02 junho 2010

Estatal russa Gazprom inicia construção de gasoduto estratégico no Báltico

Com o gasoduto Nord Stream, a estatal russa Gazprom garante seu lugar como principal fornecedora de gás à Europa Central. Projeto análogo europeu, Nabucco, ainda é incipiente e dificilmente romperá hegemonia russa.
A construção do gasoduto Nord Stream, projeto milionário que atravessará o Mar Báltico, foi iniciada oficialmente nesta sexta-feira (9/4). A cerimônia de inauguração das obras, realizada na baía russa de Portovaya, próxima à fronteira finlandesa, contou com a presença do presidente russo, Dimitri Medvedev, e do ex-premiê alemão Gerhard Schröder.
A partir de 2011, o duto deverá transportar anualmente até 55 bilhões de metros cúbicos de gás à Europa Ocidental, o que corresponderia a cerca de 11% da demanda esperada para a região no ano de 2030.
O projeto, orçado em 7,4 bilhões de euros, foi concebido como complemento estratégico aos velhos dutos, que atravessam Ucrânia e Polônia. Os conflitos entre a gigante russa Gazprom e a Ucrânia, que provocaram interrupções no abastecimento europeu nos últimos anos, parecem ter tornado a iniciativa ainda mais urgente.

Russos deixaram concorrência para trás
Nord Stream, South Stream, Nabucco. Todos eles devem levar gás natural do Oriente para a Europa Central. Quanto ao Nabucco, há apenas uma declaração política de intenções; já no caso de South Stream, o processo está um pouco mais adiantado. O gasoduto Nord Stream, por sua vez, começa a ser construído agora sob o Báltico. E com ele a estatal russa Gazprom deixou a concorrência bem para trás.
Nas próximas décadas, a Rússia vai fornecer à Alemanha e à Europa Central ainda mais gás. "O consumo crescerá. Por isso, é sensato ter acesso aos principais fornecedores. E a Rússia é uma", afirmou Schröder.
Quando no poder, o político social-democrata se empenhou pessoalmente no projeto. Hoje Schröder é o presidente do conselho de administração e o principal lobista da Nord Stream, grupo proprietário do gasoduto do Mar Báltico. "A Rússia também era uma importante fornecedora de energia nos tempos da Guerra Fria, e nunca tivemos problemas com a segurança do abastecimento. Tenho certeza de que isso não vai mudar no futuro."

Gazprom se adiantou aos fatos

Por trás da Nord Stream, entretanto, está a Gazprom, empresa estatal russa e maior produtora de gás natural no mundo. O consórcio liderado pela Gazprom criou fatos, antes mesmo de se decidir se o gasoduto poderia ser mesmo construído.
Já desde 2007, a empresa vem encomendando tubos de aço reforçados com concreto, apropriados para uso subaquático. A aprovação final e o dinheiro chegaram, no entanto, apenas há algumas semanas.
A Nord Stream bate, assim, um concorrente que ainda nem chegou a implementar seu projeto: o gasoduto Nabucco, iniciativa do grupo austríaco de energia OMV. E por trás do Nabucco também está um veterano da política alemã: o verde Joschka Fischer, ex-ministro do Exterior.
"O que não queremos é um monopólio. Acho sensato que nós, europeus, garantamos a segurança energética através de um vasto leque de ofertas", argumenta Fischer.

Nabucco quer romper monopólio russo

E isso significa, em linguagem simples, que Fischer e seu consórcio pretendem quebrar o domínio dos russos. O gasoduto Nabucco, que tem participação da gigante alemã de energia RWE, deve transportar gás da região do Mar Cáspio (e, portanto, não da Rússia) para a Europa Ocidental por uma rota ao sul do Mar Negro. O Nabucco é tido como o projeto predileto da Comissão Europeia.
As palavras do comissário de Energia da UE, o alemão Günther Oettinger, não deixam margem de dúvida. "O Nabucco não é apenas um potencial duto novo, é um projeto europeu. E passa por uma outra região rica em gás, o Mar Cáspio, reduzindo pela metade a dependência da Europa. Por um lado, a dependência tecnológica diminui em decorrência da criação de uma rota adicional; por outro, o gás viria de uma região diferente, por meio de outras parcerias, o que também reduz significativamente a dependência."

Alternativas podem tornar supérfluos novos gasodutos

No entanto, há um inconveniente. O gasoduto Nabucco é politicamente desejado, mas até hoje nenhum dos investidores sabe de onde deverá vir o gás. Eles viajam regularmente ao Azerbaijão, ao Turcomenistão e ao Iraque – até agora sem contrato nenhum.
Além disso, o Nabucco pode se ameaçado pelo plano da Gazprom de construir o South Stream, um novo duto que deverá atravessar o Mar Negro diretamente ao norte do projeto austríaco e europeu.
Se a Agência Internacional de Energia estiver certa em sua previsão de que, em 2030, a Europa Ocidental terá uma demanda adicional de 200 bilhões de metros cúbicos de gás, não haverá problema, pois o mercado será suficiente para todos.
No entanto, também há prognósticos de que o consumo de gás da Europa vai se manter estável em decorrência da diversificação das fontes de energia. Neste caso, a Gazprom e a Rússia certamente dominariam o mercado de gás europeu.

Autores: Jutta Wasserrab/Marcio Damasceno
Revisão: Simone Lopes

Um comentário:

  1. Muitos anos atras os primeros trabalhos dos gasodutos em direçao da Europa, USA se interpuso
    na sua contruçao, proibindo cualquer industria
    com negoçios em USA ,em ajuda ou participaçao,
    As guerras se fasem por causa do petroleo,
    { IRAK, AFGANISTAO,??? Rusia sem Guerras ganhara
    a maior batalha, em petroleo e Gas,
    Segunda guerra Union Sobietica quedo arrasada, sem ajuda de ninguem, se esta rehergendo grasa
    a seus Grandiosos recursos de Carburantes em todo seu grandioso territorio, { Por um mundo de
    muita Paz e Armonia

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