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17 maio 2015

Vamos Colorir?

Estou entrando no clima de colorir para combater o stress.


Algumas editoras estão lançando alguns livros no estilo de Jardim Secreto e Floresta Encantada.

A Livraria da Folha está com alguns lançamentos e vários temas.
 Doodle, a InvasãoDoodle, a Invasão-Livro de Colorir do Zifflin - Antiestresse - Ilustrações de Kerby Rosanes- R$29,90-Editora: Pandorga

Parem as máquinas! Os livros de colorir para adultos invadiram o mundo e, pelo visto, é para ficar. E é bem no meio desse mar em preto e branco de desenhos celtas, florestas encantadas, flores e mandalas que Doodle, a invasão vai aterrissar e revolucionar o universo da aquarela e do lápis de cor.
Tudo isso graças a genialidade do ilustrador filipino Kerby Rosanes, elogiado internacionalmente por seu trabalho cool e inovador que agora chega, literalmente, às suas mãos na forma deste incrível livro de colorir.
Aproveite cada momento. O mundo nunca mais será o mesmo; os Doodles acabam de invadir a sua vida.

Gatos: O Livro de ColorirGatos: O Livro de Colorir- Mariorie Sarnat- R$ 22,00-Editora: Galera Record

O livro perfeito para quem ama colorir e é louco por gatos! Com ilustrações criadas especialmente para os entusiastas de felinos, Gatos: O livro de colorir tem estampas ricas em detalhes e é repleto de possibilidades artísticas. Uma válvula de escape para um mundo repleto de corações, motivos floridos, diferentes texturas e, é claro, gatinhos. É só escolher seu local da casa e suas cores favoritas, e esquecer os problemas que tiram seu sono. Aqui não há regras: siga sua imaginação! Relaxe, inspire-se com os bichanos e crie um deslumbrante universo!

 

Amor em Todas as Cores   Amor em Todas as Cores-Catarina Lopes, W.Tierno-  R$ 29,00-Editora: Best Seller
O amor pode ser reconhecido e presenteado de várias formas. Com chocolates, joias, viagens... Ou com todas as cores. Dê formas e cores ao seu amor com cinquenta imagens que representam esse sentimento sublime nos mais diversos traços.
Demonstre seu sentimento através de diferentes ilustrações. Para amores novos e antigos, profundos e arrebatadores, serenos e doces. Amores que, com muito ou pouco tempo, ainda são capazes de descobrir novas formas de amar e celebrar.
Para cada ilustração há um poema especialmente escolhido para revelar a magia que envolve esse sentimento tão conhecido e ao mesmo tempo tão difícil de explicar. Surpreenda seu amor com todas as cores, de uma forma original e terapêutica.


O Livro Anti-Insônia: Para Colorir E RelaxarO Livro Anti-Insônia: Para Colorir E Relaxar-R$ 29,90-Editora: L&PM Editores
 Liberte sua mente de toda e qualquer preocupação e elimine a insônia com maravilhosos desenhos para colorir Dê asas ao artista que existe em você e acabe com sua ansiedade.
Colorir estes belíssimos e serenos desenhos vai ajudá-lo a esquecer as inquietações do dia a dia e concentrar-se no relaxamento.
Diga adeus ao estresse e prepare-se para uma boa noite de sono.

O Pequeno Príncipe Para ColorirO Pequeno Príncipe Para Colorir-Arteterapia Para Combater o Estresse e Estimular a Imaginação-Maxx Figueiredo-R$ 29,90-Editora: Universo dos Livros

Um dos livros mais lidos em todo o mundo, O Pequeno Príncipe foi traduzido para mais de 220 línguas e aparece entre os maiores clássicos da literatura, tendo vendido mais de 8 milhões de exemplares somente no Brasil. Há, inclusive, a previsão do lançamento de uma adaptação da obra para o cinema ainda em 2015.
E então, já pensou em ter o seu próprio Pequeno Príncipe para pintar? Agora você pode! Inspirados pela obra clássica de Antoine de SaintExupéry, trazemos um conjunto de lindas ilustrações que vão transportálo ao mundo maravilhoso do principezinho e sua visita à Terra.

Vindo de um longínquo e compacto planeta, o Pequeno Príncipe é um célebre símbolo de simplicidade e sabedoria. Por isso, selecionamos algumas de suas frases para ilustrar os desenhos no decorrer do livro, além de termos escondido algumas figuras, cuja busca colabora para o estímulo da concentração. Encontre tranquilidade enquanto pinta os elementos desta incrível viagem!

 Esses são apenas alguns livrinhos para aliviar o nosso stress.

 

 

08 março 2014

Dia Internacional da Mulher

Em homenagem a todas nós mulheres, deixo este texto escrito por Maria Cecília Amaral de Rosa

Ah! Mulheres... 


Nem só de beleza e bons perfumes fazem parte do pensamento dessas criaturas supreendentes . Durante muito tempo, a mulher lutou para ampliar seus espaços na sociedade e, para isso, usou de todo o seu talento e ousadia. São verdadeiras Cleópatras quando se trata de determinação para alcançarem seus objetivos e se tornarem poderosas, seja na política, nas artes, nos esportes, na literatura e até nas guerras.

Enfrentando a guerra  
Ana Neri não vacilou em enfrentar a guerra dedicando-se em salvar vidas com muito carinho. A nossa Anita Garibaldi enfrentou batalhas na terra e no mar sem deixar de ser esposa e mãe apaixonada. Maria Quitéria lutou com garra pela libertação do povo brasileiro e também da mulher que almejava ser livre. A solidariedade da primeira dama Eleanor Roosevelt visitando feridos em meio a batalhas transformou a visão do mundo acerca da fragilidade feminina e abriu-lhes um espaço de reconhecimento. A tímida americana Clara Barton foi enfermeira voluntária nos campos de batalha, mudou a vida dos soldados feridos organizando a Cruz Vermelha Americana e conseguiu a assinatura do Tratado de Genebra pelos EUA.

Nas alturas
O Céu é o limite, diz o antigo ditado. Não para Ada Rogato que, entre outras pioneiras da aviação, tirou sua licença aos 16 anos de idade, sobrevoou a cordilheira dos Andes e apaixonou-se por paraquedismo fazendo inúmeras apresentações. Amélia  Eahart foi mais atrevida: atravessou o Atlântico num voo solo, desafiando tempestades e altitudes e bateu recordes que nem mesmo aviadores experientes ousaram arriscar. E ainda criou um "estilo" de moda todo seu, o charme do lencinho no pescoço e da jaqueta acinturada contnuam em "alta".

Uma arma infalível
A beleza tornou-se uma arma poderosa nas mãos de Helena Rubistein, que prolongou a aparência de juventude das moças de seu tempo e continua fazendo sucesso na pele feminina das tão atarefadas executivas de hoje. Viva HR! Uma "gênia" dos cosméticos!

Esporte é saúde
O setor dos esportes também não pode se queixar, pois foi eleito por belas mulheres como um caminho de desafios e vitória. Hortência chegou ao Hall da Fama por sua dedicação ao Basquete, Daiane dos Santos brilhou nas Olímpiadas e a americana Charlotte Cooper foi cinco vezes campeã em Winbledon quando o tênis abriu as portas para elas... maravilhosas... mulheres!

De doce e de letras
A alma feminina passa por receitas infalíveis e por sonhos singelos como os doces versos de Cora Coralina, que ganhou seu sustento como doceira profissional. Que calda deliciosa!! Tão doce e suave como os passos dos nordestinos retratados por Rachel de Queiroz e tão chocantes quanto as linhas do Diário de Uma Estudante Paquistanesa que revive os temores de Anne Frank muitos anos depois. O mundo mudou, os tempos mudaram, mas a essência da mulher não muda: é movida pelas inquietações do novo, do bonito, do justo...

O brilho das estrelas
O universo da moda brilhou com a criatividade de Coco Chanel que, além de perpetuar o "pretinho básico", um acessório fundamental no guarda-roupa feminino, lançou a calça comprida com corte feminino tão prática para o dia a dia. Conquistaram o mundo cantando e divulgando o país como a encantadora Carmem Miranda que "adotou" o Brasil e o tornou conhecido nos EUA e Europa pelo seu estilo de baiana adorável nas telas e palcos por onde passou. Inezita Barroso, a nossa querida folclorista, enaltece nossas raízes com sua voz inconfundível perpetuando o sertanejo brasileiro.

Na vida da nação
Os altos cargos  do governo do mundo todo também registraram a suave presença de verdadeiras heroinas como a diplomata Maria José Rebello Mendes que precisou lutar para ingressar no Itamaratuy. Já Indira Gandhi e Golda Meir deram suas vidas por um país melhor e melhores condições para toda uma nação. Moças simples, porém com uma visão bem definida em favor dos menos privilegiados Margareth Thatcher e Hillary Clinton mostraram como o amor pode ultrapassar barreiras e sua incrível capacidade de superação.

As ciências
As contribuições femininas para a pesquisa científica foram inúmeras. A curiosidade de Hildegard Bingen resultou num livro sobre botânica e medicina. A matemática espanhola Maria Gaetana Agnesi descobriu a solução para equações que usamos até hoje. As taxas de mortalidade infantil baixaram significativamente depois que Virgínia Apgar criou a escala de testes que avalia recém-nascidos nos primeiros momentos de vida e descobriu que alguns tipos de anestesias usadas no parto prejudicavam os bebês. Marie Curie recebeu oo Prêmio Nobel de Química e o Prêmio Nobel de Física por sua valiosa pesquisa sobre radioatividade, conhecimentos dedicados à melhoria e preservação da humanidade.

Amparadas por Deus
A força da religião moveu mulheres em todas as partes do mundo por um trabalho social em favor dos necessitados a ponto de erguer verdadeiros impérios. São exemplos memoráveis a Madre Teresa de Calcutá que unia muçulmanos e budistas entre outros em favor de sua causa. No Brasil, a Irmã Dulce dedicou sua vida a amenizar o sofrimento de doentes e pessoas carentes, transformando residências em abrigos e conseguiu edificar um hospital de alta tecnologia para salvar vidas. O trabalho da Pastoral feito por Zilda Arns também conseguiu diminuir a mortalidade infantil no nosso país. Mulheres abençoadas que partilharam a graça com milhares de pessoas. Já a fé de Catarina de Siena esteve a serviço da união da igreja no Grande Cisma de Oriente. Apesar de analfabeta, ditou mais de 300 cartas a autoridades e o livro  "Diálogos de Divina Providência" registrado em 1377.

Mulheres na Arte
Entre versos, canções e pinceladas elas adentraram um universo que ficou mais bonito. Superando críticas, como fez Anita Malfatti, persistiu na sua ânsia da expressividade e sagrou-se artista reconhecida mindialmente. Tarsila do Amaral retratou um período muito importante da luta operária no Brasil e o fez com suavidade e impacto. Os enigmas dos crimes articulados por Agatha Christie encantam o pensamento romântico de leitores no mundo todo, a versatilidade com que ela escrevia prende e desafia a nossa mente a decifrar os episódios. O mundo maravilhoso vivido e transcrito por Simone Beauvoir nos transporta para um tempo em que se descobria a liberdade do pensar  em meio a uma modernidade extremamente avançada no relacionamento a dois, nascia a filosofia de Sartre, ganhando o mundo e conduzindo ao pensamento político do iluminismo.

Salvando vidas
Não só a medicina ou a ciência, mas a coragem e ousadia de Aracy Guimarães Rosa possibilitaram uma ponte para a vida para inúmeros judeus e o fez por solidariedade, amor ao próximo. Pequenos gestos que mudaram a história de muitas famílias. Assim como as obras sociais da Princesa Diana aliviaram o sofrimento de muitas crianças famintas. A Lei Maria da Penha é outro exemplo de esforço em benefício da mulher, precisou ficar paraplégica e lutar 20 anos na justiça brasileira para dividir sua causa e proteger todas as mulheres vítimas da violência doméstica que encontram amparo legal capaz de evitar outros crimes.

Superando limites
A trajetória de Chica da Silva mostra a força da mulher que, nascida escrava, tornou-se proprietária de terras, educou os filhos para a sociedade da época sem dever nada aos aristocratas. Chegou à Corte, mas não desamparou suas raízes firmando a esperança de um mundo melhor.
A capacidade de superação humana é comprovada na relação de comunicação entre a mestra e sua pupila. Anne Sullivan e Hellen Keller viajaram o mundo para auxiliar os governos  a implantarem políticas para melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras de deficiências. Hellen dedicou sua vida a essa causa, investindo principalmente na educação para o trabalho, resgatando-lhes a dignidade de cidadão produtivo. A filósofa Ayn Rand saiu de uma condição de extrema pobreza ao lado de sua família quando emigrou aos Estados Unidos e começou a carreira de roteirista em Hollywood . Ela iniciou o objetivismo com suas considerações sobre o individualismo e a razão acima da emoção, acreditando na sua produtividade. Eva Peron construiu seu próprio destino com uma determinação ímpar, tendo nascido bastarda, tornou-se um ícone da vida política da Argentina enquanto primeira-dama "mãe dos descamisados" . Fez da sua própria luta uma fonte de justiça para os desvalido: criou escolas, hospitais, políticas sociais dedicadas aos trabalhadores que não tinham voz para sanar seus infortúnios.

Ganhando espaço
Transformar a realidade para uma situação de igualdade social sempre fez parte dos anseios femininos. A estadunidense Dorothy Parker ilustra muito bem essa batalha colocando seu talento de escritora a serviço do registro fiel do lado obscuro da vida urbana do século XX , com sua linguagem teatral poética recheada de ironias e sarcamos. A botânica Bertha Lutz trilhou caminhos semelhantes utilizando do seu prestígio para participar de congresso feministas, ampliar o campo educacional para as mulheres no Brasil e, sutilmente, alcançar o congresso nacional, abrindo de forma definitiva os caminhos da política para a participação das brasileiras.

A mulher na Política: um capítulo a parte no Brasil
As decisões contundentes tomadas por mulheres em nosso país tiveram início com a atitude libertadora da Princesa Isabel, na ocasião em que governava o Império. O Rio Grande do Norte foi pioneiro na abertura política, tendo inscrito a primeira mulher eleitora em 1927, a professora Celina G. Vieira. O primeiro voto feminino da América Latina. Não tardou para que o mesmo estado brasileiro tivesse outro importante registro noticiado no mundo todo. Foi pioneiro na candidatura de mulheres  a cargos eletivos quando Alzira Soriano, por indicação da então advogada Bertha Lutz, foi eleita a primeira "mulher prefeita" do Brasil e também da América Latina na cidade de Lajes.

A doutora eleita Deputada Federal
A médica de São Paulo Carlota Pereira de Queiróz  foi a primeira deputada federal eleita no Brasil e os caminhos da história política seguiram com os passos femininos rumo aos mais altos cargos., A educação passou a fazer parte dos orçamentos por conta de Esther F. Ferraz,  pioneira na Ordem dos Advogados do Brasil, foi a primeira brasileira a ocupar um Ministério (da Educação e Cultura) e trabalhou por investimentos na educação, pela carreira docente na reforma universitária e a criação das escolas técnicas federais. A popularidade e o trabalho dedicado às populações amazonenses fizeram de Eunice Michiles  a primeira Senadora da República e a primeira brasileira a ocupar uma vaga no Tribunal de Contas, pelo Amazonas.

A primeira candidatura à presidência
A campanha eleitoral de 1989 registrou a primeira candidatura de uma mulher à presidência da república brasileira: Maria Pia de Abreu do Partido Nacional (PN). A primeira mulher governadora foi eleita em 1995, Roseana Sarney do estado do Maranhão, e foi também a primeira a se reeleger, em 1998. A defensora da Amazônia, a ambientalista Marina Silva luta pelo planeta e pela igualdade social, sendo reconhecida mundialmente e participou da abertura das Olimpíadas de Londres levando a Bandeira dos Arcos. Pela primeira vez na história política do nosso país temos uma mulher no cargo de presidente: Dilma Rousseff,  que iniciou ainda adolescente na militância. É destaque entre as pessoas mais poderosas do mundo e premiada Chefe de Estado.

Rainhas e Guerreiras
Reinaram pelo mundo guiando nações,. acompanhando o progresso e garantindo boa herança aos seus filhos como a Rainha Elizabeth que seguiu tantas mudanças no desenvolvimento da Inglaterra e a descolonização. Catarina  a Grande,  que aumentou o domínio do seu país agregando territórios. Outras delas assumiram seus cargos junto dos filhos devido ao amor e ao desejo de educar, como ocorreu com a nossa redentora Princesa Isabel. Muitas ecibiram o talento de grandes estrategistas para o bem. A rainha Catarina de Médici, influenciou a vida política da França por 30 anos governando com sabedoria entre católicos e protestantes. Preocupou-se com o progresso, a cultura e a educação incluindo a alimentação e postura à mesa. Cleópatra venceu pela astúcia e beleza, é a rainha mais conhecida de todos os tempos.

Nas notas musicais
Entre  um acorde e outro, a grande compositora brasileira Chiquinha Gonzaga,  pianista e regente de orquestra, levou o cancioneiro popular brasileiro aos salões mais cultos e luxuoso do Rio de Janeiro e tornou-se imortal com a 1ª marcha carnavalesca "Ô Abre Alas", sucesso nos nosso carnavais. A ousadia da jovem pianista abriu espaço no cenário brasileiro para tanta vozes belíssimas como Elis Regina, Angela Maria , Clara Nunes e um sem-número de cantoras e compositoras excepcionais que habitam o universo sonoro como Ana Carolina, Leci Brandão, Paula Fernandes, Inezita Barroso entre outras.

Na telinha 
Com o advento da televisão no Brasil (1950), passamos a conhecer mulheres lindas, comunicativas, excelentes atrizes, profissionais de alto nível como a pioneira Ruth de Souza que conquistou o público pelo seu talento, a expressividade de Glória Maria, Sandra Passarinho, Ana Maria Braga sempre à frente dos fatos. A brasileira Hebe Camargo  tornou-se um ícone da televisão brasileira, cantou no rádio, foi atriz, humorista e fez história como apresentadora de televisão. A "rainha da televisão brasileira" esteve por mais de 40 anos na "telinha".

Nas telonas
Inúmeras atrizes fizeram sucesso na "telona". Hollywood, a indústria do cinema, foi palco de grandes beldades e talentos inesquecíveis como Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Julia Roberts, Angelina Jolie, Whoopi Golberg, Tilda Swinton, Anjelica Huston, Sally Field, Susan Sarandon e a talentosíssima Fernanda Montenegro .entre muitas outras. Mas não só atuando as mulheres brilham no cinema. Como escritoras e roteiristas também estão conquistando o público pelos quatro cantos do mundo. A série "Harry Potter" é criação de Joanne K. Rowling que traz muito da história da humanidade, da alquimia, e da igreja medieval nos seus enredos e cenas. Outro sucesso espetacular do talento feminino no cinema é a série "Crepúsculo" de autoria de Stephenie Meyer, uma escritora americana que rodou partes do último filme da série em cenário brasileiro.      

Texto intregante:Revista Mulheres Brilhantes- edição histórica    

21 dezembro 2013

Outras Estantes: A malta e eu de Michel Gondry

Cartaz do Filme



Por: Manuel Halpern

Desde que Larry Clark filmou Kids, em 1995, que os adultos puseram as mãos na cabeça e exclamaram: "Meu Deus, o que é feito dos nossos filhos?". O tratamento de choque foi dado e repetido. E a questão voltou a levantar-se tão bem em Paranoid Park(2007) e Elefante (2003), de Gus Van Sant, como em 17 raparigas (2011), de Delphine Coulin e Muriel Coulin, que mostra uma escola onde várias estudantes decidem engravidar. A conclusão é sempre a mesma: temos motivos para entrar em pânico. A adolescência é o período onde se tomam as grandes decisões que poderão ser fatais para o resto da vida. O mundo dos perigos desconhecidos, que os pais comodamente resolvem com um " é da idade, depois passa.

Enquanto objeto cinematográfico, a adolescência é um universo fascinante desde, pelo menos, Rebelde sem Causa (1955), de Nicholas Ray, exatamente devido a essa ligação com o risco e a forma de estar extrema, no lusco-fusco entre a infância e a idade adulta. A propensão infantil para o egoísmo aliada à vertigem pela imitação dos adultos, com um gosto pelo excesso, torna a adolescência apelativa mas extremamente difícil de tratar. Mais difícil ainda do que a infância ou a velhice. Os adolescentes são incompreendidos e incompreensíveis.
Michel Gondry é um realizador francês radicado nos Estados Unidos, habituado a fazer telediscos, incluindo de alguns rappers, e autor de um filme de culto, O Despertar da Mente (2004), que vinga pelo experimentalismo na história contada. Gondry encontrou uma estratégia para entrar de forma mais profunda neste tema difícil. Devolveu o ângulo aos alunos de uma escola, numa prática habitual para documentários ou repérage de argumento, chegando ao ponto de lhes entregar o desenvolvimento e interpretação do próprio filme, sendo esta história a conclusão de um projeto numa colónia de férias dos arredores de Nova Iorque. Não é um documentário, nem sequer um docudrama, é um filme em que não-atores fazem de si próprios. De resto, como tem sido prática em algum do mais notável cinema português, de Pedro Costa a Miguel Gomes, passando por João Salaviza e Basil da Cunha, para não falar de Gambozinos, de João Nicolau, que foi feito precisamente em interação com uma colónia de férias na Verdizela.
Michel Gondry fecha a ação no autocarro que atravessa o Bronx (zona de Nova Iorque tão bem retratada por Spike Lee), no último dia de aulas. Não se trata das típicas carrinhas da escola, amarelas com quatro rodas apenas, mas um transporte público regular, da Carris lá do sítio, de que os jovens se apropriam sem resistência, tendo o único e relativo contraponto na motorista. Quando sobem a escada do autocarro, a maioria dos outros passageiros desce, evitando o confronto. Mas a desgraçada sorte de quem apanhou um bando de adolescentes na viagem nem chega a ser tema, resolve-se e assume-se nos primeiros minutos. O estado de absoluta e exagerada insubordinação torna-se secundário, para dar espaço às relações dentro do grupo, construídas à base de jogos de humilhação, em que o bullying é bastante mais popular do que o baseball. Gondry procura chegar ao âmago, e descobrir a adolescência nos seus afetos e contradições. Não se preocupando tanto com o experimentalismo social - um big brother dentro do autocarro -, descartando-se do pseudorrealismo das cenas (o que talvez seja pena) e evitando impor regras demasiado rígidas (não é um mero exercício de estilo, há cenas fora do autocarro).
A descoberta essencial neste retrato de Gondry está resumida no título. Apesar das enormes diferenças de personalidade e de níveis de maturidade, há uma característica carregada ao fundo no espírito adolescente. Precisamente a diferença entre o eu grupal e individual, exemplificada de forma evidente na personagem de Michael. O indivíduo bestializa-se no grupo e desconstrói-se fora dele. A identidade anda algures pelo caminho.
Fonte: JL


A Malta e Eu

Título original:
The We and the I
De:
Michel Gondry
Com:
Michael Brodie, Teresa Lynn, Raymond Delgado
Género:
Drama
Classificação:
M/12
Outros dados:
EUA/FRA/Afeganistão, 2012, Cores, 103 min.







19 outubro 2013

Outras Estantes: Cinema de bolso

Depois de Rapace (2006), de João Nicolau, um filme português voltou a ganhar a competição internacional do Curtas de Vila do Conde. Carosello, de Jorge Quintela, é um filme de bolso, como lhe chama o próprio realizador, feito com a câmara fixa (com dois planos sobrepostos) e uma narração em voz off. O realizador de 21 anos  também apresentou Ausstieg, na Competição Experimental do Curtas.
Uma nova geração de curtas
A grande surpresa de Vila do Conde não foi o facto do grande prêmio ter sido atribuído a um filme português. Tal já havia acontecido, em 2006, com Rapace, o primeiro filme de João Nicolau. A grande surpresa foi este prémio ter sido atribuído a Jorge Quintela, um realizador principiante, de apenas 21 anos, com um filme de bolso, Carosello, de produção minimalista.Como havia feito no passado com Sandro Aguilar, Miguel Gomes, João Nicolau, António Ferreira, Rodrigo Areias ou, mais recentemente, Basil da Cunha, o Curtas inscreve o nome de Jorge Quintela num palmares dourado, dando visibilidade a uma nova geração, já distante daquela que deu nas vistas no final da década de 90, princípio dos anos 2000, e também com diferentes argumentos. Carosello é minimalista na sua forma. Só há um plano de câmara. À imagem de um carrossel italiano sobrepõe-se a de um homem a falar. Em voz off o seu discurso entre a nostalgia e o humor. Nada mais foi preciso para convencer o júri. Na competição nacional, curiosamente, destacou-se a estreia na realização de Telmo Churro, com Rei inútil. O realizador já há muito que trabalha no cinema, sobretudo na equipa da produtora O Som e a Fúria. Uma estreia feliz, com um humor peculiar, no retrato de um jovem e no seu universo, em que o onírico, por vezes, ganha um peso real. Este palmarés surpreendente deixou de fora alguns dos favoritos como Gambozinos, de João Nicolau (ganhou honrosa no Curtinhas), O Corpo de Afonso( aviso importante, contém cena imprópria para menores), de João Pedro Rodrigues, ou Tabatô, de João Viana.
Na competição internacional, o prémio de ficção foi para uma das grandes cinematografias europeias que precisa de ajuda, devido ao desinvestimento do estado na cultura: a Hungria. Chuva Suave é uma produção húngaro-belga, com realização de Denes Nagy, que num contexto rural (mas sem a arte de Bela Tarr) desvenda a história de um órfão que se apaixona por uma rapariga, mas que tem que descobrir os códigos dos jogos do amor. O prémio de documentário ficou em Espanha, com Bom Dia Resistência, de Adrian Orr. Uma ideia simples e eficaz, conta apenas uma manhã de um pai de três filhos nos arredores de Madrid. Na animação, sem grandes surpresas, foi premiada a imaginação de Gloria Victoria, a conclusão da trilogia de Theodore Ushev, iniciada com Tower Bawher e Drux Flux. Também sem grandes surpresas, o prêmio experimental foi para Cut, de Cristophe Girardet e Mathias Muller, presenças assíduas no Curtas.


 Entrevista:

 Já tinha sido selecionado para Vila do Conde com o filme O Amor é a Solução para a Falta de Argumento, mas acaba por vingar com Carrosello, uma ideia bastante mais simples, quase minimal.Surpreendido?
Carossello e Ausstieg são filmes de bolso, trabalhados com o argumentista Pedro Bastos, que obedecem a premissas. Há um trabalho com a imagem e a palavra. Estabelece-se como regras o uso de um só plano e a narração através de uma personagem. Os filmes partem de uma imagem registada sem a pretensão de transformar em filme. Só ao rever as imagens captadas surge a necessidade de construir uma narrativa.

O conceito de filme de bolso tem que ver apenas com a produção ou também com a forma como os filmes são recebidos? São filmes a pensar em telemóveis e tablets? 
Não necessariamente. O conceito originário de filme de bolso é do meu amigo Paulo Abreu, que tem há alguns anos umas séries chamadas pocket movies, numa lógica de produção reduzida, mas sem as mesmas premissas. A ideia tem a ver com a contenção na estrutura de produção e não com o seu visionamento. O filme foi feito a pensar na sala de cinema.

Temos falado em cinema experimental, mas contudo o seu filme não é abstrato, há uma personagem concreta que nos fala da sua vida... 
A narrativa não é de todo experimental. Até é bastante linear. A experiência está no processo e no artefacto. Mas a barreira entre a ficção convencional e o experimental, em geral, é cada vez mais ténue, vai-se quebrando.

Optou por estes filmes de bolso por uma questão estética ou por necessidade financeira, devido à falta de financiamento?
É um conjunto de fatores. Comecei a fazer estes filmes de bolso em 2010, porque era a única forma de satisfazer o meu desejo de realizar, na ausência de uma estrutura que me apoiasse. Mais tarde acabei por contar com o Bando à Parte e o Rodrigo Areias. E a verdade é que essa estrutura existe porque já foi financiada.

Por que motivo o filme é falado em italiano?
A imagem do carrossel foi filmada na Praça da República, em Florença. Só mais tarde, ao ver esse plano, tive a ideia de filmar uma narrativa. O Ausstieg foi filmado em Berlim e é falado em alemão. Um dos desafios destes filmes de bolso é tentar construir uma personagem dando uma visão sobre a cultura do país em causa.

Que perspetivas se abrem com este prémio? 
Dado o seu caráter experimental, surpreendeu-me logo á partida que o filme fosse selecionado para a Competição Nacional. Por isso, o prémio foi uma grande surpresa. Vai permitir que este e os próximos filmes tenham mais visibilidade. O meu próximo projeto não é um filme de bolso, mas uma curta-metragem, com os meios normais de produção, que recebeu apoio do ICA em 2011.

Destaque : A barreira entre a ficção convencional e o experimental, em geral, é cada vez mais ténue, vai-se quebrando. 

24 fevereiro 2012

Geografia do Modernismo: fora dos limites paulistas



Por Thaís Ferreira

"Eu vi o mundo... Ele começava no Recife", obra de Cicero Dias


O modernismo, movimento artístico característico do início do século XX, teve seu estopim no Brasil com a Semana de Arte Moderna. Há 90 anos, um grupo de artistas se reuniu no Teatro Municipal de São Paulo.



Esse fato, aparentemente sem importância, provocou uma ruptura nos padrões e nas concepções estéticas brasileiras. Essa seria apenas mais uma data, se o evento não tivesse reunido Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral e Villa-Lobos.



Essa agitação artística é lembrada essencialmente como um movimento paulista, uma vez que seus principais representantes nasceram nesse estado e seu principal acontecimento, a Semana de Arte, ocorreu exatamente em sua capital.



No entanto, vários artistas de outros estados contribuíram de forma significativa para a disseminação do Modernismo. Conheça, agora, os nomes e as obras dos precursores e seguidores dessa concepção de arte.


Minas Gerais

A pequena e desconhecida cidade de Cataguases, a 300 quilômetros de Belo Horizonte, foi profundamente influenciada pelo projeto modernista.

Um de seus representantes foi o engenheiro civil, escritor e poeta Enrique de Resende.

Um de seus principais feitos foi fundar o Movimento Verde – nome dado à agitação modernista do município.


Os membros eram artistas e intelectuais locais, entre eles: Antônio Martins Mendes, Rosário Fusco e Ascânio Lopes.

O movimento tinha sua própria publicação, a Revista Verde, dirigida e idealizada por Resende.

O periódico não durou muito tempo, pouco mais de um ano, mas teve colaborações importantes, como Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado e Mario de Andrade.

Poema de Enrique Resende:

DA ARTE

Pois que arte é criação, liberta o espírito.

Livra-o desses cuidados e dos zelos

que nutres pelos moldes, como se a arte
obedecesse a efêmeros modelos...


Rio Grande do Norte

Representante do modernismo potiguar, Jorge Fernandes nasceu em Natal, em 1887.
Trabalhou em uma fábrica de cigarros e foi caixeiro viajante.Escreveu e colaborou com diversos jornais e publicações.

Ele foi poeta e, apenas aos 40 anos, publicou seu único livro do gênero, o Livro de poemas.
Sem nunca sair do estado em que nasceu, mas fortemente influenciado, Fernandes incorporou em suas poesias vários elementos do Movimento Modernista, entre eles: versos livres, ausência de formalidade e marcas do regionalismo.

Sua escrita impressionou e sua produção figurou entre as mais notáveis publicações modernistas da época, como a Revista de antropofagia, a Terra Roxa & Outras Terras e Verde.

Trecho de Meu poema parnasiano nº 1, de Jorge Fernandes:

Meu poema parnasiano nº 1

Que linda manhã parnasiana...

Que vontade de escrever versos metrificados

Contadinhos nos dedos...
Chamar de reserva todas as rimas
Em ­ or ­ para rimar com amor...
Todas as rimas em ­ ade ­ pra rimar com saudade...
Todas as rimas em ­ uz ­ pra rimar com Jesus, cruz, luz...
Enfeitar de flores de afeto um soneto ajustadinho
Todo trancado na sua chave de ouro...
Remexo os velhos livros...



Pará



Entre os artistas paraenses, se destaca a obra de Ismael Nery. Nascido em 1900, em Belém, esse homem polivalente foi desenhista, pintor, arquiteto, filósofo e poeta, estudou no Rio de Janeiro e em vários países da Europa.



Durante suas viagens, foi influenciado por grandes nomes internacionais, como Pablo Picasso, André Breton e Marc Chagall.


Ao retornar para o Brasil, dedicou-se às pinturas surrealistas; contudo, suas obras diferem da concepção antropofágica e nacionalista de Oswald de Andrade.

Nery pregava uma arte com valores internacionais e de caráter universal.

Devido a essa concepção (não muito bem aceita na época), ele nunca chegou a fazer sucesso no país.

O pintor só teve seu talento reconhecido anos depois da sua morte, que aconteceu precocemente, em 1934.

Autorretrato de Ismael Nery
  
Pernambuco
 Cícero Dias, um importante pintor do movimento Modernista, nasceu no município de Escalada, a 50 quilômetros de Recife.

Estudou arte na capital fluminense, onde realizou sua primeira exposição individual.

O artista decidiu se mudar para Paris, onde viveu até 2003, ano em que faleceu.

Sua pintura é reconhecida por misturar tradições pernambucanas com as vanguardas internacionais.

O maior exemplo disso é o polêmico painel “Eu vi o mundo... Ele começava no Recife", exposto no I Salão de Arte Moderna, em 1932. A obra chocou o público conservador por causa da nudez retratada.

Maranhão

Um dos grandes nomes da Semana de Arte foi, sem dúvida, Graça Aranha. Nascido em São Luis, em 1868, ele foi magistrado em direito, diplomata, ensaísta, romancista e escritor, além de ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Após aderir ao Modernismo, esse maranhense polêmico chegou a declarar: "A fundação da Academia foi um equívoco e foi um erro". Dessa forma, suas concepções literárias se distanciaram profundamente das dos demais imortais, o que culminou com seu desligamento da instituição em 1924.

Durante o evento no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, Graça Aranha (foto ao lado) foi um dos principais organizadores e responsável pela fala inicial intitulada: A emoção estética na arte moderna.

Autor das obras Canaã, Malazarte e Viagem Maravilhosa, ele faleceu no Rio de Janeiro, em 1931.

“Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da arte que o da Beleza. [...] Cada um que se interrogue a si mesmo e responda que é a beleza? Onde repousa o critério infalível do belo? A arte é independente deste preconceito.” (Graça Aranha, Espírito Moderno, 1925)

fonte: Saraiva Conteúdo

09 abril 2011

Teatro de revista

Teatro de revista
Sátira e vedetes

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Chamamos de teatro de revista ao espetáculo teatral composto de números falados, musicais e coreográficos, humorismo, etc. Esse gênero teatral alcançou grande popularidade no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, pela crítica bem-humorada com que enfocava certos aspectos do cotidiano do país.

O teatro de revista brasileiro surgiu em 1859, no Teatro Ginásio, no Rio de Janeiro, com o espetáculo "As Surpresas do Sr. José da Piedade", de Justiniano de Figueiredo Novaes. A revista recorre a um modelo francês denominado voudeville: um enredo frágil que serve como ligação entre os quadros que, independentes, marcam a estrutura fragmentada do gênero.

Seu ingrediente mais poderoso é a paródia, recurso do teatro popular que consiste em denegrir um aspecto, fato, personagem, discurso ou atitude da cultura erudita ou, em outras palavras, da classe dominante.

Outro elemento fundamental do teatro de revista é a música. Contudo, diferentemente do gênero musical como imaginamos hoje, o teatro de revista trazia um certo tom de exagero, com bailarinas (as conhecidas vedetes) vestidas de forma mais ou menos exuberante (com plumas e lantejoulas).

Fases

O teatro de revista brasileiro pode ser dividido em três fases.

A primeira, que teve seu auge com as peças de Arthur Azevedo, é caracterizada pela valorização do texto em relação à encenação e pela crítica feita com versos e personagens alegóricos. Nas revistas de ano - apresentadas no início de cada ano, como resumo cômico do período anterior -, as cenas curtas e episódicas que parodiavam acontecimentos reais eram ligadas por uma história conduzida, em geral, por um grupo de personagens que transita pelo Rio de Janeiro à procura de alguma coisa.

A segunda foi marcada por duas características importantes. Uma delas é a influência norte-americana na música, com a companhia de Jardel Jércolis substituindo a orquestra de cordas pela banda de jazz e a performance física do maestro, que passou a fazer parte do espetáculo. Outra foi a vinda da companhia francesa Ba-ta-clan, na década de 1920, que trouxe novas influências para o gênero: desnudou o corpo feminino, despindo-o das meias grossas. O corpo feminino passou então a ser mais valorizado em danças, quadros musicais e de fantasia, não apenas como elemento coreográfico, mas também cenográfico.

Nessa fase, a revista foi marcada pela existência de uma "rivalidade amigável" entre as primeiras estrelas de cada companhia, na disputa pela preferência dos espectadores.

A terceira e última fase foi a do investimento em grandes espetáculos, em que um elenco formado por numerosos artistas se revezava a cada temporada. Havia a ênfase à fantasia, por meio do luxo, grandes coreografias, cenários e figurinos suntuosos. A maquinaria, a luz e os efeitos passaram a ser tão importantes quanto os atores.

Aos poucos, contudo, a revista começou a apelar fortemente para o escracho, para o nu explícito, deixando de lado uma de suas bases: a comicidade. Assim, entrou em um período de decadência, praticamente desaparecendo na década de 1960.

*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora, formada pela USP, e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro "Arte-educação: experiências, questões e possibilidades

02 abril 2011

Teatro no Renascimento

Teatro no Renascimento
Inglaterra de Shakespeare se destaca

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Entenda como a Inglaterra se tornou palco de importantes produções teatrais durante o renascimento. Conheça o contexto histórico em que o teatro se desenvolveu no país, características e principais nomes.

Contexto histórico

O período elisabetano na Inglaterra é o que compreende o reinado da rainha Elizabeth I (1558-1603), considerado a era de ouro da história inglesa. É o auge do renascimento naquele país, com os maiores destaques para a literatura e a poesia.

No reinado da rainha Elizabeth I, a Inglaterra conseguiu assumir o posto de potência mundial, já que a Espanha, que mantinha o "cargo", estava em decadência. O comércio inglês se impôs e se expandiu pelo mundo, preparando as condições favoráveis à prosperidade econômica e ao progresso da burguesia.

Era um momento de rápida transformação em todos os setores da sociedade, o comércio marítimo influenciava a moda, o transporte (com o uso das carruagens), a arquitetura, os costumes, como, por exemplo, o uso de garfos (trazidos da Itália) e o tabaco (trazido da Índia e da América).

Esse foi o momento no qual o teatro elisabetano cresceu e autores como Shakespeare escreveram peças que rompiam com o estilo com o que a Inglaterra estava acostumada.

A reforma protestante e o humanismo introduziram novos elementos nas representações. Foi através de grupos de atores mambembes (como na "Commedia dell'Arte") que surgiu o profissionalismo teatral.

Elizabeth 1 deu proteção ao teatro da época, pois seu gosto pelos espetáculos populares conseguiu contrabalançar as tendências puritanas do reino. Bailados, mágicas, representações cênicas de todo tipo eram apresentadas por onde quer que a rainha fosse.

Os homens do rei

O primeiro teatro londrino foi fundado em 1576. O mais famoso, porém, é o Globe, fundado em 1599, às margens do rio Tâmisa. Idealizado e construído por Shakespeare e sua companhia, The King's Men (os homens do rei), seguia os padrões do que chamamos hoje teatro elisabetano.

A disposição do palco era ideal para a ação dramática e para uma peça que se desenrolava sem interrupções, rápida e com grande número de figurantes. Havia pouco ou quase nenhum cenário, os papéis femininos eram representados por rapazes, pois na época as mulheres ainda não podiam representar. As mulheres raramente apareciam na platéia, com exceção de prostitutas. As demais, quando iam ao teatro, usavam máscaras.

O Teatro Globe não era coberto. As apresentações só ocorriam durante o verão. Também eram suspensas quando havia algum surto de peste, o que era freqüente, de modo que, para ganhar a vida, a companhia fazia turnês pelo interior. Em algumas de suas peças, Shakespeare faz referência a isso, como em "Hamlet", quando um grupo de atores mambembes chega ao Castelo de Elsenor para uma encenação.

Sonetos em tempos de peste

Shakespeare é considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos. Seus textos são obras de arte e permanecem vivos e atuais, retratados freqüentemente no cinema, no teatro, na televisão e na literatura.

O escritor nasceu numa cidade pequena, Stratford-on-Avon, onde começou seus estudos. Casou-se aos 18 anos com Anne Hathaway, com quem teve três filhos. No ano de 1588 foi morar em Londres e, em 1592, já fazia sucesso como ator e dramaturgo. Entretanto, eram seus sonetos e não suas peças que eram aclamados pelo público, já que de 1592 a 1594, os teatros londrinos tiveram que ser fechados por causa de um surto de peste.

Em 1594 ingressou na Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, mesmo ano em que escreveu sua primeira peça, a "Comédia dos Erros". Desde então, escreveu mais de 38 peças.

Sofrimento do herói em cena

Ainda que inspiradas pelos valores do teatro clássico, as tragédias shakespearianas têm uma diferença marcante que é a morte e/ou o sofrimento do herói em cena, aos olhos do público. Nas tragédias gregas isso jamais ocorria.

Quando Édipo, num ato de desespero, fura seus olhos com os alfinetes da roupa da mãe, ou quando Medéia mata seus filhos, é um arauto ou um outro personagem que vem a cena para narrar o episódio ao espectador.

Com as tragédias no Renascimento, especialmente em Shakespeare, a cena trágica, violenta, o sofrimento do herói é no palco, aos olhos de todos. Esse escritor tinha uma predileção por temas ligados à própria história da Inglaterra e posicionou-se apaixonadamente em relação aos problemas de poder e do destino.

Entre as tragédias escritas por Shakespeare é impossível não destacar "Romeu e Julieta", que se tornou a história de amor por excelência e "Hamlet", cuja frase "Ser ou não ser: eis a questão" é uma das mais conhecidas da língua inglesa. "Macbeth", "Rei Lear", "Otelo", "Ricardo II", "Ricardo III", "Henrique IV", "Henrique V", "Henrique VI" e "Henrique VIII" também estão entre suas tragédias mais famosas e encenadas até hoje.

Comédias: lirismo, farsa e sombras

Nas comédias escritas por Shakespeare há forte influência da "Commedia dell'Arte". Ainda assim, podem-se identificar em sua produção vários tipos de comédias, desde as mais leves e farsescas, como "A Megera Domada", às líricas, como "Sonho de Uma Noite de Verão", até as mais sombrias, como "Medida por Medida".

Outras de suas obras mais importantes nesse gênero são "Comédia dos Erros", "Muito Barulho por Nada", "A Tempestade", "Tudo Está Bem Quando Acaba Bem", "As Alegres Comadres de Windsor", "Péricles".

*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp.

02 maio 2010

TV - 'Dramédia' suicida

O canal de televisão a cabo americano Starz estreou, na última sexta-feira (23/04), a “dramédia” Gravity, série que tenta abordar de maneira engraçada e ao mesmo tempo íntegra, um assunto polêmico: o universo dos suicidas.

O programa mostra um grupo de suporte, no qual todos os integrantes tentaram cometer suicídio. Os personagens são a solitária Lily (Krysten Ritter de Breaking Bad), o católico devoto e viúvo Robert (Ivan Sergei), a ex-modelo quarentona Shawna (Rachel Hunter) – que tem uma queda por homens mais jovens – e o líder do grupo Doug (Ving Rhames, de Pulp Fiction), um ex-jogador de baseball que virou cadeirante.

Contrastes

A série procura mostrar o tema uma forma menos dramática. No primeiro episódio, Robert tenta se matar jogando seu carro de um penhasco, mas acaba caindo na piscina de um navio em um cruzeiro gay. Ou quando Lily tenta suicídio tomando um pote de comprimidos com uma fatia generosa de bolo de chocolate e se encanta por um homem no “céu”, mesmo sendo atéia.

"Um assunto sensível como esse, se tratado com honestidade e compaixão, pode também ser engraçado", diz o co-criador da série, Eric Schaffer, em entrevista ao site americano TV Guide. "O humor pode ser uma saída para se recuperar de uma tragédia e ajudar os outros a lidarem com isso”.

(BR Press)
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