregrinou pela trilha das frutas, com árvores de todo o mundo. Um árvore de tília plantada pelos moradores de Rimsting lembra o acontecimento.
Autora: Karin Jäger (ms)

Revisão: Nádia Pontes

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